Recomenda-se:

Netscope

Wednesday, April 9, 2014

E zás, os nossos jornalistas nem Sua Majestade respeitam.


Se ainda não vão por mim quando protesto por aqui que ser aceite numa faculdade ávida de propinas não dá polimento, quanto mais educação a quem não vem educado de casa (e/ou não se esforça um bocadinho) coisíssima nenhuma, aqui fica mais uma pérola dos nossos queridos jornalistas, desta feita na SIC Notícias. BBC, CNN, reparem nesta qualidade e roam-se de inveja. Decerto por aí não há estagiários parolinhos às fornadas, nem editores igualmente parolinhos que não distinguem as asneiras, quanto mais corrigi-las. É daquelas coisas que só acontecem num País ultra democrático como o nosso, desesperado por mostrar em Bruxelas que educa as massas, que tem as massas mais qualificadas da Zona Euro, que isto é uma fábrica de massa do melhorio que pode haver.

Ora reparem: 

Her Majesty the Queen recebeu, no passado dia 8, o actual  vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte,  Martin McGuinness - ex-líder do IRA e o ex inimigo público número 1 de Inglaterra -  no Palácio de Windsor, encerrando definitivamente as hostilidades num evento sumptuoso, magnífico, daqueles que vão rareando nestes tempos tão sem graça.

 E com o encanto que a caracteriza, a Rainha Elizabeth II, que venham as Duquesas que vierem continua a ser o ícone daquela Casa (porque se não nasceu preparada para reinar nasceu pelo menos uma Rainha dos pés à cabeça e encarou o pesado fardo com brilhantismo não deixando, pelo caminho, de ser uma mulher elegantíssima)  teve no seu discurso um dito espirituoso, aludindo ao vídeo em que participou ao lado de James Bond para a abertura dos Jogos Olímpicos: 

              "It took someone of Irish descent, Danny Boyle,

                   to get me to jump from a helicopter"

E como é que se traduziu isto, como? Assim: "foi preciso um homem de DESCENDÊNCIA irlandesa para me fazer saltar de um helicóptero". 

Isto nem se pode desculpar com tradução literal nem nada, já que "descent" se traduz por "ascendência", que é descender de fulano de tal, e não por descendência.

Ter descendência irlandesa era se a jornalista que fez este lindo trabalho fosse trabalhar para a Irlanda como vai tanta gente, conhecesse lá um deslumbrante irish lad que não percebesse no que se estava a meter, por lá casasse, por lá ficasse e tivesse uma data de pequerruchos ruivos e sardentos nascidos e criados na Irlanda. Aí sim, teria uma prole - ou DESCENDÊNCIA - irlandesa. 

 Pois bem, eu enquanto pessoa de ASCENDÊNCIA irlandesa, não achei graça nenhuma, não. Vejo este erro de palmatória constantemente nos jornais, mas num canal noticioso não esperava. Já que não se preocupam com o próprio prestígio podiam tentar não desrespeitar a Rainha, que não merece coisas de mau gosto deste género. Mas é o Sistema que temos - quando se lá entra saloio,  sai-se de lá exactamente na mesma 

No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...