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Monday, August 17, 2015

Ordinarómetro, parte II: desmascarar uma serigaita em sete passos


Conforme prometido, aqui fica a continuação do mini guia anti ordinarice. Como saber se aquela rapariga tão simpática é uma interesseira em potencial, ou uma mulher da luta capaz de transformar a vida de um pobre rapaz num pesadelo?
 E para as senhoras: a sua cara metade é um amor, de perfeita confiança, e ninguém gosta de andar a controlar o que ele faz ou não faz, mas...se uma estranha desperta aquela sensação desagradável, se calhar é o seu ordinarómetro a falar mais alto.

Never fear, o detector de serigaitae atiradicis vulgaris nunca falha e existe para servir todas as pessoas de bem. 

Vejamos então a anatomia da espécie, para a identificar em menos de um Credo:

1 - Tem cara disso e ar disso...


É triste dizê-lo (e é sempre um indicador passível de erro, que não convém levar em conta per se) mas lá dizia Oscar Wilde, "só as pessoas superficiais não julgam pelas aparências". Ou como tenho visto escrito por aí, "uma doidivanas até poderá vestir-se como uma mulher discreta, mas nenhuma mulher discreta se veste como uma doidivanas". Não é a roupa que faz o carácter, é o carácter faz a roupa, etc. Em suma, uma mulher apresenta-se, inconscientemente ou não, como gostaria de ser tratada. E a serigaitae pavonis quer alguém que trate dela, ponto; nem que seja mal. Trajes muito reveladores e de aspecto duvidoso não indicam nada de bom - no mínimo mostram mau gosto, falta de noção, insegurança e attention whoring e quem sofre disso tudo é provavelmente uma pessoa pouco ética, que pode não hesitar em aproveitar-se de alguém ou interferir no relacionamento alheio. 

Depois há o que se chama "cara de serigaita", pronto. É difícil de definir, mas existe e costuma andar de mãos dadas com poses, caras e boquinhas. Um olhar vazio e "burrinho", vulgo olhos de tubarão, também é um valente sinal de alarme. 

2 - ...Ou não faz vista, mas só porque não pode


Um tipo particularmente perigoso de serigaita é a que não parece ameaçadora porque coitada, não é bonita ou mesmo do tipo "grosseirota, mas vistosa". Esta serigaita toda a vida foi o patinho feio, ou a menina sem graça, demasiado gordita/magricelas e acanhada que nunca teve muitos admiradores, por isso quando muito atreve-se a um decote monumental para sair à noite ou coisa assim. Não é vaidosa, mas só porque tem preguiça ou poucas hipóteses. No máximo, terá olhos de tubarão ou cara de serigaita, mas é preciso estar mesmo atenta (o) para reparar nisso. Faz portanto o tipo sonso, do mais sonso que há. O perigo da serigaitae sonsae é que ela muitas vezes está sossegada, insinuando-se discretamente até um ser do sexo masculino lhe dar dois dedos de atenção. Então fica histérica de felicidade, nem que essa atenção tenha sido de simples cortesia, que o rapaz seja comprometido ou esteja muito fora do seu alcance. E agarra a "oportunidade" com unhas, dentes, pés e todas as artimanhas que assistem às serigaitas veteranas (já lá vamos). Perde toda a noção da decência, torna-se uma lapa e faz justiça ao mito "as raparigas sem graça esforçam-se o triplo". Quando se dá pela serigaitae sonsae, o estrago pode ser irreparável.

3 - Viva a iniciativa, o simplex e a marcação cerrada


 Uma pobre serigaita desconhece que mais vale ser desejada do que aborrecida; nunca aprendeu a bela arte feminina de se deixar cortejar, nem que quando uma mulher se atira à cara de um homem, o mais certo é acabar aos pés dele. Cresceu, coitada, a acreditar nas séries, nas telenovelas e em certas revistas, que recomendam que o caminho para o coração masculino é mostrar-se tão disponível como um menu do McDonald´s. Se calhar esta comparação é ofensiva para os pobres cheeseburguers, que estão quietinhos na cozinha até alguém os mandar vir.
 A serigaitae atiradicis vulgaris é mais como uma pizza entregue em casa sem que ninguém a encomendasse. Sempre agiu assim e age assim com todos, por isso é uma tolice que um homem se sinta especial com tanta facilidade e solicitude. Ela não está louca pelo rapaz: está louca por arranjar um rapaz. Ou pelo dinheiro/ estatuto do rapaz. Got it?
Ela convida ou faz-se convidada. Se conhece um cavalheiro de Évora e ela é de Braga, no fim de semana seguinte monta-se no carro, numa trotinete, numa vassoura se preciso for e telefona a dizer que está nas redondezas. Se possível, vê se ele a convida para pernoitar lá em casa e se ele viver com os pais fantástico, já ficam apresentados. Bombardeia o coitado com mensagens, finge gostar de tudo o que ele gosta, declara-se antes que ele mostre interesse nela e caso haja a mínima brecha, quando ele dá por si está metido numa grande embrulhada. Nota: caso o homem em causa seja comprometido, isso é irrelevante, ou quase, para que a serigaita tente aplicar a maior parte das técnicas atrás descritas.

4 - No "Like" é que está o ganho

Facebook, twitter, instagram...vieram dar tanto jeito às serigaitas como o Blitzkrieg ao Hitler durante a II Guerra. Afinal, uma serigaita move-se como um tanque, sem ver os obstáculos, as conveniências e as tristes figuras diante do seu nariz. 
Ora, um like ou comentário casual dá-se a qualquer pessoa, se vier a propósito. Mas a reserva feminina aplica-se a todos os aspectos, e o que é demais é moléstia. 

Se uma rapariga coloca desavergonhadamente likes a TUDO, se segue cada espirro que o alvo dá, se trata de marcar território em cada canto da página do infeliz (mesmo em postagens que para ela são chinês) e caso ambos apareçam numa publicação os amigos e a família dela desatem a comentar de modo a incentivar o arranjinho (vulgo "que lindo casal!" quando nada podia estar mais longe da verdade ou "és lindíssima" a despropósito, porque ela até está mais para saco de batatas ou ficou com os olhos tortos) cuidado. 

É muito descaramento junto, e nenhuma mulher bem comportada dá tanto nas vistas. Pior ainda: serigaitas costumam recorrer a esta táctica para afrontar a legítima, se estiverem interessadas num rapaz comprometido. Ou usá-la com especial agressividade se notam que o casal brigou e estão em modo "ombro interesseiro". Muito popular também: a publicação de frases ordinárias, citações românticas e lamechas ou coisas do tipo "a sua namorada sabe que você está solteiro?"

5 - Material girl


Para adivinhar esta não é preciso ser um Einstein. Um homem que tenha estatuto, celebridade, recursos ou um uniforme é um íman para a serigaitae atiradicis vulgaris. Preguiçosa, competitiva, invejosa e sem grande noção da realidade, o seu sonho é arranjar um diabo que a carregue e fazer inveja às amigas. Mesmo que não tenha grande coisa para dar em troca- beleza, classe ou miolos, ao menos. Uma atiradiça só costuma ver as vantagens, as regalias, o protagonismo e os direitos que pode adquirir. Nunca pensa nos deveres que vêm com isso, nem se gosta do homem por trás dos louros. Se se conhecem há dois dias e ela é toda devoção e meiguices, se tenta moldar-se ao papel (ele é diplomata? adopta o "estilo princesa". É jogador da bola? Veste como a Sara Carbonero) watch your back. E já se sabe, uma esposa ou noiva que esteja ao lado de um homem assim convém que o tenha escolhido pelo bom carácter, ou passará a vida a enxotar serigaitae atiradicis vulgaris.

6 - Respeito: zero, estupidez: dez


Toda a serigaita tem um tremendo sense of entitlement. Põe na ideia que quer assentar/alguém bem colocado na vida/o namorado da outra ou simplesmente, apanha uma fixação qualquer por um homem que está para lá de Bagdad e pronto, obceca-se. Não respeita a autonomia de sentimentos nem o ritmo emocional do homem que lhe interessa, não tem respeito por si própria porque toda a vida se ofereceu de bandeja e, se for caso disso, não tem respeito pelos compromissos ou família do alvo. Em suma, não sabe o que é o respeito, a decência, a solidariedade feminina ou a hombridade e se tiver a sorte de tropeçar em quem não se dá ao respeito ou não se faz respeitar, é o fim do mundo e a barraca armada.
 Claro que isto vem sempre acompanhado de uma certa dose de imbecilidade: uma serigaitae atiradicis vulgaris empenhada em pôr o pé em seara alheia nunca pensa "que mau carácter, a dar-me conversa quando tem namorada. Se eu namorasse com ele, fazia-me a mesma coisa".  Pensam antes: "eu sou tão irresistível que ele arrisca tudo por mim". Por isso é que passa a vida a sofrer desilusões, a dizer que os homens não prestam, etc.

7- O fruto nunca cai longe da árvore

As serigaitas não nascem debaixo das pedras (se nascessem, estava o mundo perdido). É preciso uma família igual (ou uma família vagamente decente, mas pouco firme e bastante azarada) para a instruir devidamente (ou pelo menos, apoiar) nas manobras e manhas de uma desmiolada.
A serigaita teve falta de muita coisa na vida, nomeadamente orientação parental e chinelo em casa e já se sabe, "chinelo canta, moral avança". Como o chinelo não cantou, a moral estagnou e uma atiradiça pode ser o passaporte pouco escrupuloso para uma família de interesseiros, ansiosos por colocá-la bem na vida, ou simplesmente uma dor de cabeça tão grande que os pais estão desvairados para arranjar quem a ature, por isso entram em modo Kardashian. Enquanto uma família normal trata um pretendente com a devida prudência, os parentes de uma serigaitae vulgaris fazem de tudo para forçar intimidade, para cativar um rapaz que lhes convenha, mesmo que o cavalheiro nem sonhe que está a ser "pretendido".  As insinuações e familiaridades excessivas online (ver ponto 4) são uma versão moderna, mas a táctica repete-se desde a noite dos tempos: convidar o rapaz para jantar ou para uma estadia despropositada com a família, muita graxa, palmadinhas nas costas, toda uma adulação abjecta e quando o pobre dá por si, dão-lhe o golpe do baú ou outro pior. A falta de dignidade corre no sangue, por isso a serigaita pode ser um produto do meio e da genética...


Moral da história: como foi dito atrás, esta espécie não sobrevive perto de quem se dá ao respeito ou se faz respeitar. Aplicar um  ou outro, consoante o caso ou a gravidade - e manter uma distância preventiva - são as únicas garantias de jamais ser incomodado (a).



1 comment:

Lingua Afiada said...

Excelente texto, muitos homens deveriam lê-lo já que a maioria das mulheres tem um radar especial e basta olhar para as serigaitas para as topar a léguas, mesmo quando o tentam disfarçar a todo o custo.
A mim a espécie que me tem causado mais nervos são mesmo os esforçados sociais, pessoas que estão sempre a tentar brilhar, constantemente a tentar fazer rir e a rir, a tentar agradar, a tentar por todos os meios não cair no esquecimento, que se auto convidam para tudo o que é evento e passam a vida a bajular.
E depois fazem mexericos, falam mal de todos nas costas uns dos outros e colocam as pessoas de mal só para se saírem bem.
E comentam tudo quanto é publicação nas redes sociais com os mais altos elogios, esforçam-se tanto que cansam.

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