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Tuesday, April 9, 2013

O Diabo é de boas contas

                             
Uma crença que vai caindo em desuso, ou tendo cada vez menos popularidade, é no papel justiceiro da figura do Diabo - tanto para quem crê nele (e por conseguinte, em Deus, pelo menos no sentido cristão do termo) como para quem o encara metaforicamente. Actualmente, ainda se diz "Deus castiga" (embora tenha para mim que boa parte da humanidade não se podia estar mais marimbando para tal cenário) ou, de forma mais comum e mais fashion, "o karma nunca falha" - pois o conceito oriental e algo indefinido do karma veio, para a nossa sociedade tão cosmopolita e impessoal, substituir de certo modo a figura mais familiar do Pai da Mentira, do Príncipe deste Mundo ou do (título indubitavelmente cool) Príncipe das Trevas. Não sei quanto a vós, mas pessoalmente acho muito mais graça à ideia de uma entidade inteligente, cheia de estratagemas, super bem vestida, com o seu papel no Grande Esquema das coisas e ordens divinas não para arrebanhar ovelhas inocentes do rebanho, mas para arrumar as ranhosas no seu devido lugar. Uma espécie de super anti herói ajudado por legiões de anjos caídos ou deuses antigos com pouca sorte - cuja decadência não prejudicou em nada os seus super poderes específicos sobre todos os desejos ou impulsos dos mortais. 
 Por isso, não é raro que eu utilize a velha e obsoleta forma "vais ver que o Diabo te castiga por tantas maldades" ou, melhor ainda "o Diabo cobra sempre pelos seus favores mais cedo do que se pensa".
Não sei se é o Diabo ou o Karma, ou uma forma menos personalizada de Justiça Divina, mas o Universo tem um modus operandi deveras poético - e detalhado - de inverter as situações. Já mais do que uma vez usei a sentença acima para avisar pessoas que se deleitavam em abusar dos "favores diabólicos" - ou seja, em fazer maldades e trampolinices, umas atrás das outras, sem reparar que o plafond do Diabolic Express estava a ficar algo espatifado. Invariavelmente, recebi respostas do género "hei-de pagar por isso, se calhar, mas é quando for velho e nessa altura já não quero saber". Pois. A questão é que o Karma, ou o Diabo, ou o Universo, a Sabedoria Divina, os Deuses ou o que lhes queiram chamar não gostam de dívidas pendentes. E na sua natureza algo retorcida, adoram surpreender e apresentar a conta mais cedo do que o esperado - o que invariavelmente acontece, e de formas tão teatrais que quase parecem encenadas. Daí eu não achar que seja obra do Karma - o Karma não teria tanta arte, nem tanta pressa. Não é ganancioso nem se delicia com as partidas que prega - isso são características inconfundiveis do Mafarrico. É preciso manha para fazer Justiça Divina com alguma piada. Isso, e vestir Prada, para acrescentar algum cachet à coisa. A Vingança a Deus pertence, mas os meios divinos podem ser do mais colorido...

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