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Tuesday, April 10, 2012

Karma Police?





"Não acuse a natureza, ela fez a parte que lhe cabia. Agora, faça a sua."


John Milton

  
What goes around comes around, karma´s a bitch, cá se fazem, cá se pagam, quem vive pela espada morre pela espada, quem com ferros mata com ferros morre, etc. Hoje enviaram-me esta imagem curiosa e comecei a pensar com os meus botões.
O conceito de Karma (que pressupõe que toda e qualquer acção tem uma reacção, independentemente das circunstâncias ou intenções) foi-nos "emprestado" pelas filosofias orientais, mas a ideia de retribuição divina, Ira Justa ou justiça poética é comum a várias culturas e credos. Pessoalmente, sigo a natureza: e a natureza busca sempre o equilíbrio. Quando a harmonia é ameaçada, as forças naturais procuram reavê-la, nem que seja por meios violentos. Por outro lado, acredito profundamente na inteligência e omnisciência da divindade: não me parece que Deus seja um computador que se limita a registar imparcialmente o que acontece para cobrar mais tarde, sem se importar com os motivos. O Todo Poderoso Criador há-de ser um bocadinho mais complexo do que isso. 
Isto para dizer que em karma, karma mesmo, daquele que diz se não fores um Buda reencarnas em barata não acredito lá muito, até porque quem não se defende não precisa de mau karma para ser um infeliz.
 Uma pessoa fraca, cobarde, que se deixa pisar, está a cooperar com o opressor: ou aprende a gostar de si mesma ou é bem feito que leve sopapos até acordar.

 Já na Justiça Divina, creio sem pestanejar.
Vejamos:vocês  vão a passar na rua e vêem um facínora a raptar uma rapariga. Não há mais ninguém por perto e, sorte das sortes, trazem convosco um spray pimenta e um grande guarda chuva - o que vos dá a hipótese de o tirar do caminho, salvar a  vítima e pedir ajuda.
Pela lógica do karma, se derem uma traulitada no malfeitor, vão atrair um castigo. Mas pela lógica da justiça divina, não prestar socorro é mais grave do que ferir um tipo que assim como assim, não faz falta ao mundo. Se como consequência da vossa acção o bandido for preso e julgado, talvez vocês fossem o instrumento da justiça divina. Who Knows? 

 Dito isto, eu não acredito no karma cego e impessoal. São os padrões de comportamento, o cozinhar deliberado e constante de maldades e esquemas para prejudicar o próximo, a insensibilidade e falta de empatia que descompensam o curso do destino. E quando um dos pratos da balança pende demasiado, a Roda da Fortuna começa a girar. É nessa altura que
os Deuses, para quem acredita neles, dizem algo do género "meu filho, estás a abusar" e empurram os dominós para restabelecer o equilíbrio. A natureza é sábia. E por vezes escolhe instrumentos curiosos para se despachar mais rápido. Afinal, justiça tardia é injustiça, já dizia o outro.

6 comments:

Just José said...

"Uma pessoa fraca, cobarde, que se deixa pisar, está a cooperar com o opressor: ou aprende a gostar de si mesma ou é bem feito que leve sopapos até acordar."

Gostei! É isso mesmo! Mas pouco cristão... eheh

Querida Jessi, desculpa lá mas que grande salganhada! Tu que tens tão bom gosto nas roupas deixa-me dizer-te que já no que diz respeito às tuas ideias físicas e metafísicas vai para aqui uma grande "salganhada" e umas coisas não condizem com as outras. :P

Deus Todo Poderoso Criador, computador, Karma, Justiça Divina, Roda da Fortuna, - ai que muçulmana a menina está hoje eheh - enfim, não podes simplificar isso?

É que não vejo justiça divina nenhuma num mundo de novo-riquismo e labreguice, em que 99% dos que roubaram o estado português, está muito bem de vida! Olha os que meteram ao bolso os cerca de 4 mil milhões de euros do BPN por exemplo!

E que deus todo poderoso criador é esse, Jessi? O dos cristãos? O dos muçulmanos? Ou é uma crença muito pessoal tua? Nesse caso poderei dizer que é uma invenção tua? O teu amigo imaginário, certo? Mas dizes que há e depois fazes o que achas que deves fazer! Então se ele controla tudo, quem faz és tu ou ele? E cuidado com a história do instrumento da justiça divina, não comeces a cortar cabeças das labregas que dizem mal de ti! ahahah

Quando te libertares de toda essa tralha mental e limpares as prateleiras vais sentir-te um pouco mais livre.

Realismo cruel final: claro que é uma liberdade ilusória pois todos somos levados na corrente do Devir... ;)

Imperatriz Sissi said...

Obrigada por considerar que tenho bom gosto ;). Isso do "pouco cristão" é relativo. Nas Cruzadas os Cristãos não deram a outra face enquanto os "turcos" massacravam os peregrinos da Terra Santa. D.Afonso Henriques era bom cristão e não me consta que se deixasse pisar. E quando Jesus expulsou os vendilhões do templo, não pediu educadamente, etc...Não é uma questão religiosa, é uma questão de auto estima. Para não falar que as ideias politicamente correctas deste século amoleceram as pessoas para o lado errado.
Meu caro, parece-me que a confusão vai para esse lado, embora seja menos colorida do que a minha. O "Deus Todo Poderoso" dos cristãos, muçulmanos e judeus é o mesmo, os mensageiros e as leis é que diferem. Qualquer sacerdote to dirá e não vale a pena esmiuçar isso. Já a ideia de um "Criador Supremo" acima dos Deuses arquetípicos, surge em diferentes religiões politeístas, pagãs, por aí fora. Na própria Bíblia farta-se de aparecer " Deus reina sobre os Deuses" etc. Podemos gastar tempo e latim a discutir por que motivo escreveram isso, com que significado...mas que lá está é um facto. De invenção - pelo menos minha - não tem rigorosamente nada. Relativamente à Roda da Fortuna, usei o termo como podia ter falado na lâmpada mágica. É uma imagem comum em diferentes culturas.
Quanto ao karma no sentido literal, empreguei-o para fazer uma comparação. Tal como digo no texto, não acredito nele.
Quer-me parecer que não sou a única com imaginação por aqui. Se Deus (qualquer um) usasse só meios "cósmicos e fenomenais" para actuar, então não havia ateus. Vocês dizem que não acreditam, nem querem, mas depois estão sempre à espera de milagres e fogo de artifício. Deus, ou a magia, ou qualquer força invisível, só é espectacular quando precisa de o ser. Na maioria das vezes age através de nós, ou através daquilo que chamamos coincidência. Fazes-me lembrar aquela história do náufrago que estava no mar, a gritar ajuda-me, Meu Deus". E apareceu-lhe um tronco. O homem agarra-o e continua a gritar " ajuda-me, Senhor, eu tenho fé" e aparece um barco. Os tripulantes dizem " suba, amigo" e ele responde "não, eu tenho fé que Deus me vai salvar". Mais adiante aparece um helicóptero que lhe lança uma escada. E ele recusa a ajuda de novo. Dali a nada afunda-se e morre afogado. Vai para o Céu e põe-se a acusar Deus:"toda a vida fui bom e tive fé em Ti - porque não me salvaste?". Deus levanta-se e diz " Estás a gozar comigo??? Eu mandei-te um barco e um helicóptero!".
Estamos de acordo quanto ao novo riquismo e labreguice, mas a verdade é que não vemos o que se passa em casa das pessoas para saber exactamente se estão a ser castigadas. No caso do BPN, alguns se ainda não foram castigados para lá caminham; no entretanto, a vergonhaça e as ânsias em que já devem estar não são nada agradáveis.

Imperatriz Sissi said...

Cortar cabeças era antigamente, quando os valores eram outros. De qualquer modo a maioria dos vilões nem vale o esforço de levantar a espada! Lá está, a Justiça Divina actua através das pessoas. Por coincidência, ou através de intervenientes que caem no caso de pára-quedas, ou por asneira do próprio, nada fica sem recompensa. Ou restringindo-nos ao secular, quem é mau arranja tantas embrulhadas que alguma acaba por correr mal e ser a morte do artista. Não existe crime perfeito ou como dizia a minha querida avó " a verdade anda sempre ao cimo da água". Wait and see.
O termo "tralha mental" é um tanto ofensivo e inadequado, logo para mim que tenho uma abordagem tão livre e aberta destas coisas. Não percebo esse estado de birra e proselitismo invertido. Quem quer acreditar muito bem, quem não quer acreditar fique na sua e deixe os outros. Acho que quem está em paz com a sua opção espiritual (ou não) não tem necessidade de dar conselhos. Tenho uma casa eclética, mas arrumada e bem confortável, thank you very much. Quem quiser andar numa de rebelde sem causa, desde que esteja contente com isso e não chateie, está à vontade :D

Just José said...

Eheh comecemos pelo fim mas antes de mais trata-me por tu, se não te importares, ok? :)

Ahah rebelde sem causa é giro, tenho de arranjar uma mota (já tive, a primeira até a comprei em Coimbra eheh)

Então quanto à expressão "tralha", desculpa, não pretendia ser ofensivo, estava só a inspirar-me num post teu em que falas do teu closet e dizes

"Nos casos piores, uma pessoa acaba a usar sempre o mesmo núcleo de peças quando tem os armários a transbordar de tralha que já não sabe o que é." ;)

E eu acho que nas nossas cabeças também é um pouco assim, temos muita coisa mas usamos sempre as mesmas ideias...

Mas olha, tu gostas de tipos com espírito de missão e eu tenho esta minha costela de missionário... ficou com certeza dos meus tempos de católico! ahah Por isso é como se te visse quase à beira da "Verdade"... acho que só precisas mesmo de um empurrãozinho! Claro que há para aí católicas que nem vale a pena aproximar é para esquecer! E há ateias muito politicamente corretas, que são intragáveis.

Pelo que me apercebi tu és uma teísta pagã com uns toques de catolicismo e de algum (muito) satanismo... talvez tenhas tido uma fase satânica, quem sabe eheh

Dizes "Para não falar que as ideias politicamente correctas deste século amoleceram as pessoas para o lado errado."

VOILÁ!

Esta é a resposta à tua grande questão: porque é que eu implico com o cristianismo?

Porque ele é a causa do amolecimento - chamo-lhe DECADÊNCIA - do Ocidente! O cristianismo com a sua compaixão pelos fraquinhos e a sua tolerãncia... pela sua postura anti-corpo acabou por ser o responsável moral pela criação de aberrações soiais e sexuais. O laissez faire, laissez passer levou a um caos moral á sombra da igreja católica.

E agora temos os muçulmaos fortes, coerentes, cheio de certezas e com a sua vida social bem estruturada, à nossa porta!

Quanto ao mais, essas pessoas do BPN, os que se safaram não têm vergonha nenhuma, achas?! Devem estar ótimos, a rir-se e com as contas nos offshores bem recheadas!

Não há karam nenhum nem justiça divina porque não há deus nem pai natal.

Já agora, quando escrevi "ai que muçulmana a menina está hoje" era para colocar a seguir a "justiça divina" e não "roda da fortuna". Isto porque os muçulmanos é têm sido masi agressivos com essa história da justiça de alá contra os infiéis. :P

Quanto ao mais, achas que o D.Afonso Henriques era bom cristão?! Podia ser bom guerreiro mas bom cristão era o S.Francisco de Assis e todos os santinhos!

Poruqe Jesus (se existiu) era muito anos sessenta: peace and love, amai-vos uns aos outros! :P

Eu acredito numa Força a que chamo Will to Improve e que materializo na minha "Bright Star of Beauty", um poema.
Atenção, essa força não é sobrenatural é natural, tal como a força da gravidade. E faz correr o Devir na direção da evolução... mais e melhor...

Beijinhos do rebel with a cause

May the Will to Improve be strong in you ;)

Imperatriz Sissi said...

Ora aí está uma maneira original de me definir, sim senhor. Como diria o Dorian Gray na "Liga de Cavalheiros extraordinários", I´m complicated.
No entanto, nunca passei pela "fase satânica". O satanismo é redutor, preto no branco, com uma certa rebeldia gratuita - e a própria figura do "Diabo" Cristão é muito menos bidimensional do que parece à primeira vista, logo a ideia de um "antagonista" nunca poderia combinar comigo. Até porque não tinha razões de queixa para me revoltar contra o Criador... Movo-me mais em território cinzento, porque assim é a natureza. A filosofia do La Vey, no entanto, é interessantíssima. E há o lindíssimo poema de Baudelaire...mas o "Hino a Pã" continua insuperável para mim.
Vamos lá ver: então embirras com o cristianismo actual, que está de pés e mãos atados. No entanto, também embirras com o cristianismo "forte, cheio de certezas" por causa da Inquisição e etc...
Quanto ao castigo dos meninos do BPN, veremos a quem o tempo dá razão. Crenças à parte, algo está a mudar na sociedade e acredito que alguma lhes vai acontecer. Chama-lhe um palpite...olha o Robespierre! Não perdeu pela demora- Justiça poética.
D. Afonso Henriques era bom cristão de acordo com a sua condição e o seu tempo. Fazia o que era esperado de um soberano cristão, de um guerreiro e de um homem de fé. E ainda bem que o fez - não me dava jeito nenhum usar véu, já é um sacrifício usar chapeús e bandelettes e tenho-os tão bonitos!

Não podemos medir estas coisas de acordo com valores actuais, que são completamente diferentes. S.Francisco de Assis não se limitava a ser bom cristão- era um religioso e ainda por cima, santo. Há uma diferença entre ser bom e ser extraordinário.
Balduíno, o "Pequeno Rei Leproso" das Cruzadas, era ainda melhor cristão, a raiar a santidade, mas também era um guerreiro. Tal como S.Jorge, S.Sebastião, Sto. Expedito, Santa Joana D ´Arc e outros.
Claro que Jesus existiu. Há quem ponha em causa a divindade, agora negar a existência histórica já é querer acreditar no Pai Natal. Não O vejo como um simples hippy, but to each its own...
De qualquer das formas, que a Força esteja contigo! Beijinhos. :D

Just José said...

Querida Jessi, não te esqueças de que não há provas arqueológicas da existência de Jesus e se há quem diga que houve um Jesus mas que todas as histórias foram inventadas, há quem afirme que não há provas de que tenha sequer havido um Jesus e que "Jesus" está para o cristianismo como o "Uncle Sam" está para os EUA:

"In the Jesus: Fact or Fiction? debate between Robert M. Price and Rev. John Rankin, Price states "there are four senses in which Jesus Christ may be said to be a 'fiction:'"
1."the central figure of the gospels is not based on any historical individual", i.e. the Gospel is little more than "a synthetic construct of theologians, a symbolic 'Uncle Sam' figure."
2."the "historical Jesus" reconstructed by New Testament scholars is always a reflection of the individual scholars who reconstruct him" to the point that "even if there was a historical Jesus lying back of the gospel Christ, he can never be recovered. If there ever was a historical Jesus, there isn't one any more."
3."Jesus as the personal savior, with whom people claim, as I used to, to have a 'personal relationship' is in the nature of the case a fiction, essentially a psychological projection, an 'imaginary playmate.'"
4."Christ is a fiction in that Christ functions, in an unnoticed and equivocal way, as shorthand for a vast system of beliefs and institutions on whose behalf he is invoked."

Tirado de http://en.wikipedia.org/wiki/Christ_myth_theory

Olha lá, quando vais visitar e comentar os meus "posts" de domingo? A capela Rothko... Lá não há tralhas eheh.
É o vazio e a Força. Clean. Calm. Black. Stars. Beauty. Silence. Music. Grandeur.
No gods, no bullshit, just the Unknown, sem invenções humanas. :).

Beijinhos :D
(e gosto mais assim a tratares-me por tu, de facto acho que já gastámos linhas suficientes para ser tu cá, tu lá ou melhor eu cá - Lisboa - e tu lá - Coimbra!)

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