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Thursday, January 9, 2014

Assim se estraga uma carteira e uma marca, Moschino‏.

                                 

Não é que seja das minhas Casas preferidas ( tenho uma relação algo desconfiada com ela, tal como com Versace) mas, como qualquer griffe italiana de qualidade, Moschino faz coisas adoráveis quando quer. Peças assim...



 Mas depois sai-se com logomanias horrorosas destas. E eu penso no tipo de pessoa que usa uma carteira tão ostensiva; vêem-me à cabeça os trajes/ preparos/modos dessas pessoas que gostam de exibir monogramas e marcas com ar de falsos (quando não são falsos mesmo) só para se afirmarem junto dos seus pares (as in, seres de background igualmente questionável).  Esse raciocínio tem como resultado eu não me sentir bem em relação à marca. É certo que os públicos mudaram, que consumidores diferentes passaram a ter acesso a certas etiquetas, que Moschino nunca foi o cúmulo da discrição. Mas na minha cabeça, independentemente de uma griffe ter um estilo circunspecto (Lanvin, Bally, Valentino) ou mais, digamos, alegre (Moschino, Versace, Cavalli) luxo está sempre associado a uma certa exclusividade, a algum secretismo. O seu diferencial reside acima de tudo na qualidade que é tangível para o connoiseur, mas pode passar despercebida ao consumidor comum: aquele que só percebe o que tem à frente se lhe puserem, digamos, um grande monograma perante os olhos. E esse é precisamente o busílis: ao apelar a esse tipo de público, não perderá a marca um pouco do seu propósito original? Ao tornar-se desejável para o consumidor óbvio não estará a apelar à temida contrafacção (está pois!) e à banalização? Pergunta retórica.  Ter, por exemplo, uma Birkin da Hermès não é, de perto nem de longe, o acontecimento que era há uns anos atrás. Por muito bonita, durável e luxuosa que a mítica carteira seja, tornou-se óbvia, foi discutida e desejada ad nauseam: todo o mundo sabe o que é uma Birkin. Encontrar uma imitação é a coisa mais fácil do mundo. E notem, a Birkin não tem logótipos, que faria se tivesse.
 Dolce&Gabbanna, Louis Vuitton, Burberry, entre outras, têm percebido a mensagem e recuado. Quando uma peça ou marca se torna alvo do desejo das massas, quando a awareness é muito grande, geralmente há um preço a pagar por isso. O excesso de popularidade não pode ser mais vantajoso para uma Zara, uma Uterque, uma Top Shop - mas quando falamos noutro segmento, sobem os critérios, e ...menos é mais.

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