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Saturday, July 11, 2015

Lembram-se de quando as pessoas tinham noção do certo e do errado...



...e não se importavam de o dizer publicamente, sem faltar à delicadeza MAS sem receio de serem chamadas "botas de elástico" ou "moralistas"? Quando não se acanhavam de chamar a bicharada pelos nomes, de apontar o preto e o branco sem eufemismos nem relativismos fofinhos?

Se calhar não se lembram de quando isso era a norma - nem eu - porque o costume terá caído em desuso por volta de 1970 e picos, e foi por aí abaixo, por aí abaixo...sendo limitado ao seio das famílias e às rodas de certa intimidade. De resto, inventam-se todas as desculpas para os pecadilhos alheios...pois quem tem telhados de vidro, não atira pedras. Se antigamente a regra era "perdoar quem errou, mas abominar o erro" actualmente o erro é muito desculpável. Ou com pretextos da psicologia, ou com o de "a vida são dois dias".

 Encontrei um exemplo disso numa revista de 1960. No "consultório das dúvidas sentimentais" deu-se a seguinte resposta - sensata bofetada de luva branca - a uma leitora que se lamuriava de sofrer muito por se ter envolvido com um homem casado e pai de família:

"Se sofre, a culpa é sua, pois devia ter arranjado um rapaz livre. Se pensasse bem no que essa pobre mulher e aquela criança sofrem por sua causa, não falaria nunca no «seu» sofrimento. Não queira construir a sua felicidade sobre os destroços da vida de alguém. Volte ao bom caminho. O seu sofrimento acaba, pois a sua consciência fica livre de pesadelos. Creia que o que lhe dizemos é tudo para seu bem...".


E mais nada. Ora tome um merecido raspanete que é para aprender, sua desvairada destruidora de lares. Mas era para o bem dela, sem dúvida!

 Tenho para mim que fosse a mesma pergunta colocada no "consultório" de uma revista actual, a resposta seria algo do género "pense na sua felicidade! O que importa é ser feliz!"...sem nenhuma consideração pelos sentimentos dos outros.

 Agora continua a julgar-se, claro; a maioria das pessoas faz muitíssimo de juiz...quando os pecados dos outros a afectam directamente. Uma mulher enganada dificilmente terá com a rival a mesma "solidariedade feminina" que concede uma conhecida (ou mesmo a uma celebridade) que se envolva com um homem casado: a não ser que seja de uma classe à prova de bala, o mais certo é chamá-la de tudo um pouco, pô-la mais rasa que a lama nas redes sociais, ameaçar vinganças de meter medo.

 Caso contrário, é tudo relativo, cada um sabe de si, tudo é desculpável. "Se calhar o casamento já não andava bem" (e claro, cabe a uma serigaita acabar de o estragar!) etc. "coitadinha, iludiu-se..." (desiluda-se então, que diabo!). 

Quase se podia dizer que há mais compaixão por quem tropeça do que pelas vítimas desses "tropeços". Ou concluir simplesmente que poucas pessoas levam a sério os seus compromissos (e pior ainda, os dos outros).

 Não cai bem dizer em público ou na cara da pessoa que prevaricou "isso é uma coisa inquestionavelmente horrível de se fazer". Nem que seja para o bem dela.

   A mim parece-me que anda tudo ao contrário, não sei o que pensam vocês...

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