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Thursday, September 14, 2017

Taylor Swift: e a nobre arte do Shake it off, era só conversa?




Taylor Swift ( que até respeito mais que qualquer outra "estrelinha" do momento, por ser uma rapariga de classe apesar de muito namoradeira e por ter umas canções aceitáveis) lançou, com estrondo, o seu novo single, Look What you made me do:



E- tal como o público esperava- a cantilena e o respectivo videoclip  são um ode a todas as celebridades com quem a cantora tem tido "guerrinhas" ultimamente e à forma como é retratada pelos média ( uma víbora manipuladora que passa por santa mas que se vinga destruindo os ex namorados nas suas músicas e uma "mean girl" control freak, sedenta de poder, com um esquadrão de amigas bonitas e fúteis).


Este número de Swift (zangar-se com alguém e alfinetar a criatura no próximo hit que lança) começa a ganhar mofo. E a perder o sentido à medida que ela vai ficando mais velha.




Ao ouvir a canção, recordei-me de uma situação que se passou comigo.


Há uns anos (quando eu ainda levava certas coisas e certas personagens demasiado a sério) tive sérias razões para ganhar aversão figadal a uma pessoa.

Digamos que a criatura (Deus lhe valha, era tão desinfeliz que merecia mais pena que outra coisa...) teve o atrevimento não só de tentar pregar-me uma partida, a mim que estava contentinha da vida e quieta no meu canto sem fazer mal a uma mosca (e nem andava a fazer assim muita troça das pessoas nem nada, juro). 

E ainda por cima, uma partida que representava tudo aquilo que mais desprezo neste mundo!

Agora olho para trás e vejo que era caso para um par de calduços e rir do assunto; mas na altura doeu e pior, o incómodo não desaparecia. A raiva é como o amor: consome, gasta energia, uma pessoa deita-se e acorda a pensar nisso.



Fiquei muito magoada, pois quem não se sente não é filho de boa gente... e não me orgulho de dizer que congeminei umas quantas artimanhas para expor a pessoa ao devido ridículo (esperem lá- orgulho pois. Soube-me bem e foi mais que merecido!).

É que eu tenho uma paciência de chinês, um saco de "dar o desconto" aos outros extremamente elástico e é muito raro zangar-me ou perder as estribeiras. Prezo o auto domínio acima de quase tudo e acho muito feio ser mesquinho. Dou a outra face, que é como quem diz "deito ao desprezo".

 Dizem-me muito que não percebem como tive calma nesta ou naquela situação, que não sabem onde vou buscar o sangue frio e que tenho uma pachorra de Job e tolerância ao intolerável. Mas quando finalmente me zango, quando o saco rebenta (ou até é a primeira vez que pisam o risco mas calha tocarem-me cá nos meus dogmas ou valores de base) o caldo pode entornar-se e aí já não vejo a direito.



Em resumo, eu já tinha desabafado e retaliado, já a estória arrefecera, a poeira baixara e em boa verdade tinha deixado de ser caso para tanto... mas eu continuava a deitar fumo. Insistir na fúria estava a fazer-me mais mal a mim do que à alminha que iniciara a confusão para começo de conversa.

Até que uma grande amiga minha, farta de me aturar e de não reconhecer a minha pessoa naqueles preparos, me disse:

"Por amor de Deus, Sissi!!!! Tente ser mais magnânima! Isto está a tornar-se ridículo!" (ela é inglesa por isso usou o termo "gracious", que acho muito apropriado mas complicado de traduzir).



Foi como uma baldada de água fria bem necessária. É bom termos amigos que nos dêem um puxão de orelhas de vez em quando. Eu que tanto defendo manter a classe acima de tudo estava a ser rancorosa, e pior - a deixar que aquilo me amargurasse. 




Parou ali a brincadeira e passei a não levar as pessoas e os episódios tão a peito.

 A ter uma visão mais "Católica" do assunto, se quiserem.. embora alguns grandes santos se ofendessem e não deixassem créditos por mãos alheias. Por outro lado, os Santos enfureciam-se quando a glória de Deus estava em causa, e não a sua pessoa. Por outro ainda, isto transcende a religião: é algo comum a qualquer filosofia de auto domínio, bem viver e civilidade.

Ofender-se com justiça é legítimo, mas tomarmos como crime de lesa-Majestade qualquer agravo que nos façam é indigno não só de um um cristão, mas de qualquer pessoa de bem. É muita presunção. É acharmo-nos acima de toda e qualquer contrariedade.



 Acima de tudo, é deselegância. E eu não queria resvalar para a deselegância, até porque assim a pessoa malvada ficava mesmo a ganhar.

Por vezes - já o tenho dito - a nossa vitória é maior se aplicarmos às coisas e às pessoas um valente "deixa para lá" ou um "as acções ficam com quem as pratica".

 Ricardo Coração de Leão morreu ferido por uma flecha disparada por engano, perdoou o seu homicida e ainda mandou dar-lhe dinheiro. Soube ser Rei e deu desconto à situação do moço: não  havia glória em esborrachar uma pessoa insignificante por danos que já não se podiam reparar (a sua mãe, Leonor da Aquitânia, é que não esteve pelos ajustes e mandou executar o rapaz da maneira mais horrível, dizem). Quem não vive para as ninharias deste mundo não se pode consumir por causa delas. É isso que distingue as pessoas verdadeiramente inspiradoras!

Mas deixemos Ricardo Coração de Leão e voltemos a Taylor Swift Coração de Cheerleader.




 O grande mote para mais esta "cantiga de maldizer em versão pop" é, claro, ter sido apanhada a mentir (por nada mais nada menos que Kim Kardashian)  quanto a concordar ser mencionada de forma pouco lisonjeira por Kanye West na canção e no controverso videoclip de "Famous". Para muita gente caiu a máscara de rapariga amorosa e alguns amigos e fãs de Taylor alinharam com o "inimigo".



É claro que o escândalo vende e Taylor Swift sabe vender como ninguém. 

É possível que Miss Swift se sinta lesada, que até tenham em certa medida sido injustos com ela e que, para uma rapariga que tenta apresentar-se com certa elegância, seja o fim do mundo ser exposta como mentirosa  por uma figura de moral questionável como Kim Kardashian (por muito relevante que Mrs. Kardashian-West se tenha tornado,  por mais que muita gente jure que ela é boa pessoa e ainda que eu tenha que reconhecer que não lhe falta uma certa compostura na forma como se defende quando é atacada por outras caras conhecidas).



Mas não foi Swift que popularizou o mantra (muito útil, aliás) Shake it off? Não era ela que cantava que haters gonna hate e que os cães ladram mas a Taylor Swift passa com o seu esquadrão de amiguinhas e fantasmas de ex namorados e tudo como dantes no quartel de Abrantes?

Apesar de Taylor Swift ter tantas amigas, faltou-lhe uma amiga verdadeira, franca e sensata como a minha!

E depois, o erro foi dela mesma,  que andou a falar com pessoas com quem tinha razões para não simpatizar (acredite-se ou não que a birra de Kanye nos Grammies foi encenada para tornar Taylor mais famosa) e a associar-se a figuras com quem preferia que não a associassem. Há que aceitar a responsabilidade, rir do assunto e ...shake it off.



Tinha-lhe ficado melhor manter-se nessa onda, eu acho. Uma mulher chega a uma altura na vida em que tem de aprender a tal máxima de deixar as acções com quem as pratica, a dar um deixa para lá, um "Deus te ajude, coitadinho que não sabes o que fazes", a não devolver o carvão que os outros atiram para não ficar toda enfarruscada- a não deixar, enfim, que a raiva a consuma e a procurar a melhor vingança: viver lindamente e arreliar os antagonistas com a sua felicidade. Não há tortura pior.

A cantiga Look what you made me do é muito contagiante, admito - mas acho Shake it Off um lema bem melhor para viver bem.





Wednesday, August 30, 2017

Frase do dia: vergonhodependentes.




Lido numa página brasileira, a propósito de uma cantora lá do burgo, filha de pai famoso, que tenta por força fazer carreira mas não acerta uma e só se embaraça a ela própria (ou "paga mico atrás de mico" como se diz por lá- povo muito engraçado, o brasileiro).


"não pode ver uma vergonha, que já quer passar".

Frase cómica, mas sábia: quantas pessoas há que parecem viver no firme propósito de 
passar vergonhas atrás de vergonhas... são os pega-vergonhaças. Ou os vergonhodependentes.

E quase sempre, a causa desse mal é só uma: a vontadinha de dar nas vistas.

Isto porque fracassos, toda a gente tem;más escolhas toda a gente faz; e de altos e baixos ninguém está livre. Mas ora fava- há quem faça mesmo
 justiça ao dito "cada tiro, cada melro"- e pior:  ou não tem noção disso, ou até gosta de ostentar a desgraça.


 De facto existem pobres diabos realmente azarados, que parecem atrair mais "más fases" do que o resto dos mortais, certo - mas salvo casos muito pontuais (uma triste figura feita sem querer que é captada em directo para a TV e viraliza no youtube ou coisa semelhante)  todo o mundo tem algum controlo sobre aquilo que divulga. Ser o "Felisberto Desgraçado de serviço" é quase sempre uma questão de escolha. Ou uma questão de falta de dignidade, se preferirem...

 Dos aspirantes a famosos que se tornam "papa concursos" aos bloggers/vloggers que gostam de expor mais do que devem em modo Kim Kardashian, passando pelos 
 que vão para as redes sociais reclamar da vida,  contar os seus sucessivos falhanços profissionais ou relatar, tim tim por tim tim, os seus entusiasmos de alcova para dali a dias...zás, levarem o costumeiro  pontapé no dito cujo e andarem a lamentar, publicamente, a perfídia do sexo oposto, digam-me cá: não são estas vergonhas escusadas?




 Será necessário relatar cada passo que se dá, em vez de esperar e entregar as novidades boas quando já estão confirmadas-e as menos boas, quando de todo não se pode evitar e de forma discreta? Mais estranho ainda: quando o filme se repete, não ocorre a estas almas pensar "deixa-me estar caladinho(a), que já bastou o embaraço das outras vezes?".


Tem de haver aí um viciozinho, uma adrenalina que sobe com a atenção, com a compaixão, com a vergonha alheia. Isso associado, decerto, a demasiado tempo livre. Quando vejo estas coisas só imagino a Senhora minha avó a fazer facepalms e
 a benzer-se, ela para quem o pior martírio do mundo era a remota
 hipótese sequer de ser "falada" ou "posta ao jornal"...

Começo a achar que a falta de brio (ou de vergonha na cara) é como a morte e a estupidez: só afecta os que estão próximos. Ao próprio  tanto se lhe dá como se lhe deu...




  

Monday, August 21, 2017

Já o tetravô*** usava crista- os penteados "Império"




De há uns quinze anos a esta parte, os penteados cheios de gel para homem têm andado sempre na berra- uns aceitáveis, outros de um mau gosto atroz (olá, Carlões e Carlitos do tuning, do puxa ferro e das danças afro latinas!).



Dos estilos moicano ou gladiador às "poupas" tão do agrado dos jogadores da bola e seus seguidores, passando pelos looks mais longos mas igualmente "no ar" usados por celebridades como os meninos dos One Direction, sem falar nas versões que os hipsters se lembram de inventar, salvo seja, para acompanhar barbas e tatuagens (fora o "toutiço para homem" de que hoje não trataremos).



Gostos à parte, todos estes mancebos, ou quase todos, devem sentir-se muito à moda, muito trendy, muito avant-garde...sem pensar, ou sem se lembrarem, que esses visuais já andaram muitíssimo em voga há uma data de anos.



E responderão eles, indignados: mas quando, Sissi? Olhe que não estou a ver. O meu penteado não se parece com nada que eu tenha usado no liceu, nem com o cabelo comprido do meu pai nos anos 70, nem com a poupa à Elvis do avô nos anos 50, nem com as brilhantinas que se viam, em diversos estilos, nos anos 40, 30, 20, nem em 1900 e bolinha... está com os copos?

E diria o Cristiano Ronaldo: eu não sei, que eu não fui à escola, etc.

Pois é, cavalheiros, temos de recuar mais um bocadinho, um bom bocado para lá de 1900 e bolinha. Ou antes, para 1800 e bolinha.  Mais precisamente entre 1803 e 1821 (compreendendo o período da Regência em Inglaterra, entre 1811 e 1820, ou seja, a época em que os romances de Jane Austen foram publicados) quando o Estilo Império imperou, passe o pleonasmo.

Josefina Bonaparte

Este estilo - na arquitectura, decoração e moda (que rejeitava os visuais elaborados e as grandes cabeleiras pré-revolução francesa) era inspirado pelo gosto imponente de Napoleão Bonaparte e das mulheres da sua família, pela estética militar, pelas campanhas napoleónicas no Egipto e sobretudo, pela Antiguidade clássica.


Nos vestidos das senhoras, os decotes desceram, a cintura natural foi escondida e passou a situar-se logo abaixo do peito (o que pareceu aos contemporâneos tão disparatado como a mim me parece hoje - mas isso é assunto para explorar noutro post) e passaram a usar-se tecidos finos, as saias mais estreitas e justas ao corpo...atrevimentos que escandalizavam os mais conservadores.


Quanto às melenas, perderam comprimento e volume, sendo apanhadas "à grega" ou mesmo cortadas "à Tito" ou "à la victime" (imitando o corte atabalhoado que o carrasco fazia às vítimas do Terror antes de as pôr na guilhotina). E as feministas em 2017 acham-se muito subversivas por escortanharem o cabelo, não é? Ná, minhas meninas, já foi tudo inventado...


Por sua vez, os homens passaram a usar, basicamente, tudo o que usava o socialite Beau Brummel, pioneiro do dandismo (figura tão responsável por simplificar e modernizar o vestuário masculino como Coco Chanel o seria mais tarde em relação à roupa feminina).


 Grandes gravatas, calças compridas em detrimento de culottes (salvo em situações formais) polainas e fatos mais semelhantes aos que vemos actualmente.


E os cabelos, se já não andavam longos pelos ombros abaixo nem empoados, não eram por isso menos espectaculares nem trabalhosos: à falta de gel, usava-se pomada ou óleo à base de gordura de urso perfumada com essências para esculpir as madeixas e dar o efeito "despenteado".


Aproveitando a textura natural do cabelo, havia quem destacasse ondas e caracóis ou quem fizesse poupas e cristas.


Repare-se como muitos destes penteados à Tito, à César e à Brutus podiam figurar num qualquer editorial de moda dos nossos dias:












É claro que alguns cabeleireiros sabem disso, chamando os penteados actuais, inspirados nestes, por "Regency Hairstyle"...mas acredito que à maioria, nem lhe passará pela cabeça que usa na dita cuja um look copiado de um Bonaparte, de um Mr. Darcy ou de uma personagem de "A Fogueira das vaidades"....


***tetravô à falta de palavra mais adequada, porque escrever "quinto ou sexto avô" não cabia no título...

Thursday, August 10, 2017

As portuguesas serão sofisticadas?

Milu

Reparei que um inocente texto do DN acerca de uma marca brasileira de cosmética gerou acesa discussão no Facebook - tudo porque a representante da marca disse que considera as portuguesas sofisticadas. O seu comentário dá que pensar:

" É uma beleza talvez um pouco mais natural, mas não é por isso que não é beleza. Não é aquele hair brushing como as americanas têm ou aquela pele perfeita e maquilhada das europeias do norte, é uma beleza mais espontânea e tem muito chame. As mulheres aqui têm muito charme, eu fico babando. Porque é muito fluida a maneira de se vestirem. Discreta, mas com alguma coisa muito transparente, que nos encanta. É muito feminino e nós mulheres temos que assumir a nossa feminilidade. E a portuguesa, eu acho, consegue assumir a feminilidade de forma natural. Não é para seduzir alguém, porque a brasileira às vezes quer seduzir, está sempre nesse jogo de sedução. Eu acho que as mulheres mais sofisticadas, em termos de gosto, são portuguesas".


É curioso que Pierre Balmain, quando visitou o Estoril em 1959, teve acerca da mulher portuguesa uma opinião semelhante: gabou-lhe a figura esbelta, que mantinha mesmo depois de ser mãe, o apurado gosto, o perfeccionismo e a elegância discreta, sempre associados a um sentido da economia que não a deixava cair em extravagâncias. Também Beatriz Costa notava essa parcimónia, quando levava as suas amigas portuguesas às compras em Paris.


Laura Alves


Voltemos ao artigo do DN: claro que houve logo quem dissesse que sim senhor e quem apontasse o desleixo das mulheres lusas ou o seu desequilíbrio: tanto se desmazela e se deixa engordar como se enche de leggings, de tacões, de extensões...isto quando não faz as duas coisas ao mesmo tempo.

 Eu darei um pouco de razão a uns e a outros, até porque já apontei os vícios de estilo das portuguesas aqui.

A portuguesa não será a mais glamourosa, ou a mais cuidada das mulheres. Mesmo nestes tempos de maquilhagem excessiva "do Instagram para a rua" continuo a achar que a lusitana, para o bem e para o mal, se pinta menos do que a espanhola ou a inglesa. Das espanholas também lhe falta uma certa raça e salero e o gosto pelos acessórios. Não possui o chic sem esforço da francesa nem a obsessão pela bella figura da italiana ou a feminilidade voluptuosa das russas e afins. Depois, decerto não terá o "dengue", a feminilidade exacerbada da brasileira, que roça tantas vezes o vulgar.



Raquel Prates


De resto, quanto à sofisticação ou elegância, tenho acerca dos portugueses, independentemente do sexo e enquanto povo, a mesma opinião que tenho dos nossos irmãos brasileiros: não têm meio termo! Talvez isso se relacione com a velha ausência de uma classe média forte nos dois países, não sei. O certo é que portugueses e brasileiros, se são elegantes, requintados,  altivos e de belo porte, são-no muitíssimo! Mas quando são rústicos são uns brutamontes, e esses são infelizmente a maioria.


Natália Correia


E isso cai como uma luva nas mulheres: uma só socialite da velha guarda portuguesa ou brasileira (dessas com porte racé e todos os pergaminhos que pouco aparecem nas revistas) vale por uma data de it girls. Isto sem falar nas vedetas de antanho como Milu, Amália ou Laura Alves. A portuguesa, como a brasileira,  não tem área cinzenta: se é elegante, é elegantérrima.


Vicky Fernandes



Mas quando não é..

Daí a imagem da portuguesa descuidada ou da brasileira ordinareca.

Deixemos porém as brasileiras com os seus problemas, e voltemos à Pátria. A portuguesa elegante, aprumada,  possui realmente os atributos citados pelo DN e por Pierre Balmain. Não só consegue a proeza de caminhar na calçada de saltos altos sem se queixar (super poder que já abordei em detalhe aqui) como ainda mantém o atributo da singeleza e simplicidade, que é quase em si mesmo um sinónimo de elegância.



 É feminina, mas não faz por isso; mais do que tudo, é graciosa. E se possui beleza adicionada a essa elegância, melhor ainda (porque beleza e elegância nem sempre andam juntas). É certo que já ouvi portugueses e estrangeiros queixarem-se que as portuguesas andam cada vez mais ríspidas, que são antipáticas e que não fazem por agradar nem se esmeram na vaidade, mas as que não são assim, as mais tradicionais, mais sossegadas e que não dizem palavrões nem fazem o culto da mulher refilona "quem não gosta não olha", não ficam a dever nada às russas, consideradas o epíteto da feminilidade.

Num oceano de belezas artificiais, esforçando-se em demasia, ainda se vê na mulher portuguesa - ou em certas mulheres portuguesas-  uma ausência de afectação, uma transparência, uma recusa do excesso e da novidade, uma inocência e uma timidez (fruto da nossa herança Católica?) que são, sim, sofisticadas. Mesmo com ausência de arrebiques- ou talvez por isso mesmo...




Wednesday, August 9, 2017

Temos de falar sobre estes correctores e este blush. MESMO.


Como sabem eu costumo ter uma certa preguiça de falar em cosméticos, por isso só escrevo alguma coisa sobre isso quando descubro um produto milagreiro. Pois bem, desta feita são dois! Ou antes, três.

As nossas necessidades de maquilhagem evoluem connosco. Neste caso, eu nunca tinha dado grande importância ao corrector. Tive sempre vários correctores e iluminadores (líquidos, em stick e em creme, de marcas profissionais ou luxuosas e das mais acessíveis) mas era algo básico e elementar a que não dava aquela importância- e até era capaz de passar sem isso, principalmente quando usava uma base com maior cobertura.

A situação mudou quando comecei a ter horários estranhos (e.g., levantar às quatro da matina várias vezes por semana) e mais responsabilidades em casa. Mesmo tentando compensar o sono, às vezes fica-se com um ar cansado e não há cremes que valham. 

Foi então que comecei a demanda pelo corrector perfeito

Foi preciso testar muitos, investir nuns quantos (incluindo Chanel e Elizabeth Arden) mas a busca só terminou com duas maravilhas da Benefit: o Boi-ing e o Fake up!


Ambos fazem o truque de nos deixar com um ar fresquíssimo e relaxadíssimo, mas sobre o primeiro não me vou alongar: o Boi-ing é um corrector em creme com uma cobertura excelente ("industrial", diz a marca) e que se mantém o dia todo, além de ser confortável de usar. Tudo dito.



Já o Fake up! é um corrector em stick metade pigmento, metade creme de olhos carregadinho de Vitamina E, que é um prodígio. Apesar de ter uma cobertura *supostamente* leve, esconde tudo (olheiras, olhos papudos, manchinhas...) ilumina a zona e eu poderia jurar que não só disfarça os olhos cansados, mas trata mesmo a pele. 

De qualquer modo, é a coisa mais agradável que já experimentei no contorno dos olhos. Não repuxa, espalha-se lindamente sem precisar de grandes mexidelas nessa área tão sensível (e já vos contei como sou ultra cuidadosa com isso, porque acho O FIM ver mulheres com pés de galinha antes do tempo) e dá boa cara em dois segundos.

 Maravilhoso, maravilhoso, maravilhoso, chic a valer - vale cada cêntimo.



Devo dizer que foi uma surpresa para mim, porque tenho uma relação on/off com a Benefit- por vezes é um pouco overrated: alguns dos seus produtos valem pela inovação e pela embalagem bonitinha, mas não são assim tão extraordinários que justifiquem o preço.

 No entanto (também, isto acontece na maioria das marcas...) quando fazem um produto bom, é realmente bom.

Infelizmente, ao que parece em Portugal não está disponível em cada esquina, mas encontra-se na Sephora ou na Fapex...e prometo que vale a pena ir lá de propósito ou encomendar.


Agora, sobre o blush Sleek: não vou falar de um blush específico desta marca, porque tenho vários - e até já me desfiz de alguns com pena, porque não eram a cor certa para mim...mas AQUELA TEXTURA!!! 

Já por aqui comentei várias vezes que sou esquisita com o blush, mas os da Sleek nunca falham e, sendo uma marca bastante acessível, acho-os superiores a outros mais luxuosos, mesmo os célebres Nars. É que são o equilíbrio perfeito entre pigmentação e transparência e dão um ligeiríssimo brilho de maçãzinha rosada às faces que não encontro em nenhum outro, além de terem cores lindas.

 De resto, a Sleek tem vários produtos interessantes com óptima relação qualidade-preço,mas se tivesse de escolher o seu porta estandarte, seria o blush de certeza. Experimentem um num tom alaranjado ou rosa claro e digam-me.

E pronto, está a recomendação feita porque eu não gosto de guardar os achados só para mim. Happy shopping!

Wednesday, August 2, 2017

Despacito, Shape of you...e por aí fora.


Acho que neste momento podemos dividir o planeta entre as pessoas que ouvem o Despacito e pensam "que raio- a canção nem é feia mas não tem nada de memorável,nem fica tanto no ouvido como isso; é uma espanholice igual a tantas outras. Por que carga de diabos é que faz um sucesso destes?"... e a malta dos estúdios de dança suspeitos que se derrete com a letra caliente e a coreografia toda Dirty Dancing, mais o ritmo estupendo para roçar fivelas com o engate da semana.


Não sei se isto é dança, se é luta livre, se é uma coisa que agora não digo...



 Deve ser uma rebaldaria por essas pistas de dança da província, deve - com o Despacito  e com a Bicicleta da Shakira (que dessa nem desgosto, mas só de imaginar o cenário escabroso perde a piada toda).

(Isto sem contar com os wannabe kizombeiros cá do Reino Unido, que nem percebem nada da letra mas acham piada por ser em espanhol, ter o Justin Bieber e cheirar a férias bem regadas em Ibiza ou em Albufeira).


Quanto à Shape of You, devo dizer que adorava a música, que faz realmente saltar o pé. Costumava pô-la a tocar cá por casa enquanto dava conta das minhas tarefas ou fazia exercício. A Lua de Mel acabou quando notei que uma alma que conheço de vista, que tem um ar do mais vulgar que pode haver, tratou de fazer uma dedicatória às "migas" com a cantiguinha, lembrando como arrasam em grupo a saracotear-se quando "Shape of You" passa nos bares.


 Pimba, ficou-me logo a música mal associada. Com aqueles versos atrevidotes também era de esperar, eu é que ainda caio na asneira de pensar "lá por uma música agradar a gregos e troianos, não quer dizer batatas".

Agora, querem apostar que com a nova do Calvin Harris se vai passar exactamente o mesmo?



 O moço decidiu arreliar a ex, Taylor Swift, convidando a sua frenemy Katy Perry (outra maluca) para dar voz ao novo hit em que ela e Pharrell Williams cantam sobre sedução . E acho a canção muito engraçada,  apesar de me irritar que encurtem "feelings" para "feels" (na cauda da modinha enervante que dita agora reduzir tudo: dizer "totes" em vez de "totally", ou a versão inglesa de chamar "môr" em vez de "amor" - ou seja, "bae" ou "boo" em vez de "baby", assim à ghetto mesmo).

Juntemos tudo: o ritmo contagiante, a letra do estilo dá cá um beijinho e as abreviaturas trendy, e está a receita pronta para o seigaitedo aderir em massa e estragar tudo. Vou ouvir enquanto essa tropa não dá por ela. Quando derem por isso, já me cansei. Às vezes gostava de não ser tão sensível, a sério.



Monday, July 31, 2017

Um ginásio politicamente correcto?



Eu não sou propriamente fã de ginásios, tenho-o dito mil vezes. Só lá vou se de todo não puder treinar em casa com os devidos tutoriais e maquinetas- diga-se em abono da verdade que para fazer pilates, corrida (running, jamais!) bicicleta, saltar à corda e levantar uns pesos moderados não é preciso grande ciência. E também já sabem que embirro tanto quanto é possível com os Carlões e as Priscillas Popozudas, bimbus ginasticus maximus que fazem dos health clubs deste planeta (uns piores do que outros) o seu habitat.

Mas tudo tem limites. E para todos os efeitos, apesar dos exageros e de certos atentados à decência e à elegância que se verificam em alguns destes lugares, é preferível haver uma cultura do fitness a uma cultura da relaxaria.


 Antes uma cultura do esforço, da estética, da saúde e da superação pessoal do que essas maluquices do "body positivity". É muito lindo que as pessoas gostem delas mesmas como são, que se aceitem, e que trabalhem para estarem no seu melhor dentro do tipo físico que Deus lhes deu e não se matem porque não podem ser uma Alessandra Ambrosio quando nasceram mais para Christina Hendricks.

Acho óptimo que haja diversidade porque a Natureza, muito sabiamente, criou belezas de vários tamanhos e feitios. Mas daí a promover-se "gordura é formosura" e a pregar o culto à preguiça, à gulodice e ao vitimismo vai um passo muito grande. E o que se tem passado é que quem não encaixa nos padrões quer por força que os padrões se encaixem em si. É o completo "venha a nós".

É o comuni...comun (cof, cof) comuni... (Credo, aqui vai!) comunismo da beleza. Nivelar tudo por baixo para que ninguém se sinta mal, mesmo quem esteja mal unicamente por má escolha (e lambarice e preguicite) sua. Adiante...



O Planet Fitness, uma cadeia americana de ginásios (que só por acaso patrocinou o concurso "Biggest Loser", onde os gordinhos iam para emagrecer) decidiu ocupar um nicho de mercado e criar um modelo mais inclusivo e amigável para quem quer ir ao ginásio, mas tem vergonha por não corresponder ao perfil habitual de um atleta -  ou seja, os rechonchudos, os avozinhos, os gorduchos, os molengões e os lingrinhas- e para quem se exercita ocasionalmente (vejam os anúncios abaixo, que explicam tudo).





Até aí, nada de mal no modelo...é preciso começar por algum lado e se um ambiente "seguro" é a peça que falta, força!

Assim, o franchising - que tem um enorme sucesso - abriu em cada esquina um health club com máquinas mais básicas, de modo a que esse público não se sinta julgado nem intimidado pelas proezas dos Schwarzeneggers de serviço.

Nada de nocivo nisso- uma empresa tem direito ao seu posicionamento e se isso lhe traz sucesso, óptimo.



O problema é que, embora limitar a capacidade dos pesos e o tipo de modalidades fosse suficiente para definir o público- alvo e afastar outros atletas (das modelos e desportistas de alta competição aos bodybuilders sem esquecer os Carlões e as Priscilas, todos eles necessitados de equipamento e acompanhamento mais complexo) o Planet Fitness decidiu que, para não ofender nem discriminar os ofendidos e discriminados do costume, tinha de ofender e discriminar os "bonitões e fortões" do costume.



Assim, criou uma política de retaliação: se alguém levanta uma quantidade de pesos mais impressionante, ou grunhe tipo Maria Sharapova quando faz força depois de um agachamento, ou pousa os pesos com força quando acaba, sei lá, uma série de supino, o ginásio faz soar uma sirene horrorosa, de deixar uma pessoa surda, a que chama (em tradução livre) o alarme anti Carlões.


Não contente com isso, é mesmo capaz de escoltar o autor da proeza para fora do ginásio e
cancelar-lhe a inscrição, envolvendo a polícia se for preciso. Uma frequentadora (que nada tinha de Sheila levantadeira de pesos, vide abaixo) foi mesmo convidada a sair porque o seu corpo "demasiado tonificado" estava a intimidar os outros clientes



Estarei maluquinha ou o objectivo de um ginásio é tonificar o corpo das pessoas, sejam bodybuilders ou gente comum?

De resto, o Planet Fitness tem andado nas bocas do mundo por aderir a todas as politiquices politicamente correctas estilo Social Justice Warrior: aqui há tempos expulsou uma senhora que se queixou por um homem vestido de mulher ter entrado no balneário feminino e incomodado quem lá estava a mudar de roupa. É que o homem, que era tanto transexual como eu fui ao fim do mundo, aproveitou as políticas de apoio aos transgéneros que têm dado muitas complicações (já que não se restringem a quem mudou mesmo de sexo e querem incluir quem é de "género fluido" ou seja, num dia identifica-se com um sexo, no outro com outro, o que além de ser confuso que chegue ainda atrai todo o tipo de farsantes que só querem espiar mulheres nuas). Se era para agradarem a todos podiam criar um terceiro balneário, digo eu, neutro. Mas parecem determinados a escandalizar e dar nas vistas.



Em resumo, querendo ser muito bonzinhos acabam por ser piores que os bullies do liceu. Tenho para mim que isto de body positivity, feminismo e ideias super liberais é tudo gente recalcada, que não superou os complexos de adolescência, que exige aprovação para tudo quanto é asneira e desleixo, que ambiciona nivelar tudo por baixo e ainda aproveita para se vingar das pessoas que secretamente inveja - ou não nascesse tudo isto de teorias socialistas...

 É um pensamento super mesquinho e que não devia ter lugar quando a ideia (que em teoria não é má) é promover uma sociedade em que todos se respeitem e deixem de ser cruéis uns com os outros. Pagar maldades com maldades é muito feio, foi o que sempre me ensinaram. Mas isso é uma máxima judaico-cristã que casa mal com essas "modernices progressistas".

Para eu saltar em defesa dos Carlões a coisa tem de estar MESMO preta.


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