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Monday, May 28, 2012

Retrato de um playboy


           
O Conde de Guiche, Guy Armand de Gramont, ficou célebre como um dos homens mais belos da corte de Luís XIV e um dos maiores libertinos do século XVII. A sua curta vida - morreu em 1673, aos 36 anos - foi repleta de fausto, aventuras e escândalos. O belo Armand, flor nefasta e venenosa, era uma estranha combinação de beleza e maldade, ingenuidade e depravação, futilidade e espírito, requinte e crueldade, gosto e rudeza.
 Nasceu em 1637, filho do Duque Antoine III de Gramont-Toulongeon, Marechal de França e de uma sobrinha do Cardeal Richelieu,  Françoise-Marguerite du Plessis de Chivré. A sua irmã, Catherine Charlotte, tornou-se Princesa do Mónaco ao casar com Luís I, mas apesar de lhe ter dado seis filhos, preferia viver galante e desregradamente na corte francesa: foi uma das muitas amantes do Rei-Sol.
  Podemos especular que Armand tinha uma certa tendência para a malandrice a correr-lhe nas veias, uma inclinação familiar para a imoralidade. De porte militar e garboso, o estonteante jovem parecia-se, segundo testemunhos da época, com "um herói de novela, em nada semelhante aos outros homens".  Este encanto marcial, a que aliava uma extrema elegância no modo de vestir, não mascarava a sua perspicácia: ele não era uma cabeça de vento, embora gostasse de o aparentar. De resto, nem sempre dirigia a inteligência de que era dotado para os propósitos mais edificantes; bem pelo contrário.
Apesar de ser bem vindo em toda a parte pelo nome ilustre e linda presença, a sua companhia não era das mais agradáveis: mordaz e espirituoso, tinha um verdadeiro prazer em ser mau para os outros, vexando-os com observações acutilantes e grosseiras. 
  O seu humor negro e arrogância contribuiam para uma certa allure superficial, mas o modo autoritário e desdenhoso como tratava os seus pares ofuscava-lhe as qualidades: era apenas uma cara bonita, que ninguém levava a sério. A própria mulher, Marguerite-Louise-Suzanne de Bethune Sully, com quem casou em 1658, não o podia aturar senão de vez em quando.  Isto porém, não parecia incomodar a maioria dos  amantes  - homens e mulheres - que lhe caiam nos braços em ligações fugazes. Armand juntou-se à entourage do irmão mais novo do Rei, Philippe de França. 
A preferência do Duque de Orleães por homens bonitos era bem conhecida e o Conde de Guiche rapidamente conseguiu cair-lhe nas boas graças. 
File:Henriette d'Angleterre as Minerva holding a painting of her husband Philippe de France, Antoine Mathieu.jpg
Henriette e Philippe, os amantes de Armand 
Não satisfeito com isso, a sua voracidade estendeu-se à esposa do amante, a bela e volúvel Henriette de Orleães - que carregava consigo o encanto trágico dos Stuart e um desregramento moral a condizer com o do marido. Foi uma fácil conquista e entenderam-se às mil maravilhas. Philippe, porém, era extremamente ciumento em relação à mulher - e ficou louco de fúria ao ver-se duplamente traído, para divertimento da corte inteira. Nesses jogos de intrigas, ficaria prejudicada a ingénua Louise de La Valliere, camareira de Henriette (e entretanto amante do Rei) de que ambos se queriam vingar: Armand, porque ela não tinha dado troco aos seus avanços; Henriette, por ciumes do cunhado. Louise foi afastada como desejavam, mas quando o Rei descobriu a verdade ficou tão furioso que castigou Armand por ser alcoviteiro e meter-se onde não era chamado: em 1662 foi exilado por conspiração.
Esta queda em desgraça acabaria por trazer à superfície a sua coragem inata e grande talento militar: lutou pela Polónia contra os Turcos e combateu os Ingleses ao lado dos Holandeses. Dez anos depois da sua expulsão, juntar-se-ia finalmente ao Rei na Guerra da Holanda, em que se cobriu de glória. Finalmente ultrapassados os erros da juventude, cumpria a missão para que fora educado, a condizer com o seu nome e figura de Apolo. Foi sol de pouca dura, porém: um ano depois morria na Alemanha, ainda jovem e belo. A sua mulher não o chorou: pouco depois, casava com o Duque de Lude e assumia uma importante posição na corte. É que os playboys são como os acessórios: brilham, mas não são essenciais...


3 comments:

Anonymous said...

Muito bom:)) Adorei

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada :D

Ioana-Carmen said...

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