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Sunday, May 27, 2012

Ode a um banana

Hans Matheson
Este post gerou uma série de reacções e conversas privadas, de ditos estilo "sua anti feminista!" a manifestações de apreço. E pus-me a pensar com os meus botões, a meditar nos textos que tenho escrito à volta dessa temática: o papel do homem e da mulher nos dias que correm, os desafios que os dois géneros enfrentam, o que se espera actualmente de um homem e de uma mulher, o papel tradicional de cada um e de que forma esse se entrelaça na dinâmica actual dos eternos jogos de poder entre os sexos. 
 Não convém que a equação os homens são de Marte, as mulheres de Vénus venha a ser  decifrada por completo- isso seria quebrar o mistério e o encanto. No entanto, com tantas mudanças, e a banalização de alguns dos comportamentos que aqui têm sido tratados, não se sabe bem para que lado está Marte, nem quem realmente é de Vénus. 
Porque aquilo que se quer é honestidade, firmeza e sinceridade - de parte a parte. As mulheres que não prometam ligeireza quando querem coisas sérias, eles que não enrolem nem prometam mundos e fundos se o que lhes apetece é esvoaçar por aí. 
 Tudo aquilo que muitas vezes é apontado como "defeito" no sexo oposto não é uma falha, é falta de jogo de cintura. De compreensão. E de sentido prático. O resultado de muitos anos a jogar com os pontos fracos uns dos outros. E no caso das mulheres, das "mulheres que lutam", que competem abertamente, que se matam e esfolam para obter de forma egoísta e obcecada aquilo que julgam ser o amor de fulano ou beltrano, o que lhes falta é uma educação para a auto estima, para o amor próprio.
   Um homem feito que se comporta como se fosse um bilhete premiado do Euromilhões, que se deixa disputar, que entra em circos e se sente feliz com isso, merece um bilhete só de ida para a creche. Claro que há que reparar no tipo de mulheres que concorrem pela honra da sua presença - e se forem de ar duvidoso, teremos um rápido cálculo da sua "cotação no mercado", o que por sua vez nos dará uma ideia clara do valor da preciosidade. Na maioria dos casos, se está deslumbrado pela atenção de "senhoras" pouco dignas de admiração, a coisa está preta para ele.  Tudo ilusão, que cada um se auto promove como pode e alguns gostam de fazer de James Bond nem que o orçamento para Bond Girls seja paupérrimo. E vai uma mulher enervar-se com isso, ou juntar-se a tais elencos? Não creio que valha a pena. Adeus, cresce e aparece, um dia em que te faças homem pode ser que eu cá esteja, ou não.
 Este foi o ponto de vista em que fui educada, nunca tive outro. Graças a ele, pude observar esses espécimes sem me aproximar muito. Mas como até o mais intrépido explorador corre o risco de se deixar influenciar pelos selvagens que estuda, não me livrei de ver de perto um ou dois exemplares do homem-que-é-banana-e-gosta-de-o ser: fraco, influenciável, inseguro, que adora rodear-se de atenção venha ela de onde vier, o homem não - me - responsabilizo, incapaz de ser claro, de se explicar preto no branco e de ter uma palavra só, que adora que decidam por ele, com um ego frágil a precisar de constantes massagens, indeciso de todo, um dia é do Benfica e noutro do Sporting, desleal mas a exigir uma lealdade a toda a prova - e se lhe pagam na mesma moeda, aqui D´el Rei que esta mulher é o diabo, sua má, sua bruxa, sua falsa e sua judas! A culpa é tua, tu é que estragaste tudo!
Uma pessoa só pode rir destas coisas e em tempos, compus uma cantiga de escárnio e mal dizer a propósito de alguém assim (com as pessoas que tenho conhecido, não preciso de imaginação...). É impressionante como continua actual, a julgar pelas estórias que tenho visto e ouvido. 



Para Páris, ou o seu homónimo

Dizer que te amei, seria pouco,
Pois se a palavra “amor” é tão banal
Que a devassam no ciberespaço oco
Sem as brasas do fogo passional
Amei-te, pois, à boa moda antiga
Com tragédia, catarse e vendaval
Amei-te com noites mal dormidas
Como se deve amar- ponto final.

Quis chamar a mim as tuas feridas
Quis abrasar-te de pecado venial
Trair e magoar, sair dorida
Como em qualquer combate, afinal.
Amei como se amava em Corinto
Sem gentileza alguma, puro instinto
Fui pira, e Medeia e temporal
Beijei cada pequeno espaço e defeito
E tu, meu grande asno, meu eleito!
Foste como um Páris em pleno Carnaval.
Fizeste da tua força Efialteza;
Fizeste-me troçar da minha reza
À Deusa dourada de Citera.
Pois não é então, que de Odisseu
Me sai um vendido Filisteu
Vergado ao vil metal- que ainda impera?
E eu que já me via em vapores de Hamã
Nos braços de um homem com H
Achei à minha frente…um pudim flã!

Mas não me arrependo deste meu embrulho
Pois aprendi que nem o próprio Zeus
Pode tirar néctar de simples sarrabulho.
Amei-te mesmo assim…simples e fero
Fraco e imoral, mas bom no fundo.
E a lição que me ensinaste, ó Macedónio
Não a perderei jamais, nem que o demónio
Venha mil vezes para ganhar o mundo!



2 comments:

S* said...

eheheh Todos os amores, mesmo os que terminam mal, nos ensinam algo. Esse teu poema em jeito irónico saiu-te mesmo bem. :P

Imperatriz Sissi said...

XD Muito obrigada! Os bananas são sempre uma fonte de inspiração..

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