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Saturday, August 3, 2013

Eu embirro com...puzzles. E com pessoas-puzzle.

                                           
É frequente ler-se por aí que os nativos do signo Virgem, sendo dados à organização e ao perfeccionismo (coisa que sou mesmo, com a particularidade de, por golpe de vista, conseguir dar atenção ao detalhe em tempo recorde porque não tenho paciência  para torrar minutos com picuinhices) apreciam puzzles. Esse lugar comum "és organizado, logo és chato" irrita-me porque nunca gostei nada de tal passatempo. 
    Passo a explicar: puzzles e charadas fascinam-me desde que haja algo a ganhar com isso, estilo Indiana Jones, se decifrar o enigma o tesouro é seu. Em pequena, 
encantava-me o xadrez (como tudo o que envolve estratégia...não me fiz marketeer por nada!) mas o puzzle sempre me pareceu um hobbie de quem não tem qualquer imaginação. Tanto trabalho, tanto quebra cabeças para uma coisa que já se sabe que resultado vai dar. Em suma, cansar os neurónios para nada. Bem podiam dizer-me que era didáctico (eu embirro com coisas didácticas, palavra que sempre me soou a tentarem ensinar-me à socapa coisas que não estava minimamente interessada em saber) ou pior, que exercitava a mente: nunca achei graça a "paciências".
   A paciência não é, aliás, o meu forte; sou capaz de ter paciência de Job, sim senhor... se, lá está, tiver alguma vantagem nisso. Mas precisei de a treinar e sempre a vi como um mal necessário. E veja-se, a vida já nos dá tanta ocasião para exercitar a paciência de chinês (saber esperar é uma virtude, etc) que não há necessidade alguma de me torturar com jogos de tabuleiro (ou de chão, em alguns casos) mortalmente maçadores e que ainda por cima, desarrumam. Há lá coisa mais foleira do que peças de puzzle perdidas atrás dos móveis  ou coladas à sola dos sapatos?
 A única coisa associada a puzzles que me agrada é a expressão anglo- saxónica "you puzzle me". Os nossos velhos aliados têm maneiras simples e encantadoras de se exprimir. 
    Mas creio que é escusado dizer que quem me deixa "puzzled" não me encanta. 
 Pessoas-puzzle não me seduzem nada. Claro que o mistério é sempre um atractivo, mas quando há segredos a mais, mentiras a torto e a direito, enigmas gratuitos ou prolongados, contradições absurdas e atitudes que não fazem sentido nenhum a minha desconfiança dispara, fico convencida que estou perante um indivíduo que na melhor das hipóteses não joga com o baralho todo e perco rapidamente o interesse. Afinal, pessoas puzzle são exactamente como os puzzles de mesa: chatas. Fazem-nos perder tempo, provocam stress, queimam-nos os neurónios para não ganhar nada e antes de começar o jogo, já se sabe qual é o resultado final. Só é pena não virem identificadas numa caixa; poupavam-se horas e raciocínios preciosos e atiravam-se as pessoas-puzzle para o caixote dos brinquedos antigos a doar a instituições. Ou se calhar não: pessoas-puzzle ninguém merece, muito menos os mais desfavorecidos que já têm problemas de sobra. Directamente para o caixote do lixo, isso é que era de valor.


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