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Monday, April 11, 2016

Dicionário de serigaitês para leigos na matéria




Há dias acharam graça a que eu, remetendo para este texto, falasse em "verbos serigaitos". A verdade é que serigaitas e flausinas têm não só um léxico próprio, como uma série de tácticas de guerrilha, personagens que só existem no seu universo e actos ou efeitos disto e daquilo.

Pensemos nisso como um mundo paralelo com a sua própria linguagem: estilo universo de Tolkien, mas em mau.

 E quem está de fora precisa de um bom tempo para perceber tanto as algaraviadas, como a sociologia da coisa. Depois de termos analisado a fundo o fenómeno em 14 passos, e de vermos como desmascarar uma serigaita em 7,  aqui fica outro humilde estudo antropológico  - amador, pois como já disse nem pagando a peso de ouro convém aproximar-se muito da espécie para uma investigação mais profunda. 

Os dados obtidos baseiam-se quer na observação (nomeadamente, à distância segura das redes sociais) quer em entrevistas junto de turistas incautos que tiveram o azar de conviver com- ou ser envenenados por - uma ou mais serigaitas.

Ora vamos lá criar um dicionário...

Nota*1: para melhor compreensão, usaremos as abreviaturas *dupps* (de uso pelas próprias serigaitas), nas expressões que as visadas empregam, e *upcs* (usado para caracterização das serigaitas) para os termos utilizados por investigadores (sim, há mais quem se debruce sobre o tema) no estudo do bicharoco.

Nota*2: Os termos de baixo calão que as criaturas usam para se referir às rivais ou aos homens que cobertos de razão as tratam mal não constam desta lista, por razões óbvias. É que o amor à ciência é muito lindo mas tudo tem limites. Deixo isso para um estudioso mais ousado e desbocado.


Pois então... comecemos:


Amancebado*upcs* : vulgo amasiado. Carinhosamente tratado por "môr" ou "o meu homem". Geralmente é o protagonista de um relacionamento casual em que, depois de muita escandaleira, promiscuidade e esquemas de parte a parte, a serigaita acaba por "dar a volta" ao "pintas" em causa, transformando a curtição em namoro amplamente divulgado nas redes sociais e eventualmente, tumultuosa união de facto. Com muita, muita sorte, pode dar em casório com direito a vestido de suspiro, "migas" vestidas de poliéster berrante cor de rebuçado a esgatanhar-se pelo bouquet e bolo de cinco andares- união legal igualmente de curta duração, mas mesmo assim o sonho de qualquer serigaita.

Amiga*dupps* : amiga colorida. Qualquer serigaita é uma das muitas "amigas" de Carlões e pintas, seus companheiros inseparáveis. Nenhuma destas "amizades" é em modo fraternal e desinteressado, of course.

Amiga do alheio *upcs*: condição inerente à esmagadora maioria das serigaitas, e inevitável caso entre em desespero. "Ele é comprometido, mas não está morto", pensam elas, e aqui vai disto.




Amigo*dupps* : amigo colorido. Quase sempre em modo "deixa ver se este me assume". E frequentemente (ou com sorte) futuro amancebado e/ou futuro pai de um "príncipe" ilegítimo (ver "príncipe" mais adiante). Quase sempre é um Carlão ou Ricardão.

Amoro-te*dupps* : conjugação do verbo serigaito amorar, que só as serigaitas entendem. Mistura de amar e adorar - acho! Diz-se às amigas - perdão, "migas", já lá vamos - aos pequenos ilegítimos e aos amancebados.

Apetece-me*dupps* : muito usado em memes sujos para atrair engate. É como quem diz "estou desesperada".

 Ao rubro*dupps* : expressão um pouco démodé, que significa pândega da grande. Antes da era da selfie, qualquer serigaita digna dos seus stilettos com brilhantes a acrescentava a todo o retrato tirado na noite, como quem diz "eu aqueço qualquer ambiente". Era Coimbra ao rubro, Porto ao rubro, tudo ao rubro e fé em Deus. Julgo que algumas da velha guarda ainda o dizem.


  Arrasar*dupps* : verbo serigaito imprescindível. Uma serigaita, se vai a algum lado, é para arrasar. Acha ela, vá.

Balcão*upcs*:  não que hoje em dia trabalhar ao balcão seja sinónimo de pouco miolo (as coisas vão como vão) mas continua a ser uma ocupação preferida por serigaitas que não gostam muito de estudar e/ou que ainda não tiraram, ou não querem tirar, nenhum curso que implique limar unhas ou lavar cabeças. Seja o balcão de um bar pouco distinto (bom sítio para ver as serigaitae pavonis em todo o seu esplendor) ou de qualquer lojinha de esquina ou loja de shopping (excelente para tropeçar numa serigaita que faz de mulher séria, trabalhadora e que sai pouco à noite mas faz trinta por uma linha na mesma). No último caso, estar tanto tempo de pé à espera da freguesia permite-lhes gastar o seu horário laboral nas redes sociais, deitar o olho a algum cliente ou namoriscar seguranças/colegas que trabalham nas outras lojas, etc.

  Bares da cachaça *dupps/upcs*: a par com os "estúdios de dança" e ginásios duvidosos  e ex aequo com os nail corners e outros salões de beleza da esquina, o melhor lugar para encontrar serigaitas da espécie mais óbvia, quase sempre seminuas fora uns farrapitos de lycra, em avançado estágio de rebolation e de embriaguez, kizombando como se o mundo fosse acabar (e olhando para tal espectáculo, quase se pede que o Apocalipse venha depressa...).

Barraca*upcs*:  este define muita coisa. Pode ser o ambiente geográfico ou de educação ordinário em que a serigaita cresceu (e que nunca sairá de dentro dela, por mais que a criatura realize o sonho abrasileirado de "se dar bem") ou o acto ou prazer de dar barraca em tudo. Se namora, casa, separa, uma serigaita nunca é discreta. Largou o amancebado? Tem de aparecer logo, de imediato, a jurar amor eterno a outro, ameaçar tareia numa rival ou publicar no facebook as indirectas mais dramáticas que conseguir arranjar, toda ressabiada. Com os amigos a comentar "até a barraca abana". É muita barraca junta, portanto.

  Brilhar*dupps* : idem. Ver mais aqui. Muito usado em tatuagens escritas em mau inglês. E empregue tanto no sentido figurativo como em brilhos nas unhas/no nariz/nos dentes, lantejoulas na roupa, caderninhos de notas brilhantes, and so on. Imprescindível ainda nos anúncios de qualquer salão de manicura: "unhas que a fazem BRILHAR". Façam uma pesquisa no Google e verão, não se fiem em mim...

Cafadjestxi *dupps* : cafajeste, vulgo pulha. Geralmente as serigaitas preferem um termo de calão bem português que designa gado caprino do sexo masculino e que não seria próprio colocar aqui.  Para elas, cafadjestxi não significa o mesmo que para as pessoas comuns: é qualquer homem que não assuma uma serigaita, ou que prefira aproveitar-se de várias, seja nas costas seja do modo mais frontal possível, vulgo "nunca te enganei". Ou ainda um marialva que, embora valdevinos, tenha o resto de decência de subscrever a velha máxima "um homem pode andar com uma galdéria, mas jamais a leva a casa para conhecer os pais". 



Capitão Salva Galdérias*upcs* : ou o mais categórico Capitão Salva P***.., que não é decente escrever com todas as letras. Do inglês "Captain Save a Hoe". Homem banana que assume um compromisso sério com uma rapariga de mau porte, quase sempre depois de uma relação casual em que "vai caçar e sai caçado".  Quanto maior o número e frequência da convivência com a espécie, maiores as probabilidades de até o mais cínico e experimentado D. Juan vir a sofrer deste complexo. Ou porque a serigaita em causa se faz de inocente, em modo serigaitae sonsae,  ou de vítima, aproveitando um momento de insegurança/solidão/crise existencial do rapaz,  ou por um complexo masculino de cavaleiro andante trouxa (nos casos piores, em que o homem lhe sabe a crónica toda mas acha que consegue fazer dela uma "mulher séria"). Ver mais aqui e aqui.

  Carlão*upcs* : o mesmo que Ricardão. Pintas e engatatão, "amigo" óbvio de qualquer serigaita.  Rapaz musculado, de gel no cabelo, bimbo de ginásio, por norma segurança nas horas vagas.

Cavalões*upcs* : serigaitas ruidosas e barraqueiras, especialmente se forem altas, encorpadas e grandalhonas.
 

Ceroulas do demo: vulgo leggings. Peça de roupa indispensável, já amplamente discutida por aqui


Divórcio*upcs*: um mal dos nossos tempos que transcende camada sociais, mas creio que a serigaitada contribui muitíssimo para a estatística. Geralmente processa-se assim: uma serigaita lá casa com um Carlão depois de muita amizade colorida e eventuais crianças fora dos laços do matrimónio. Faz-se a festa com véu, grinalda e tudo, mas old habits die hard e ou o Carlão engana a Suze Priscila ou a Suze Priscila, depois de anos atrás do Carlão, decide dar uma volta com o Ricardão, às vezes na própria noite do casório (esta não inventei, juro, conheço casos). E zás, as coisas desfazem-se do mesmo modo que se fazem. Isto para não falar nas serigaitas destruidoras de lares e amigas do alheio. Vade Retro Satana.

Drama *upcs/dupps* : ver barraca.

Duckface*upcs/dupps*: Em todas as selfies, com legendas a dizer "beijinho bom". Ok, preciso de fazer uma pausa *blhec*.

Faroeste: o que as serigaitas pensam que isto é. Lá dizia a cantiga, no faroeste andava tudo nu, com uma pena de pavão na mão, etc.

Flausina *upcs*: serigaita que posa de muito feminina, muito delicada (por mais brejeira que seja e por mais rude que fosse o berço) que "ama" cor de rosa e brilhinhos e coisas fofinhas, cheia de chiliques e que adora fazer-se de burrinha, embora seja bastante chica-esperta quando lhe dá jeito. Ver mais aqui.



  Fuchsia-serigaita*upcs*: vide Rosa Serigaita.

Glamour*dupps*: tão imprescindível como "brilhar". Termo empregue na publicidade a qualquer salão de unhas/cabelo, loja de roupa, discoteca ou empresa de eventos cujo público-alvo sejam as serigaitas.

Gata (o) *dupps*: termo brasileiro que serve de elogio às "migas", amancebado ou "amigos".

Golpe*upcs*: seja o golpe  do "dar a volta" (ir ficando e rebaixando-se para que um relacionamento casual com um "amigo" se torne assumido, mas não necessariamente exclusivo) ou do baú ou da barriga, que dispensam explicações.

Gostoso (a), gostosona/gostosão, etc*dupps*: palavra tão brejeira como multifacetada. Serve para elogiar as migas, o "môr" ou os "amigos" e Carlões, fora sabe-se lá as "utilidades" que a gente normal e decente desconhece.



Guerreira*dupps*: serve para tudo, desde a serigaita que é mãe solteira e deixa o filho com a avó para não faltar a uma festa da kizomba à que trabalha como stripper em busca de uma vida melhor. Intitular-se "guerreira" desculpa tudo, justifica tudo, santifica os piores pecados. Ver mais aqui.

Indirectas*upcs*: frases feitas e foleiras usada nos social media para auto elogio na terceira pessoa (e.g:"ela é forte, ela é guerreira") para dar tacadas ou avisos às rivais, às invejosas imaginárias ou para chamar a atenção dos "amigos", a ver se arranjam namoro. Das provocações mais grosseiras ao estilo "beijinho no ombro", ao "raposa que não foi às uvas" (estilo "eu sorrio para ele ver o que perdeu") passando por tudo o que diga ai que eu estou tão bem, ainda bem que me livrei de ti, sem esquecer horrores tipo "a sua namorada sabe que você é solteiro?" há para todas as eventualidades.




Inveja *dupps*: a obsessão da maioria das serigaitas. Ou porque entram em disputas com outras serigaitas e orgulham-se de partir as unhas nisso, ou porque coitadas, gostam de drama e se iludir, achando-se alvo de cobiça.

Kizomba*dupps*: junto com qualquer latinada, brasileirada funk ou hit pop do momento que convide ao roçar de fivelas, é o entretém preferido das serigaitas. Dá para estar com as "migas", usar os farrapos mais sensuais, conhecer Carlões e queimar calorias, tudo ao mesmo tempo. Melhor, só alapar no sofá a ver novelas e a Casa dos Segredos.

Lindona*dupps*: um dos mimos grosseiros que as serigaitas dirigem às "migas",  geralmente nas redes sociais em modo "elogio pesca elogio". Ver mais aqui.


Miga, migas, miguxa*dupps*: Best Friend Forever. Ou uma das, pelo menos até se zangarem as comadres. Ver mais aqui.

Môr*dupps* : Título incontornável que se dá ao amancebado ou até marido (e que se recebe de volta).



Mulher da luta *upcs*: complexo não exclusivo da serigaita, mas comum a todas as serigaitas sem excepção. Define uma mulher desesperada, que toma a iniciativa, anda atrás de um homem, entra em disputas com as outras mulheres da luta e usa muito a expressão "eu vou lutar por ele" ou pior, "vou lutar por este amor". Ver mais aqui, aqui e aqui.

Mulher de trouxa*upcs*: uma serigaita que arranjou um diabo que a carregue mas continua a vestir-se como uma stripper, com a bênção do amancebado ou marido. Ver mais aqui.

Nails: atenção, elas não pronunciam "nails", mas nels. Essenciais para a sobrevivência de uma serigaita. Ou porque fazer nails é o seu ganha-pão, ou porque não vivem sem nail art; quando mais duvidosa, melhor.




O meu/teu homem *dups*: ver mais aqui. Expressão que só deve, a bem da decência, ser dita em privado, mas que as serigaitas usam em público e com orgulho. É que desencantar quem as assuma não é fácil, mesmo que seja à lei da natureza. Quando arranjam há que o publicitar aos quatro ventos.

Ordinarómetro*upcs*: sexto sentido que permite às pessoas de bem detectarem uma serigaita a metros . Ver mais aqui.

Pecado *dupps*: termo adorado pelas serigaitas para efeitos de engate. Referir-se a "sabor de pecado" ou "pecado delicioso" é sucesso garantido junto dos Carlões da vida. Claro que as serigaitas cometem muito pecado junto, mas para elas é uma palavra boa. Go figure.


Pega*dupps*: um dos "insultos carinhosos" para as migas. Afinal, quem diz a verdade não merece castigo. Ver mais aqui e aqui.


Pedro Chagas Freitas*upcs/dupps*: guru das serigaitas que se acham cultas ou inteligentes, e que precisam de citações eróticas babosas e repugnantes para publicar no feicebuque, a ver se o "amigo"(ver acima) percebe a indirecta.



 Periguete: ou piriguete, pirigueti *upcs* Termo do país irmão para a serigaitae pavonis. Geralmente vem acompanhado da designação "popozuda": serigaita vulgar, de coxa grossa e glúteos gigantes, adepta do look favela. Promíscua, oferecida e "baladeira" (ou seja, vai a todas as festas pouco recomendáveis). Quase sempre é interesseira.

Poliéster*upcs*: quem diz esse, diz lycra, acrílico ou qualquer outro sintético, de preferência brilhante e coleante. Usado em leggings. mini vestidos e até malhas ou túnicas para as serigaetae sonsae. Não é que comprem de propósito, porque assim como assim não distinguem; mas estes materiais compõem 90%, no mínimo, do seu guarda roupa #sopoliester .



Príncipe, princesa *dupps* (meu/minha): elogio de eleição quer para as "migas" quer para se referir aos filhos, sobrinhos ou filhos das amigas. Quase sempre todos eles bastardozinhos bebés rechonchudos e malcriados encomendados fora dos laços do matrimónio, fruto de "amizades" casuais com pintas e Carlões.

Rapariguinha do shopping *upcs*: canção profética (1980) do nosso Rui Veloso, que explicava a vida e mentalidade da serigaita alpinista que trabalha ao balcão.

(Cor de ) rosa-serigaita *upcs*:  um tom rosinha pálido ou rosa-plástico. Muito usado em gloss de lábios que dá um ar adoentado, mas também em roupas de poliéster, acessórios, unhacas e objectos de decoração: nem os enfeites de Natal escapam. O Fuchsia-serigaita também é muito popular.

Selfies na casinha *upcs*: passatempo preferido. What´s not to love? Permitem exibir-se com trinta camadas de filtro, pouquíssima roupa e EM SIMULTÂNEO, mirar-se ao espelho. Com vista para a retrete (perdão, "sanita" como elas dizem) e se for em casa e não na night, para as toalhas sujas e a desarrumação do dia anterior.


Serigaitae atiradicis vulgaris*upcs*: serigaita carente, mulher da luta, carraça que não percebe quando um homem não está interessado, ou já não está, ou nunca esteve, ou nunca quis nada sério.


  Serigaitae pavonis*upcs*: ou serigaitae espaventosis.Tipo mais vistoso de serigaita- provocante e vulgar, daquelas que não enganam ninguém. Mais aqui e aqui.

Serigaitae sonsae*upcs*: serigaita pouco atraente que usa a táctica do urubu, ou serigaita de aspecto baratuxo mas normalíssimo que se vale da táctica da mulher séria. Ver mais aqui.

Serigaitae mouca*upcs*: serigaita que se faz de surda. Do género que lhe dizem "não ando à procura de nada sério, só quero divertir-me contigo e com as mais que vierem" e ela faz orelhas moucas, fingindo que se rebaixa a essa "honrada" situação, na tentativa de dar a volta usando a táctica do dealer, do golpe do baú ou do golpe da barriga.


Sorrir *dupps*: em português ou inglês. Acto ou verbo preferido das serigaitas. Ainda que os dentes não devam nada à beleza. De preferência um sorriso estilo hiena, com um olhar burrinho e acompanhado de gargalhadas histéricas. Que mostre bem a dentadura e o aparelho com brilhinhos. Serigaitas adoram arreganhar-se e publicar/tatuar frases sobre sorrir sempre porque se chorarem de noite pelo sol as lágrimas não lhes deixarão ver as estrelas, mesmo que lhes apeteça mesmo é arrancar as extensões da Priscila à unhada ou destruir o carro tuning do Carlão.

Táctica do dealer *upcs*: um dos movimentos mais perversos e mais utilizados. Basicamente (e sem querer entrar em detalhes sórdidos que isto é uma casa decente) trata-se de uma mulher que é do mais fácil que há - e se faz da versão carinhosa da Samantha Jones. Não porque enfim, seja de sangue apaixonado e pouca virtude, mas apenas para agarrar um incauto que a ature. Uma vez viciando o pobre coitado, que julga que encontrou ali um conchegozinho muito picante, e pilhando-se num relacionamento, a serigaita congela como um pinguim e não há nada para ninguém. Nem carinho, nem malandrice, nem sequer o mínimo cumprimento dos deveres ou cuidado com a imagem. Dali a ficarem em quartos separados (como quem diz) é um ápice, e olhem que isto não é raro, nem um bocadinho.


Táctica da imitação*upcs*: muito usada por serigaitas que são, simultaneamente, alpinistas sociais. Ver mais aqui.



 Táctica da "mulher séria"*upcs*: variante da serigaitae sonsae. Uma serigaita que é tão vulgar e oferecida como as outras, veste tanto poliéster como as outras e tem a mesma falta de princípios, mas tenta fazer-se passar por um bocadinho mais feminina e discreta, com o único intuito de arranjar um pobre diabo que a carregue.  Quando arranja, revela-se geralmente egoísta, preguiçosa, infiel e mais gelada que um Cornetto (ver táctica do dealer) . Enquanto uma serigaitae pavonis ou espaventosis é o estereótipo da periguete (coxa grossa, mini vestido de lycra, saltos de stripper, nail art de meio metro) uma serigaita que use a táctica da mulher séria parece mais...normal. Geralmente usa o cabelo preto graxa esticadinho ou louro queimado, mas as unhacas podem ser menos coloridas, as leggings menos evidentes e as roupas, embora reles, são menos "sensuais". Ver mais aqui.

Táctica do urubu* upcs*: também conhecida por táctica do ombro interesseiro. Quando uma serigaita faz de confidente e amiga de um homem, geralmente comprometido, em quem está interessada. Ver mais aqui.


Tatuagens duvidosas* upcs*: ver mais aqui. De tigresse, de plumas, com dizeres fofinhos, um tramp stamp...para fazer pendant com o piercing pequenino de brilhos na asa do nariz e com o aparelho com brilhos nos dentes.




Tigresse *upcs*: Padrão favorito, a usar tanto em roupas sintéticas como em tatuagens mal feitas.

Trouxa*upcs*: o sonho da serigaita. Um rapaz/cavalheiro ingénuo, ou chico esperto com azar (ver Capitão Salva Galdérias) que a assuma ou melhor ainda, case com ela com direito a bolo de três metros, vestido de suspiro com corpete de cabaret, véu de catedral e books pós casório com o noivo a levantar as saias da noiva ou o casalinho a fingir que voa.



Zoeira/Zueira Esta tem duas definições possíveis. A avó chamava "zoeira" à histeria, maluqueira, galdeirice. Ou seja, ao comportamento serigaito. Mas para os brasileiros, zueira ou zoeira é fazer troça impiedosamente: e para isso, poucas coisas são tão férteis como o mundo das serigaitas. Tudo na vida tem alguma missão e utilidade, e a das serigaitas é decerto ser material para escárnio & maldizer *evil smile*.




5 comments:

maria madeira said...

Sissi, ler este post foi o melhor que me poderia ter acontecido num final de um dia daqueles para esquecer. O sentido de humor que existe no texto é qualquer coisa de muito bom :))

Imperatriz Sissi said...

Que bom, Maria :D Muito obrigada :)
Tudo tem um propósito na terra, e o das serigaitas deve ser "animar a moral das tropas". Beijinho.

Ana Duarte said...

Muito engraçado, parabéns Sissi. Isto existe mesmo? Quer dizer na vida real/dia-a-dia, fora das redes sociais, reality shows e afins...Permita-me este parentesis, para quem não priva nem conhece de perto, até me parece estar bem informada:) Uma sugestão: brindar-nos com um post sobre a versão masculina da serigaitae vulgaris, com direito a homem de trouxa (...que las hay...).

Imperatriz Sissi said...

Ai Ana, ao escrever calculei que me fizessem essa pergunta, mas arrisquei mesmo assim. Graças aos céus o meu conhecimento vem sobretudo, como indiquei no texto, das redes sociais a uma distância segura e daquelas estórias que se ouvem de um conhecido-de-um-amigo. Infelizmente as coisas estão cada vez mais democráticas e as serigaitas acabam por ter entrada franca mesmo junto de gente decente, por isso acaba por haver material para estudo. Garanto que isto existe e que não exagerei nem um bocadinho.

Joana Rôxo said...

Normalmente escrevem "o meu princepe". Uma vez li uma desabafo de uma serigaita que engravidou de uma relação notoriamente problemática (diz que ele já lhe tinha batido) e eu disse-lhe que ela não era guerreira, apenas burra. Insultaram me, mas dei lhe um banho de realidade.

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