Recomenda-se:

Netscope

Saturday, June 2, 2012

Tu não me dás valor!!!

Michael Fassbender

Se o mulherio peca por usar o lugar comum "eu vou lutar por ele" a torto e a direito, os homens levam a palma pela quantidade de frases-chave que empregam.
"Não és tu, sou eu", "foi ela que me provocou", " juro que ela não significa nada para mim"," se te quiseres ir embora, ainda vais a tempo", " a culpa não foi minha" e " foi uma tentação, não volta a acontecer" são apenas amostras de um longo dicionário de provérbios a usar em caso de emergência (entenda-se, quando fazem asneira ou andam em "modo sacana"). Bem dizia a minha santa avozinha que os homens lêem todos o mesmo livro...
 Porém, poucos chavões masculinos são tão versáteis como o bom e velho " tu não me dás valor" também conhecido por " tu não me aprecias" ou " tu não me sabes agarrar". Certos senhores adeptos de um linguajar mais típico poderão dizer " tu não me sabes dar o balor".
Esta é uma estupenda desculpa passivo-agressiva para sair airosamente de apuros, fazendo quem está do lado da razão sentir-se culpada e insegura. Claro que há mulheres maldispostas, rezingonas, críticas e ingratas que não dão um minuto de sossego ao parceiro e gostam de o fazer sentir-se abaixo de zero - em casos destes, o estribilho tem razão de ser.  Ou aquelas que, coitadas (por masoquismo ou porque não têm opção) se mantêm ao lado de maridos que só fazem disparates e insistem em ralhar-lhes todos os dias, por mais que saibam que não resolvem nada com isso - ganhando injustamente fama de refilonas e autoritárias, quando se limitam a estar pelos cabelos. Mas não é desses casos que vou tratar aqui. 
   Falo de cavalheiros que, por mais que conheçam a mulher por quem estão apaixonados e saibam que não têm a seu lado uma mulher da luta, nem uma aventureira disposta a suportar todas as faltas de respeito para chegar a um objectivo, insistem em ir fazendo tolices, em esticar a corda mais um bocadinho, pensando"ora! falas, falas, mas aposto que na hora H acabas por andar atrás de mim". Não importa o quanto a namorada lhe demonstre por A+ B que é uma mulher com os pés assentes, serena, independente,  que gosta dele mas pode lindamente viver sem ele e que há mais homens à face da terra caso se arme em esperto. Vai mantendo a má atitude, prometendo emendar-se e continua exactamente na mesma. Até que a moça se cansa e o manda passear. E ele, em vez de se corrigir de uma vez ou desistir e ir à sua vida, empenha-se em tentar ter o melhor dos dois mundos: vai-lhe fazendo juras de amor e ao mesmo tempo  pregando mais uma partida aqui, outra ali, como quem diz: 
" Ora! Não é possível que esta não corra atrás de mim. Todas o fazem, todas! Isto é basófia com certeza. Deixa cá ver, agora vou fazer-lhe ciúmes a ver se ela fica tão furiosa que confessa que não pode viver sem mim: vou convidar a colega que ela mais detesta para jantar no nosso restaurante preferido. Aposto que ela aparece lá e parte a louça toda. Boa! Sou um génio!". E não percebe que na sua teima cada vez a vai afastando mais, porque mulheres que não foram feitas para correr atrás não correm mesmo, por mais provocações que lhes  ponham à frente. Não competem, não se digladiam, não insistem com quem não tem juízo nem se matam pelo que não tem remédio. Passam a borracha e seguem em frente, porque quem quer proceder com hombridade e resolver o que estiver pendente resolve-o logo, não anda por aí em joguinhos, a mudar de ideias nem a fazer fosquetas.
 Vendo que não leva a sua avante o nosso herói vai chorar no ombro da mulher da luta mais próxima, que tem assim um triunfo temporário e umas migalhinhas. Porque essas estão sempre disponíveis: dizem que sim a tudo, desculpam todas as afrontas, esquecem todos os desgostos e ainda lhes dizem " meu querido, ela não te merece. Quem julga ela que é? Tu que és tão lindo e querido e bom partido e mimimi". Mas entretanto ele lá percebe que a farsa não está a funcionar, que as mulheres da luta não dão luta e logo não têm graça, e temos teatro outra vez.
- Se aconteceu o que aconteceu, a culpa foi toda tua! - diz ele.
- É boa! que culpa tenho eu que quisesses andar em trampolinices com "senhoras" desse estilo? - responde a sua amada.
- Deixaste-me ir! Não mexes uma palha por mim! Tu não lutas por mim! Tu não me dás valor! Tens o rei na barriga! Nunca me defendes!
E ela fica-se a olhar, pensando que lhe dá valor sim, mas não a pontos de ir parar ao manicómio por causa dele; que não tem filhos daquela idade;que só lhe faltava andar a guardar um homem tão grande e a ensinar noções de cavalheirismo e civilidade a alguém maior e vacinado, com obrigação para saber o que quer. Mais ainda, fica sem perceber para  que quer ele transformá-la numa "mulher que luta por ele" quando há tantas dessas a dar sopa por aí, aos montes. Há mistérios sem explicação.











No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...