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Wednesday, April 2, 2014

Isso das provocações...


...é uma coisa muito desagradável. Qualquer pessoa elegante e educada, que saiba estar, deve
abster-se do feio hábito de fazer ferro a fulano ou beltrano, mandar achas, farpas, alfinetadas e trocar galhardetes com criaturas que lhe são antipáticas - ou  criaturas que lhe eram muito simpáticas mas se tornaram, enfim, persona non grata.

 No entanto, pode dizer-se que provocar, afrontar ou como se diz na gíria fazer fosquetas (ou ser alvo disso tudo e consequentemente dar o troco, porque pouca gente é santa) é um pecado a que qualquer um está sujeito.

 A diferença está, como em tudo, no motivo para tal maldade, que não convém ser mesquinho, e mais importante,  na classe com que se executa a brincadeira. Porque até para isso é preciso savoir faire, imaginação, paciência, meio, oportunidade e porte. Uma coisa é a provocação com certo panache, que faz o efeito touché! e arranca no próprio adversário uma exclamação do estilo "é uma besta de marca maior, mas não lhe faltou uma certa classe".

Outra inteiramente diferente é usar o recurso mais à mão, mais chinfrim e mais ranhoso, imitar técnicas, procedimentos ou arranjar protagonistas baratos, ou imitações baratas, para atingir o inimigo no próprio territóriojulgando que se faz grande mossa;  se calhar consegue-se o efeito de ser irritante, de causar alguma repugnância: mas o ridículo está todo do lado de quem se rebaixou a fazer tristes figuras de principiante, de macaquinho de imitação, de palhacinho carenciado.

 Copycats e maçaricos fariam melhor se falassem claro.

Ser vilão ou usar-lhe a pele não é para qualquer um; não é por acaso que nos filmes os maus da fita vestem sempre melhor e têm as linhas mais memoráveis.

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