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Tuesday, November 12, 2013

O braço de ferro (You Win Again)

                                                  
We gotta level before we go
And tear this love apart
There's no fight you can't fight
This battle of love with me
You win again
So little time
We do nothing but compete

(Bee Gees, You win Again)

Ter duas avós fãs de Bee Gees deu nisto:  ouvia-se bastante lá em casa a música dos três irmãos da Ilha de Man. Em particular, sempre gostei muito de You Win Again, que retrata tão fielmente os jogos de poder nas relações amorosas.


 Os braços de ferro fazem parte do jogo de sedução. A provocação,  o powerplay, a conspiração amigável (ou nem sempre...) entre apaixonados, o "play hard to get" são essenciais no início e estarão sempre presentes na dinâmica de um relacionamento se ele estiver vivo e de boa saúde, tanto nos aspectos práticos ("amuo a ver se ela não me pede que faça coisas chatas") como nos mais íntimos ("portou-se mal, por isso vou fingir que ele não está aqui"). Mas é preciso ver quando demasiado powerplay  deita tudo a perder. Entre pessoas que gostam de facto uma da outra, é necessário haver confiança e sinceridade. Acima de tudo, é preciso entrega: arriscar expor os sentimentos sem armas secretas no bolso, sem planos de contingência, sabendo que o outro arrisca o mesmo e que ambos terão de prescindir de algumas coisas - de um bocadinho de orgulho. De namoriscar por aí. Da aura de frieza e invulnerabilidade. 
 O jogo de poder existe sempre, é preciso que exista: mas tentar subjugar o outro em nome de um orgulho fátuo e infantil, com o raciocínio " se eu ganhar a parada, fico por cima e posso continuar a fazer tudo o que me apetecer" é um erro grave. Se existe uma grande necessidade de domínio, ou de ganhar território para agir como bem dá na gana, tentando ter o melhor dos dois mundos, levantam-se questões de responsabilidade, maturidade e respeito. 
 Na hora de competir um com o outro, basta fazer o exercício de pesar o que é mais importante, qual é a prioridade: a birra, a supremacia ou estar com a cara metade. E se a relação for daquelas raras, que fazem vibrar as cordas interiores, o valor do poder torna-se relativo. O poder absoluto é um lugar solitário: um trono que só estamos dispostos a partilhar  quando a paixão toma tudo o resto de assalto. Para tudo na vida, é preciso um bocadinho de rendição. Não importa quem tem razão, não importa o brio individual, homem, mulher , importa o todo.

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