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Friday, December 12, 2014

A nobre arte de ter o coração firme e as orelhas moucas

"Podem anunciar as bombas que quiserem, que nós somos surdos"

Sun Tzu lá dizia, muito sabiamente "se o inimigo está quieto, provoca-o". Infelizmente, como todas as coisas boas da vida, a estratégia militar pode ser mal empregada:  o que mais há neste mundo é pessoas que utilizam esta táctica a torto e a direito, com as motivações mais baixas e os modus operandi menos nobres. Muitas delas nunca terão lido A Arte da Guerra  na vida, mas lá reza o povo que é tão sábio como Sun Tzu, "para o mal dá o Diabo habilidade".

 Aquilo com que gente pérfida não conta é que há sempre quem tenha lido mais um bocadinho, seja dotado de um grandessíssimo sangue frio e fosse ensinado por bons conselheiros, o que faz com que tais estratagemas caiam em saco roto...

 Quem tem adversários - e todos encontraremos alguns ao longo da vida se não formos uns nabos completos, pois só os zeros à esquerda não são invejados por ninguém - vai deparar-se mais cedo ou mais tarde com provocações.

 O mais comum é a provocação tomar a forma disso mesmo: ditos ácidos, farpas, insultos, bullying, tudo na tentativa de fazer o inimigo perder as estribeiras, descontrolar-se em público (ou perante a pessoa de interesse, seja o chefe, o mentor, a cara metade...), perder a face, ficar mal visto ou cometer erros irreparáveis. Outras vezes, a provocação chega em moldes de rumor ou mexerico, com o objectivo de causar instabilidade, discórdia ou insegurança.

 Os mestres de artes marciais avisam muitas vezes "nenhum homem está derrotado até que a sua confiança esteja por terra" - e pessoas malvadas são exímias em atirar granadas para minar a confiança dos outros, ou a confiança entre duas partes, no melhor modo "dividir para reinar".


 Isto vê-se muito nos concursos de talentos, de beleza e por aí fora: há sempre uma maçã podre que em vez de gastar o tempo nos bastidores a ensaiar, a tranquilizar-se e a melhorar a sua prestação, anda de um lado para o outro a espalhar boatos: "fulana disse assim de ti", "soube que isto está tudo comprado e quem vai ganhar é beltrano", "sicrana está a fazer batota, namora com um jurado" e coisas desse jaez, para deixar os rivais atarantados, virá-los uns contra os outros ou contra a organização ou fazer-lhes sentir que o esforço nem vale a pena.

 Em muitas empresas, vê-se o mesmo triste cenário.

  Se um casal desperta ressabiamentos ou ciumes em outrem, os "amigos" de um ou do outro elemento (por vezes, de ambos) dedicam-se a fazer circular bisbilhotices e falsidades no intuito de desmoralizar ou criar desavenças, utilizando muitas vezes como veículo pessoas ingénuas que contam o que ouviram na melhor das intenções.

 Ante situações destas, quem sabe o que quer e para onde vai deve fazer como a tripulação de Ulisses na presença das Sereias: selar os ouvidos e continuar a remar como se nada fosse. Se já se sabe que é truque ou cheira a truque, a pior coisa que se pode fazer é ouvir uma nota que seja. Há que não ceder à tentação da curiosidade, de "saber o que andam a tramar", nem com a  velha desculpa "tenho costas largas mas gosto de saber o que se diz de mim". No news is good news e o excesso de informação nunca atrai nada de bom. 

Se der atenção poderá fazer-se impassível e agir como se nada lhe fizesse mossa, mas "aquela vozinha" fica lá a zumbir e a tirar migalhinhas à sua confiança, além de que ouvir uma vez é um convite para que lhe tragam mais "bombas" do género. Controle-se e faça saber categoricamente que não quer saber de palavras de burro.

 É que elas pode não chegar ao céu, mas incomodam.

2 comments:

Heloísa Paiva said...

Adorei a reflexão!
Estava precisando de uma leitura com mais qualidade, como a sua!
Difícil encontrar alguém que cita Sun Tzu da forma correta, e ainda consegue adaptar o tema para outros contextos.

Como você argumenta no texto, o segredo da vida é saber filtrar. Se levarmos tudo a sério, a gente enlouquece.

É preciso filtrar o que nos faz bem, o que só existe para nos provocar, nos tentar e nos fazer perder o foco. É difícil? Com certeza. Mas é recompensador.

Parabéns pelo texto e reflexão!

Beijos,
Helô, do Vestido do dia

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, Heloísa :)

Fico contente por ter gostado. Acho que Sun Tzu e a estratégia militar se aplicam a inúmeras coisas na vida e é bom saber que mais mulheres lêem a Arte da Guerra...

Se dermos atenção a cada manobra, cada tentação do Capeta...estamos perdidas.

Beijinho

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