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Friday, April 4, 2014

O homem errado pode ser muito mau para a economia. Atentem nisto, meninas.


  Em tudo na vida há que ser prática, analítica e escolher as companhias com cuidado: a probabilidade de tropeçar num doidinho hoje em dia é consideravelmente maior do que, digamos, há 100 anos atrás. Não disponho de um estudo rigoroso, mas considerando que:


1- Graças a melhor alimentação e cuidados de saúde, o número de espécimes do sexo oposto potencialmente amalucados que chega à idade adulta actualmente -  ou seja, à idade de fazer a cabeça de alguém em água - é incomparavelmente superior. Ora, numa amostra maior tem logicamente de haver mais taradinhos presentes. 


   Raciocinem comigo: as vossas bisavós tinham a possibilidade de encontrar, no máximo,  uns dois ou três maus rapazes elegíveis no seu  círculo.
 Desde logo, porque as doenças da primeira infância faziam ali uma eugenia limpinha; os mais frágeis (se considerarmos que as desordens mentais eram acompanhadas de alguma debilidade física) iam para os anjinhos enquanto ainda o eram. Depois, os pequenos hiperactivos  apanhavam grandes tareias porque nesse tempo não havia cá contemplações, as birras e as maldades tiravam-se com pau de marmeleiro, o que das duas uma: ou lhes curava a vontade de chatear os outros ou os deixava apoucadinhos e inofensivos.
  E por fim (sem considerar o tifo, a tuberculose e uma data de outras doenças que podiam aparecer para dizimar a população mais ou menos sã de espírito)  quem não jogava com o baralho todo, à solta por aí livre de Prozac, Xanax e pedopsiquiatras, estava mais sujeito a   estatelar-se de uma árvore abaixo, cair a um poço, levar um tiro por andar a roubar fruta ao vizinho ou lutas fatais de pedrada antes da adolescência, tudo isto sem Sistema Nacional de Saúde que se visse, sem tinonis e sem aparelhos de reanimação. 
  Percebem a lógica?

2- Imaginemos que ainda assim, azar dos azares, a coitadinha da vossa bisavó contava na sua comunidade com um número ameaçador de doidinhos que tinham sobrevivido à adolescência sem mazelas de maior: a segurança continuava a ser apreciável porque não havia cá Facebook, nem discotecas, nem liceu misto quanto mais faculdade, as oportunidades de os jovens chegarem à fala uns com os outros eram poucas, monitorizadas, por carta ou à janela e com pau de cabeleira. O mais certo era a donzela não chegar a conhecer 50% desses perigosos.

 Mas vamos complicar mais um pouco o cenário e fazer de conta que havia um ou dois que até não se notava, eram rapazes espadaúdos que - azar dos Távoras! - convinham à família e vinham bem recomendados (que isto da doideira pode andar perdida por gerações e aparecer assim, do nada).
  Mesmo perante essa remota possibilidade a corte, o namoro e o noivado eram tão longos,  tão platónicos, que muito provavelmente a rapariga ia perceber que o mancebo tinha alguma coisa errada antes de haver consequências de maior. 
 Claro que havia desvantagens no sistema: a distância podia iludir e quem casasse mesmo  com o maluquinho, ficava presa a ele para o resto da vida. Cada geração tem os seus problemas.


 Mas hoje, com muito mais pessoas, muito mais interacção entre elas e muitos nomes científicos para justificar, desculpar, controlar ou tratar como se pode os parafusos soltos de cada um, calculem lá o risco que se corre. É tudo muito rápido, muito confuso e com muito maluquinho junto, muita aberração de circo disfarçada de elegível. Por isso, olho vivo e pé ligeiro. É que além do desgosto e do transtorno que dá uma pessoa achar piada a alguém assim, isso não fica nada barato. Calculemos:


    - para recuperar do choque, a incauta começará por gastar algum dinheiro na ervanária: umas valerianas, umas passiflorinas a ver se os chiliques lhe passam. Pimba, 50 euros. 


 - depois, porque as amigas e a família começam a cansar-se de tanta choradeira, lá a desafiam para ir ao cabeleireiro, à massagista, à acupunctura. Estão a fazer contas? Porque eu estou.


-  ainda assim, entre as saudades do doidinho, porque o amor é cego e estúpido que nem uma porta, e os sustos de morte que o doidinho lhe prega ora com boas ou com más intenções mas sempre sem  sentido nenhum, as colegas e aquela tia excêntrica que cá veio de férias convencem-se mesmo de que o caso está preto e que, ou a rapariga atina, ou terão de a levar à bruxa para lhe tirar o mau olhado, ou pior, à Igreja Universal do Reino de Deus se ela já não estiver em acção de estrebuchar - zás, mais umas centenas.


 - vê-se que isso não resulta, e toda a gente entende que tem de se arrastar a pobre coitada a sair, para conhecer pessoas novas - mas a infeliz tem medo de se cruzar com a peste, e torna-se necessário raptá-la para fora da cidade ou do país por uns tempos. E as viagens não são baratas, já se sabe. 


-  por fim, chega-se à conclusão de que a crise não vai lá com reza brava, nem com Pai de Santo, e como a loucura adora companhia a rapariga vai ao médico. Logo, tem de gastar mais não sei quanto em terapia,  ai eu só posso aturar coisas destas por trauma de quando eu era pequenina, isto deve ser qualquer problema freudiano com as figuras masculinas na minha vida, só pode, mais as as gotas e os pirulitos, isto se não for electrochoques, sabe-se lá o que pode acontecer e não me parece que isso seja assim coisa acessível, não pedi orçamento que isto não é nada comigo, Credo.


- Esta despesona toda sem contar com o que entretanto espatifou na Zara ou na Prada (ou numa mistura disso tudo,  conforme a bolsa) em sapatos, roupa e carteiras na tentativa de não apagar por completo, porque já dizia Oscar Wilde, as raparigas sem graça choram, as bonitas vão às compras.


     Como dizem no país irmão eu, hein? Cuidadinho. Há, no entanto, um consolo:








1 comment:

Vadia said...

Ahahahah!! Excelente, como sempre!!
Estou completamente de acordo. Pode sair muito caro e não só à bolsa... E lá têm que se conhecer os "errados" até se conhecer o certo.

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