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Monday, November 11, 2013

Jane Austen dixit: juízo. E noção.

                    
Sendo a Rainha do bom senso, reafirmo que Jane Austen devia fazer parte obrigatória da educação de todas as raparigas, bonitas ou feias, ricas ou pobres. Se assim fosse, evitavam-se muitas figuras tristes, muitas cenas desnecessárias e muita vergonha alheia. Pois se é verdade que a autora disse, e muito bem "to love is to burn, to be on fire", também escreveu o seguinte - aspecto a ter em conta antes de mais nada:

“No young lady can be justified in falling in love before the gentleman's love is declared; it must be very improper that a young lady should dream of a gentleman before the gentleman is first known to have dreamt of her.” 

Em tradução livre, "nenhuma jovem tem desculpa para se apaixonar por um homem antes de ele lhe declarar o seu amor; é muito impróprio pôr-se a sonhar com um cavalheiro sem saber antes se o cavalheiro sonha com ela". Além da questão antropológica que já tenho mencionado por aqui (uma coisa é encorajar, dar um empurrãozinho e outra é inverter os papéis e tirar ao cavalheiro a função de caçador, correndo desesperada atrás dele e fazendo as investidas como uma tonta que nunca foi cortejada na vida) pede-se noção da realidade qualquer ser humano.
 Para começo de conversa, sempre me fizeram impressão as pessoas (homens ou mulheres) que apanham paixões assolapadas sem qualquer encorajamento, e sofrem por quem nunca olhou para elas duas vezes como se tivessem perdido uma relação a sério. Para nascer, o amor precisa de flirt, de sedução - se surge na cabeça de alguém sem que haja nada disso, se além de tudo cria uma obsessão unilateral, algo de errado se passa. Isso é normal na pré adolescência, quando as rapariguinhas se apaixonam por posters e choram por causa de ídolos que nunca viram. Em adultos, é patético e inaceitável. 
Depois, há que ter sentido dos factos: e vejo muitas mulheres com idade para ter juízo a oferecer-se (nem que seja por feijões) a quem nunca olhou na sua direcção, caindo mesmo no papelão de perseguidoras. Espelho, palmatória e Jane Austen fizeram falta a muitos pais e muitas filhas...mas quê, acha-se que é no ensino obrigatório e no ensino superior gratuito e aberto a qualquer desmiolada que se aprende tudo. Depois, é o que temos.


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