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Friday, January 10, 2014

As pessoas que "não julgam ninguém"...

                          

...conseguem ser ainda piores e mais hipócritas do que os fariseus da vida, que julgam todo o mundo com uma atitude "holier than thou". Julgar constantemente os outros, apontar o cisco no olho alheio sem olhar primeiro para o espelho é pouco saudável. 

Defendo que devemos ser exigentes connosco e indulgentes com o próximo- afinal, ninguém é perfeito.

 Mas quem apregoa "eu cá não julgo" nem que o próximo faça as piores patifarias, quem desculpa comportamentos aberrantes ou imorais como se não se chocasse minimamente ("coitado, faz pela vida...") revela, no mínimo, pouca bússula moral ou uma moral de elástico, um elástico de muitos metros que estica conforme as conveniências mais a casaca que vira para o lado que sopra o vento ou que dá mais jeito. Ou seja, não julga porque faz (ou faria, se pudesse, ou fará, se for necessário) a mesmíssima coisa. Reparar na falta de decência ou integridade alheias seria apontar o dedo a si próprio.

 Quem é bom ou santinho não apregoa o facto aos quatro ventos (assim como quem é inteligente, humilde ou tem estatuto, dinheiro, beleza, não precisa de o afirmar). E os indivíduos que juram "eu dou sempre a outra face", "eu sou amiguinho de toda a gente" são geralmente do piorio, pelo menos para as pessoas próximas. 

São os primeiros a vingar-se, a dar tareias na mulher, a conspirar, a urdir intrigas, a ferir os outros, a descer o mais baixo possível para chegar aos seus fins, a ir buscar os argumentos mais mesquinhos - mas pianinho e em privado, não vá  imagem de bondade postiça sair denegrida do ataque de ruindade. 

Tudo é lindo e fofinho - para inglês ver. Casos gravíssimos de pantominice aguda e lá dizia o poeta, não é preciso ir para o Rossio para se ser pantomineiro. Ou como reza o ditado, quem é amigo de todos não é amigo de ninguém. Não julgues para não seres julgado, é certo - mas julguemo-nos a nós próprios e não tomemos os maus exemplos como inofensivos. Há que ter valores, padrões, e não se desviar muito deles. Porque, para citar o outro, para que o mal triunfe basta que os homens de bem não façam nada. Ou não digam nada. Ou não reparem. Afinal, a Bíblia que diz " não julgueis" também recorda o "orar e vigiar". Há o mínimo.

1 comment:

Miguel Godinho said...
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