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Wednesday, April 10, 2013

Olimpia de Epiro: keep your friends close...

Descender de Aquiles (o da Guerra de Tróia, nem mais) em linha directa, ser filha e neta de Reis e  mãe de Alexandre, o Grande, é um excelente cartão de visita. Mas Olimpia (nome de "baptismo" Polixena, nome de casada, Myrtale, e mais tarde, Stratonice, em honra de uma retumbante vitória contra a sua pior rival, Eurídice) era - mau grado os métodos questionáveis em voga no seu tempo - uma mulher extraordinária, capaz de se mover como uma serpente (o seu animal simbólico) num mundo de homens. E já se sabe: quando uma mulher é capaz de pensar como um homem, levar a melhor sobre os homens ou até usar estratégias vistas como masculinas, é rotulada de bruxa, no mínimo. No entanto, como sacerdotisa do culto ao Deus da Fertilidade, Dioniso, é possível que houvesse algum fundo de verdade na sua reputação. Ciumenta, vingativa e capaz de lutar como uma tigresa pelos direitos dos seus, a sua personalidade chocava com o carácter volúvel e tempestuoso do marido, o Rei Filipe da Macedónia. Seria uma relação de amor - ódio, tingida por acusações mútuas de infidelidade.  A corte macedónia, pejada de intrigas palacianas,  olhava-a com desconfiança, por ser mística e estrangeira. A obsessão pelo filho adorado - que para desgosto do marido, que viria a repudiá-la, anunciava aos quatro ventos ser filho de Zeus ou de Dioniso - deu-lhe rédeas à ambição. Não descansaria até o ver no trono. Até hoje, o seu envolvimento na morte do marido continua por esclarecer. Certo é que vendo-o finado, mandou assassinar, com requintes de tortura psicológica,  a nova esposa do defunto marido e os filhos desta.
 Desforrava-se assim de todas as humilhações passadas: a infeliz Eurídice deve ter lamentado o dia em que se cruzou no seu caminho.  Apesar das tentativas de Alexandre para a manter afastada dos assuntos políticos, actuou como regente - de forma não oficial na Macedónia, cimentando inimizades, e também na sua terra natal, Épiro, em nome do primo Aecides.  
 Após a morte súbita do filho tentou proteger os direitos da nora, Roxana, e do neto, Alexandre IV - mas Cassandro, um dos generais de Alexandre, conspirou contra ela. Dizem que morreu como uma Rainha. Com a intensidade, altivez e violência com que viveu. Goste-se ou não dela, uma mulher que dorme com cobras, faz do filho um Rei e um semideus e é capaz de esmagar os que se lhe opõem tem um certo élan. Ninguém caracteriza o seu assassino, Cassadro, como infame - para ser infame, é preciso ser mulher.  Uma mulher que se atreva a vestir as calças, ou a desembainhar a espada, e que cometa uma crueldadezinha ou duas, daquelas de nada...a História não é justa, às vezes.

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