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Tuesday, December 17, 2013

O único "efeito Kate" que interessa‏.



Já comentei convosco que apesar do meu profundo respeito pela Casa Real Inglesa, não subscrevo a idolatria pela Duquesa de Cambridge (como, de resto, condeno qualquer modismo popularucho).

 Primeiro, porque o supra sumo da elegância naquela Casa continua a ser H.M. Elizabeth II e nenhuma novidade pode destronar décadas de savoir faire herdado, treinado e posto à prova, a todos os níveis, por ventos e marés.  

Segundo, porque não simpatizo grandemente com o modus operandi da família Middleton, embora concorde que Catherine Middleton em si mesma é encantadora. Terceiro porque apesar de ser inegável a sua beleza, o seu saber estar, o seu simples  à vontade (condição sine qua non para a posição que ocupa) e porque não, o seu sentido de estilo... por vezes acho que com o porte e recursos que possui, poderia fazer melhor ainda. 

Gostos não se discutem e Catherine Middleton veste como quem é;  mas há várias consortes nas boas Casas da Europa cujo fashion sense,  atenção ao detalhe e às proporções me surpreendem mais.  Quanto a isso, o tempo - e o desvanecer da bajulação dos media - se encarregará de confirmar, aperfeiçoar ou desmentir.

 Há, no entanto, um aspecto no "efeito Kate" que importa realçar: Catherine Middleton é um bom exemplo para as raparigas. Não porque casou bem, mas porque se portou bem

A imagem acima promove o franchising do best seller AS REGRAS (The Rules) - um dos poucos livros de namoros que, passe a premissa e o exagero, se pode recomendar nesta época deprimente em que os conselhos dos media para mulheres (e pior, para adolescentes)  são basicamente "CONQUISTE O SEU HOMEM! VÁ ATRÁS DELE! MOSTRE O QUE SENTE! SEJA VULNERÁVEL! SEJA UMA PREDADORA!". 

The Rules é odiado pelas feministas e pelos rapazes tímidos. Em boa verdade, acredito que seguido à risca, o manual pode enviar mensagens confusas e, como todos os livros do género, deve ser tomado com um *grande* grão de sal.

Mas teve a virtude de devolver a feminilidade a muitas mulheres e de mostrar que o comportamento tradicional - saber ser desejada, deixar-se conquistar, não aceitar menos do que merece, ter respeito por si própria e no fundo, valorizar-se - não tem nada de errado.

E Catherine é, sem sombra de dúvida, uma rapariga das Regras. Não se deixou esmagar pela persona do namorado, mesmo se todo o país troçava que ela estava "na prateleira"porque o noivado nunca mais acontecia. Quando ele teve atitudes menos próprias - mostrar-se enfadado, querer namoriscar com os (literalmente) milhares de raparigas tontas que andavam atrás dele, exigir espaço - Catherine fez a única coisa digna: dar-lhe mais espaço do que ele poderia desejar. TODO o espaço do mundo

Não quis saber se ele era o futuro herdeiro do trono, nem da concorrência, nem das consequências; não aceitou faltas de respeito. Ergueu a bonita cabeça, sacudiu os lindos caracóis e continuou com a sua vida, passeou, flirtou, sabendo que um homem precisa de tirar as próprias conclusões e que quando se ama alguma coisa (ou alguém) é preciso deixar ir. Se voltar, estava destinado, se não...

 E William voltou, por acaso. A história podia ser diferente, mas ainda assim Catherine seria sempre a mulher que não se deixou pisar pelo solteiro mais desejado do Reino (o que me faz pensar que não se deixaria pisar por mais nenhum). Mas reataram, depois de Kate ter posto as suas condições: ele devia cortar contacto com as namoradeiras que interferiram na relação. Tudo ou nada. Podia recear perdê-lo, decerto que receou, mas o seu respeito próprio foi maior do que o amor ou os castelos no ar que qualquer mulher constrói quando se apaixona. Ele foi homem o suficiente e cumpriu. É preciso um homem a sério para preferir uma mulher segura de si.

O maior amor de uma mulher deve sempre ser o amor próprio. E é esse o "efeito Kate" que interessa. As tiaras, as toilettes e o resto não trazem felicidade- assim como, numa versão mais modesta, as flores, as promessas e os jantares à luz de velas. Sem respeito, nada.

1 comment:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Adorei este post. Muito bem escrito. E sem dúvida com uma mensagem muito importante, que é precisamente a que identificaste. No mundo actual em que vês as Mileys e Rihannas nuas, desesperadas por atenção, é sempre bom uma rapariga bonita e "simples", vestida, para "descansar a vista" e realmente retirar as ilações mais importantes.

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