Recomenda-se:

Netscope

Thursday, April 10, 2014

Um bocadinho de cultura, uma série portuguesa fantástica e...uma maquilhagem para copiar.


De vez em quando surgem assuntos que permitem fazer um post-3-em-1
 Imaginem o meu entusiasmo, eu que sou uma apaixonada pela Mitologia Grega desde pequenina, quando soube que uma produção europeia sobre as aventuras de Ulisses tinha sido integralmente gravada em Portugal (mais concretamente em Setúbal, e juro que ao ver aquilo ninguém percebe que não se trata da verdadeira Ítaca da Ilíada).  

 Cresci com o pai a contar-me os ardis de Ulisses (a minha parte preferida era quando ele engana o ciclope dizendo que se chama "Ninguém", e estando o malvado monstro cheio de dores com uma estaca enfiada no olho, berra aos outros ciclopes que « "ninguém" o havia cegado, e fossem lá apanhá-lo"» e os outros  a pensarem que ele tinha enlouquecido enquanto o herói fugia a bom fugir -  um espertalhão, o Ulisses). 

É claro que não ia perder esta série conduzida pela RTP, que não só conta com vários actores e produtores lusos como tem uma Penélope lindíssima, exactamente como eu sempre imaginei (a bela Bond Girl italiana Caterina Murino) e um Telémaco que parece saído de um vaso grego.


Odysseus é chamada em português "A Odisseia de Homero"  - o que até aqui não me parece muito certo já que a série foca só em parte o enredo da Odisseia, deixando à imaginação  os amores e festins do herói com a feiticeira Circe, a ninfa Calipso (sendo que só esta última é mencionada) e omitindo peripécias como a das Sereias ou a do ciclope Polifemo (havia de ser bonito e barato fazer o Polifemo, logo desculpa-se). 

Pelo meio ainda ficamos a saber que a pobre Helena de Tróia pagou bem caro o adultério: não só vive atormentada pela culpa de ter arrastado os melhores homens da Grécia para a morte e ter feito cair a poderosa Tróia como o marido desonrado, o espartano Menelau (interpretado pelo português Victor Gonçalves) a vigia como um falcão e a enche de nódoas negras dia sim, dia sim, maus tratos esses que amachucaram a sua divina beleza. 

 Quanto a mim, é lógico - sempre me pareceu que um marido, Rei e espartano ainda por cima, não a receberia em casa todo contente como se nada fosse, apesar de já estar vingado...

Também Ulisses, por intrigas, começa a duvidar a lendária fidelidade de Penélope: o que se compreende pois esteve fora vinte anos e ela continua linda de morrer, mas não é assim muito justo quando ele próprio, por força das circunstâncias, viveu com duas deusas. Vá-se lá andar a tecer mortalhas e a destecer mortalhas, a empatar, para manter um homem contente. Não se duvida da lealdade de Penélope, ou se se duvida, não se pode humanamente confiar em mulher nenhuma, eu acho...

Mas perdoam-se as licenças poéticas e estes detalhes que até enriquecem a história pelo figurino (fabuloso) pela fotografia, pela caracterização, pelo todo e - valha-me Zeus -  pelo esforço.


Ponto um: como é que uma série assim não é capa de revista, não é mencionada nas redes sociais, não tem sequer direito a uns outdoors como se faz com a porcaria das telenovelas e Casas dos Segredos da vida? Realiza-se em Portugal, com profissionais portugueses, um trabalho sério, de prestígio,  que permite aos nossos actores desempenhar papéis que jeito tenham em vez de fazerem de riquinhos ou pobrezinhos nos folhetins da TVI, e ninguém diz nada***

E não é porque o público seja *assim tão* estúpido, decerto.

 Se os portugueses consumiram Spartacus como pãezinhos quentes, podem muito bem ver a Odisseia de Homero sem morrer de sono. Também tem sangue, violência e mulheres nuas. E é mesmo uma obrigação moral, num País cuja capital já se chamou Olissipo, que foi, segundo a lenda, fundada por Ulisses em pessoa... saber um bocadinho destas coisas. O público pode muito bem ser educado, desde que lhe dêem aquilo que ele quer com um conteúdo melhorzito.

Ponto dois: a nobre beleza da fidelíssima Penélope só podia ser italiana, desculpem aqui o assomo de brasa à sardinha. Mas a caracterização ajuda muito, com vestidos que apetece roubar para o Verão e uma maquilhagem que eu não descanso enquanto não reproduzir na íntegra, muito aconselhável às meninas de olhos grandes e rasgados. Ora reparem neste cat eye fantástico:


Em resumo, é necessário ver isto. Ao menos para se dizer que alguém viu. Dão os Deuses nozes a quem não tem dentes, será possível?


( *** para os interessados, Odysseus passa aos Domingos, na RTP2, por volta das 10 da noite).






2 comments:

Urso Misha said...

Sissi bom dia, em relação ao teu post... TOP

Vi por acidente um programa da RTP1 que falava na série e decidi que tinha ver e que boa é a série, sem dúvida a Penélope parece ter um ar grego e tudo, até merecia a RTP1 e não 2 (sem desrespeito).
Venham mais séries destas e para mim dá 15 a 0 ao Spartacus...

Ulisses L said...

Nem fazia ideia de que esta série existia, mas, como é óbvio, vou procurar e ver!

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...