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Netscope

Tuesday, April 9, 2013

Do desperdício

"The world is yours. Take it! "
Uma dificuldade minha é simpatizar com pessoas que, no dizer popular, "se queixam de barriga cheia" ou pior ainda - as que sendo abençoadas com as melhores coisas da vida, inventam tudo para as destruir.  É o caso de muitos herdeiros que levam uma vida dissoluta; não lhes faltando rigorosamente nada, criam dramas, envergonham a família e muitas vezes, são eles a causa da infelicidade das gerações futuras...
 Mas este complexo não se aplica só a questões puramente materiais. No amor, ou noutros sectores da vida, tenho visto muita gente dar pontapés na sorte, expulsar chances preciosas, despedaçar as dádivas da Fortuna. Os céus abrem-se e algo maravilhoso é -lhes entregue de bandeja, num cenário perfeito, que enche de inveja quem os rodeia. E em vez de aproveitarem ao máximo o cálice de ambrósia enchem-se de vaidade, mostram-se ingratos, arranjam todos  os meios e pretextos para arruinar o que têm, fazem tudo o que sabem que não devem fazer, numa curiosa dança de destruição - sua e dos outros. Atiram pela janela o que seria, muitas vezes, a sua oportunidade para a redenção, a felicidade, o triunfo ou a paixão - sem compreender como as verdadeiras brechas são raras. Sem pensar que muita gente nunca terá, nem sonhará sequer, sorte semelhante. Não olhando ao facto de tantos procurarem, a vida toda, uma pálida sombra do mesmo que lhes é oferecido sem reservas. Nem à inconstância do favor divino - que é esquivo e poucas vezes se repete. Eu, que gosto de contar as bênçãos que a vida me dá, inatas ou adquiridas, pequenas ou grandes, não percebo aqueles que sendo bafejados pela Fortuna, não usam a Virtù a seu favor. Ou ainda lhe dão pontapés. Está certo que é preciso maltratar a Fortuna de vez em quando, mas só quando ela nos maltrata a nós. O resto...nem tem classificação. 

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