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Tuesday, May 23, 2017

Que tal a escova Tangle Teezer?



De há uns dois anos para cá, as escovas Tangle Teezer (criadas por cabeleireiros para escovar o cabelo sem o partir, mesmo molhado) andam por aí nas bocas do mundo.
 As consumidoras usaram, aprovaram e daí a cada marca criar a sua versão foi um pulo.

 Eu costumo dar sempre algum espaço às novidades antes de aderir feita taradinha-canta-monos, mas fui experimentando uma aqui outra ali e devo dizer-vos que estou encantada  - apesar de o senhor meu marido não entender a minha obsessão por essas "escovas para póneis".

 Comecei por ter algumas de outras marcas (aqui em Londres estão por todo o lado), de vários tamanhos, umas de cerdas mais rígidas, outras mais flexíveis, umas com cabo e outras sem. Entretanto, curiosa para saber se o produto original seria realmente melhor, lá comprei uma Tangle Teezer à séria, oficial, com pedigree. 

Resultado: não noto diferença de maior relativamente às restantes de cerdas firmes. Acho que não haverá grande ciência no fabrico da engenhoca- mas o conceito é excelente! O formato côncavo é super ergonómico, para começar. Depois, juro-vos que pentear depois do duche me leva UM terço DO TEMPO...e com zero cabelinhos quebrados ou puxados. 




Além disso, como vos contei, agora uso muitas vezes o cabelo preso com laca, ganchos, ripado, eu sei lá- ...e ao final do dia costumava ser um sarilho escovar sem causar danos nem arrepelões. Com uma Tangle Teezer, desembaraça-se tudo num instantinho. E de manhã? Quem tem alguma ondulação no cabelo sabe que a almofada faz das suas. É um bruxedo manter o brushing e com as escovas e pentes comuns, por vezes no final da escovagem fica de tal modo bagunçado e cheio de electricidade estática  que mais vale lavar, hidratar e repetir o processo. Mas com estas belezas, não...duas escovadelas e o cabelo parece acabadinho de esticar.

Já nem falo nos benefícios para quem tem crianças. Quando eu era pequenina, pentear as minhas lindas e longas madeixas era um verdadeiro pesadelo (por fim a mãe lá desencantou um modelo de escova que cumpria sem magoar tanto, mas eu teria dado todas as minhas Barbies -quase todas, vá- para arranjar uma Tangle Teezer.)

Moral da história- se ainda não aderiram,  recomendo que comprem uma maior, para ter em casa (as de cabo são maravilhosas) e uma pequenina para andar convosco, O que poupa de incómodos não está escrito em lado nenhum e o que se quer é novidades que nos salvem tempo, maçadas, puxões e criancinhas a berrar "não me penteiem!!!EU QUERO SER CARECA!!!" (peripécia verídica, um dia conto...).

#triedandtrue #approved #goforit

Saturday, May 20, 2017

Os Brians da vida




Sabem o cachorro Brian da série non sense "Family Guy"?

  A personagem é criada para ser irritante e está muito bem pensada.

Apesar de ser um cão com hábitos de gente, representa lindamente o típico hipster liberaloide esquerdoide pseudo intelectual e pretensioso de serviço. 

Sempre pronto a aderir a todos os modismos, a defender o politicamente correcto, a dar-se ares de grande autor incompreendido, a fumar cigarros que fazem rir, a gastar o tempo na Starbucks a fingir que escreve em vez de trabalhar, a ir com as modas e as conveniências (é assim uma espécie de Dantas dos nossos dias) e a fazer-se de feminista, mas só porque isso lhe dá jeito para somar engates com fêmeas (passe o trocadilho) fáceis e tolas. É um Pedro Chagas Freitas em potência, mortinho por arranjar um best seller baratuxo que simultaneamente seja básico e romântico que chegue para vender junto das solteiras desesperadas, mas elitista que baste para lhe render uns prémios literários.


É o suposto "feministo": defensor efeminado das mulheres que vai às manifestações feminazis para fingir que simpatiza com a causa, que os homens são todos uns badalhocos e que se penitencia muito por isso, que até berra "tenho vergonha de ser homem - cambada de suínos chauvinistas" . E depois vai-se a ver (como se não fosse mau que chegue alinhar nbesses extremismos malucos) só lá está armado em queriduxo e sensível para arranjar conquistas descartáveis, isto quando até já não tem umas queixas na polícia por espancar a ex namorada a quem gastava o dinheiro todo (vejam aqui a notícia, eu não invento nadinha). É mais parvalhão que os típicos parvalhões todos juntos - e ainda por cima, fingido.


É um misógino de primeira a quem falta a coragem de ser abertamente machista. Afinal ser muito moderninho é o refúgio do macho beta, já que não se consegue sair bem de outra maneira.

Ora, a personagem lá vai fazendo das suas passando por ser "um tipo porreiro" que não traz mal ao mundo. Mas houve um episódio a que achei mesmo piada. O cão, que supostamente se dá bem com todos e até passa por ser o menos doido daquela casa de doidos, não conseguia que o depravado Quagmire simpatizasse com ele. E em boa verdade, à primeira vista Quagmire não é pessoa de quem se queira ser amigo. É um Charlie Harper da vida, um engatatão, um libertino, um desmiolado que usa as mulheres como quem gasta kleenexes, embora no fundo suspire por encontrar o amor da sua vida.

Ora, depois de fazer um enorme esforço para ganhar a amizade do vizinho e de ver que não tinha sorte nenhuma, Brian confronta-o: afinal, porque é que me detestas?


E o outro responde muito bem (mais coisa menos coisa, não decorei as deixas): "porque tu és um maçador, um hipócrita, um "social justice warrior", um poeta da treta que finge amar as mulheres pela sua alma, quando na realidade só quer dar umas voltas e sumir na manhã seguinte. Eu faço muita asneira, não sou exemplo para ninguém mas só cai quem quer... ao menos sou honesto!!!".

E tem carradas de razão. Um homem que erra, mas assume os seus erros, as suas rapaziadas pequenas ou grandes, que não tem grande respeito pelas mulheres (ou por certas mulheres) mas não engana ninguém e na hora H até faz por emendar-se, vá que não vá. Até Santo Agostinho foi um doidivanas mas teve remédio e lá está nos altares. Mas um que vive no país das maravilhas, um biltre que faz outro tanto e até pior mas é cobarde e anda por aí a passar por santo de pau carunchoso? Desse ninguém faz nada, e ainda por cima é um maçador de primeira água. 

O pior pit bull é o que morde pela calada, todo o mundo sabe disso. Os que fazem muito barulho é só uma pessoa passar de largo e pronto. Tenham juízo e evitem os Quagmires como a peste, mas fujam dos Brians com o triplo da velocidade. Mal por mal...

Friday, May 19, 2017

As coisas que eu ouço: com esposas destas...





No ano passado uma colega de profissão, personal shopper numa elegante loja de departamento no centro de Londres, contou-me uma história que me ficou. 

Antes de mais deixem-me dizer-vos que mesmo no nicho de luxo um personal shopper e/ou stylist encontra vários tipos de clientes. Há o dinheiro velho, o dinheiro novo, os magnatas do petróleo, o cliente que vive dos rendimentos, a aristocracia, a princesa árabe, o multimilionário, a celebridade, o profissional liberal bem pago, a mulher de carreira que poupa o seu dinheirinho extra para comprar uma carteira extravagante...

Tudo perfis diferentes com prioridades, gostos e orçamentos distintos. A essa minha amiga calhou-lhe certo dia uma senhora muito expansiva que não se calava com a sua nova casa em Miami, que estava a redecorar enquanto o marido corria mundo a tratar dos seus negócios. Naturalmente, a minha colega assumiu que se tratava de algum milionário da banca ou das novas tecnologias, desses para quem fazer mais dinheiro é puro passatempo e não uma necessidade. E no decorrer da conversa habitual nestas situações, lá lhe perguntou, querendo ser amável:

- É uma pena o seu marido não a acompanhar à América...deve sentir imenso a falta dele, não?

Responde a senhora, com o maior à vontade:

- Oh! Ainda bem que ele se ausenta tanto! Se ele não trabalhasse tanto assim, não poderíamos ter todas estas lindas coisas...


Moral da história: o pobre homem não era assim tão abastado, e lá se andava a esfalfar para satisfazer os caprichos da tonta da esposa, que fazia lembrar aquela cantiga dos Mamonas Assassinas: mas a pior de todas é minha mulher/ tudo que ela olha a desgraçada quer. E o pior é que conheço outros casos, até da classe média baixa, da pequena burguesia remediada, em que a mulher se porta exactamente da mesma maneira: o desgraçado a estafar-se no supermercado ou na fábrica, e a vaidosa de uma figa ansiosa para o despachar para comprar o último grito em  tupperwares, ter um carro igual ao da amiga mesmo que não lhes convenha ou manter as unhacas de gel. 

E o inverso também sucede: mulheres que , sem que seja preciso, se focam apenas na carreira e dsleixam o resto, para ostentar isto ou aquilo.
Isto porque, trabalhe a mulher ou fique em casa, o orçamento familiar é o orçamento familiar. Não mudou com a alteração de papéis...
 

Este egoísmo faz-me muita impressão - cresci rodeada de exemplos de casais que não se podiam ver um sem o outro. E apesar de achar que marido e mulher devem apoiar-se mutuamente para alcançar objectivos, em modo "por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher, e vice versa"; embora creia que é maravilhoso que um marido mime a cara metade dentro das possibilidades com as miudezas que o mulherio tanto aprecia... haja prioridades. A uma mulher apaixonada, até a mera separação pela manhã é suposto custar.
 É certo que há por aí casórios por toda a sorte de motivos -e casamentos "de razão" que até resultam - mas escapa-me como é que uma mulher põe coisas, tralhas, bugigangas,  à frente do bem estar e da saúde do marido, à frente da felicidade conjugal, da harmonia familiar e da paz doméstica. Já bastam os sacrifícios e as saudades que não se podem evitar, quanto mais!
 Se uma mulher não se casa com um homem para o adorar, para o fazer feliz, e receber outro tanto de volta, melhor faria se estivesse quietinha. Se não sente a falta dele dele, talvez não devesse ter casado. Bem diz a Bíblia e com razão, que a mulher virtuosa é difícil de achar, vale mais que rubis e edifica a casa, enquanto a mulher tola a destrói. Depois corre mal, e bem que choram e se queixam e vão à cartomante tentar resolver os problemas que elas próprias criaram. #ohmulhertenhajuizo


Monday, May 15, 2017

O Salvador (do traumazinho) da Pátria.





Acompanhei muito pouco  Ídolos, mas no pouco que segui simpatizei muitíssimo com os irmãos Sobral. No meio de todo aquele circo, ali estavam dois miúdos discretos, bem educados e de boas famílias que vinham apenas para se divertirem a fazer o que gostavam. Num formato televisivo que vivia muito do pobrezinho, do coitadinho, dos dramas privados dos concorrentes - do "boneco", em suma - aqueles dois nunca fizeram "o boneco". 

Salvador foi mesmo criticado por arrogância e falta de "humildade" - a tal "humildade" que o vulgo português adora sem saber exactamente do que se trata. Humildade ele tinha, faltava-lhe era ser simplório: cada qual é para o que nasce. Se estou recordada, ganhou um concorrente mais "humilde", ao gosto da plateia, mas para o que esses concursos valem em termos de carreira, vitória ou derrota é igual ao litro.



Depois, eu gostava-lhe do nome, Salvador, que é o mesmo do meu trisavô cuja romântica história me influenciou muito- e o nome de Dali-  logo, um dos meus nomes preferidos para homem.


Mas em breve eu deixaria praticamente de ver televisão de todo- e só  graças ao meu irmão, que se interessa por boa música e pelas novidades de qualidade que vão surgindo,  fui sabendo que a mana Luísa tinha ido estudar jazz para fora, que estava a escrever excelentes canções e que o maninho lhe seguia as passadas. Não sendo doida pelo género (há canções de jazz e bossa nova que simplesmente adoro, outras que me dão sono) tenho um respeito imenso por quem não se fia no talento nem na famazinha gratuita. Lá ouvi e achei bonito.

Quando nas últimas semanas se levantou grande sururu nas redes sociais sobre o nosso representante no Festival da Canção, pensei cá comigo " valha-nos que não vamos ser representados por nenhum parolo e que temos uma canção que, aprecie-se ou não, não nos envergonha".




Mais importante-  com uns a gritar "sublime!" e outros a berrar "mata e esfola!" cheirou-me logo a sucesso. Não se pode comprar tanta publicidade! Falem mal, mas falem de mim, lá diz a outra.E acima de tudo, pareceu-me que finalmente- FINALMENTE, SENHORES - os portugueses, os tuguinhas de serviço, tinham deixado de lado a abjecta e servil mania de tentar agradar, de se esfolarem a tentar acertar com a "fórmula" para dar a volta ao Festival da Canção, de tentarem arranjar a Celine Dion de Matosinhos, a boysband de Vale das Couves, a Britney Spears da hora, a Adele à portuguesa ou o Justin Bieber da Brandoa (conforme a época). Foi-se ao festival em modo "levámos o que bem nos deu na gana, o que tinha qualidade e nos pareceu bem - quem gostar gosta, quem não gostar arruma para o lado".



É que nunca houve fórmula. Se olharmos para as canções saídas da Eurovisão que se tornaram um sucesso depois do concurso e/ou que lançaram carreiras (hello, ABBA?) todas elas foram - à moda do seu tempo ou nem tanto - canções espontâneas, bem escritas, que ficavam no ouvido; músicas giras e vendáveis em géneros diferentes. Não eram necessariamente escritas para festival, porque em última análise a ideia é vender a cantiguinha para além do festival. E isso pode ser feito em diferentes estilos, ritmos e línguas, com mais ou menos luzes, efeitos e bailarinos.

 At last, lá perceberam o truque. 



Depois foi o que se sabe, com o povo entusiasmadíssimo como só se tem visto em desafios internacionais de futebol, e a colocar em pé de igualdade Fátima, Benfica e o Festival da Canção, que até parecia que tínhamos voltado ao Tempo da Outra Senhora (o que é surpreendente pois regra geral o nosso querido o povo adora mostrar que é completamente contra tudo isso).



 E o Salvador quase, quase me arreliou por debitar política no momento da vitória em modo Meryl Streep, que eu cá acho que o showbusiness e as ideias de cada um não se devem misturar. E a Meryl Streep, ela que também faz discursos do género, gostou, como não podia deixar de ser, e - milagre dos Pastorinhos e mérito dos irmãos Sobral - elogiou. E o povo, esse delirou porque se há coisa que deixa o português maluquinho é ver o seu Portugal reconhecido "lá fora".  




Mas nada disso é assim tão relevante- afinal, ainda o ano passado Portugal ganhou  um estupendaço torneio de futebol mas passada a festa, o delírio, o "ora toma" geral... continua tudo na mesmíssima. O próprio cantor o disse, porque mais rebeldia menos rebeldia, é um rapaz sensato.

O que me deixa aliviada, o que me tira uma valente embirração de cima, é saber que o público português finalmente fez a sua catarse, enfrentou uma Némesis que, sem ter grandes consequências para a sua prosperidade ou felicidade, era uma grandessíssima pedra no sapato: o enguiço de nunca, nem uma vez só, ter trazido para casa o troféu da Eurovisão. 




Isso era assim uma espécie de vergonhaça nacional, de ressabiamento, de ressentimentozinho envergonhado que criava uma relação de amor-ódio com o certame. Tenho para mim que, por nunca ter ganho o Festival, Portugal se sentia assim um parente pobre da Europa, tolhidinho pelos cantos, a pedir desculpas pela sua presença. Tivesse havido um Salvador mais cedo, e às tantas não andávamos há tantos anos a ser o bombo da festa da União Europeia, com a auto estima em frangalhos.

Agora que já se ganhou mais esta - e com uma canção de gabarito - estou para ver se arranjam mais desculpas para choradinhos. Ou qual é a desculpa que se segue. Em todo o caso, obrigada - tudo o que faça cá a malta parar de se queixar por um bocadinho é um bálsamo para a alma.









Saturday, April 15, 2017

A "mãe dragão" de Elizabeth Taylor





A belíssima Elizabeth Taylor era conhecida por ter um  temperamento explosivo, que contrastava com o seu famoso bom coração- e que não raramente, a levava a fazer cenas em público com o marido do momento.

Muito provavelmente, a "mulher mais bela do mundo" herdou o mau feitio da sua mãe, Sara, uma ex actriz muito mandona que fazia do marido gato-sapato e que, adivinhando na filha a beleza e o talento, jurou fazer dela uma estrela doesse a quem doesse. E conseguiu, mas a que preço! A pobre Elizabeth sofria com os modos de stage mom da progenitora,ansiava por se libertar da "generala". 




E como tantas raparigas com uma relação próxima, mas complicada, com os pais, a solução que achou foi casar-se cedo- com dezoito anos.




Sara até não estava contra a ideia, mas, dominadora como não conseguia deixar de ser, queria por força arrumar Elizabeth com o bilionário Howard Hughes.

 Porém, encontrou na jovem a mais férrea resistência: não e não! Não me importa quanto dinheiro ele tenha, não quero ter nada a ver com ele! - berrava Elizabeth a plenos pulmões. Afinal, ele tinha 40 anos e era um mulherengo de primeira. E antes que a mãe pudesse fazer grande coisa, trocou-lhe as voltas casando com Nicky Hilton, de 23 anos. À primeira vista, não havia defeito a apontar ao noivo, que era um dos solteiros mais cobiçados de Los Angeles: bonito e herdeiro milionário dos hotéis Hilton, fazia com ela um casal amorosíssimo.





 Mas Sara não gostava dele - algo não lhe cheirava bem. E porque as mães costumam ter alguma razão, mesmo as que são autoritárias e intrometidas, a verdade é que a sogra não se enganou. Nicky saiu um monstro: bêbedo, insensível e pior, horrivelmente violento. A Lua de Mel foi um desastre e o biltre não demorou até sovar a sua bela mulher até a deixar estendida por terra. As tareias eram de tal ordem que a infeliz acabou por perder o seu  primeiro bebé. 


Porém, como tantas esposas ansiosas por provar que não se enganaram, a actriz escondia o pesadelo em que vivia da família e dos amigos. Até ao dia em que o bruto teve de enfrentar a sogra- que chegava para ele, e para dois brutamontes cobardolas como ele se preciso fosse...

Sara e o marido tinham convidado o casal para jantar, 
quando os dois começaram a discutir na cozinha. Nicky desatou aos insultos e safanões e Elizabeth,que não era de se ficar, atirou-lhe um bofetão. Ele ia ripostar com o vigor do costume, quando Sara irrompeu na cozinha e lhe gritou: "você, seu filho da.....ponha-se já fora da minha casa, e não volte!!!".




E lá foi o casamento para as urtigas...Elizabeth Taylor quis o divórcio para ontem, e a vontade de se livrar do mostrengo era tanta que até recusou receber qualquer compensação. "Não preciso de um prémio pelo meu falhanço". Terá dito, como se a culpa lhe assistisse! 

A relação com a Sara continuou sempre a ser complexa, mas a verdade é que, não fosse ela estar  na hora certa para lhe dar coragem, a pobre coitada podia ter ido aturando até ao dia em que um empurrão ou uma sova corresse ainda pior do que o costume. Moral da história: uma mãe estilo "padeira de Aljubarrota" pode ser uma carga de trabalhos, mas nunca a subestimem...as mães exageram às vezes, mas ao fim e ao cabo lá têm os melhores interesses dos filhos em mente. Pena que se exprimam mal.



Friday, April 7, 2017

Ó meninas com idade para ter juízo que adoram selfies!





Aprendam que eu não duro sempre, sou muito vossa amiga e quem é amiga avisa, porque a vida não vos vai ensinar com o mesmo carinho.

A longuíssima experiência de muitas destas meninas já as devia ter ensinado, mas nunca devemos desistir de salvar umas almas.



Nada contra a bela da selfie per se: é um mal necessário e um sinal dos tempos. 

Auto-retratos desses, todo o mundo tira: ou porque não há vivalma por perto para fazer o favor, ou porque se queres alguma coisa bem feita fá-la tu própria e ninguém acerta com a luz ou o ângulo exacto que se pretende para mostrar algum detalhe (acontece...) ou para captar um qualquer momento/ paisagem com piada. O selfie stick, admito-o, é ridículo de ver mas foi uma grande invenção: consegue-se tirar retratos com um que ninguém diz que são selfies.


Mas uma coisa é a ocasional selfie que fica perdida lá no instagram de cada uma entre outras imagens.

Outra coisa é uma mulher crescida dos seus vinte e muitos ou trinta e tais anos (quando não é mais), uma adulta vivida, uma balzaquiana com obrigação para ter aprendido com os calduços e os pares de patins... que não só abusa do beicinho + beijinho para a câmara, como posta trinta selfies todas iguais  dia sim dia não como se tivesse catorze anos e nenhum miolo. 




 E depois, a usá-las como retrato de perfil com uma boa visão do decote, trinta camadas de filtro, e - o detalhe que é o golpe de misericórdia- com uma citação melosa, frase filosófica pretensiosa sobre sorrisos, felicidade, vitórias, joelhos esfolados, beijinhos no ombro e beijos de luz.

 Ou pior ainda, com uma frase engatatona e "caliente" a acompanhar o disparate. Tudo para ver se desencalha, se sai dessa solidãaaao.

Primeiro, lá diz a internet que é uma coisa muito sábia: quem posta frases de amor em catadupa passa por assanhada(ou carente) mesmo que esteja só
numa má fase.




Segundo, lá dizem os homens que são uns brutos mas vão direitos ao assunto: cada like masculino que se ganha, é menos um cavalheiro interessado em relacionamento sério. 

E terceiro...se é para colocarem uma legenda na coisa, deixem-se de rodeios, de bater à volta do arbusto e de dourar a pílula com frases pretensiosas de correcção gramatical e sentido duvidosos.




 Mais vale serem sinceras, francas, honestas; a honestidade é sempre refrescante e ao menos destacam-se na multidão de solteironas desesperadas que publicam exactamente a mesma coisa.




Em vez de fazerem copy/paste do Pedro Chagas Freitas, das frases do Cifras, do Larga não sei quem ou de qualquer um desses portais manhosos com textos abrasileirados cheios de palavrões e de artigos deprimentes  do tipo "gosto tanto dele, mas ele só me quer para amiga colorida", poupem os vossos dedinhos e as vossas unhas de gel e escrevam logo "quem quer casar com a Carochinha, que está disponível, mortinha e aflitinha?".


Afinal, com a Carochinha funcionou: o sentido de humor ganha sempre pontos e na maioria das vezes, o marketing directo é o mais eficaz. Sempre às ordens, queridas serigaitas.

Tuesday, April 4, 2017

O complexo Fiona: auto aceitação ou desleixo?


Jennifer Lawrence (a faz- p*retes, campeã dos palavrões, maria rapaz, grosseirona, que- tira- retratos- a- fazer- dos- arbustos- retrete Jennifer Lawrence-) é novamente imagem da Dior. Da ultra elegante Dior. Da super aspiracional, luxuosa e - habitualmente - exclusiva Dior.

Porque será?

Porque Jennifer é, sabem, super relatable. Ser relatable vende. Está imenso na berra, já lá vamos aos motivos. E at the end of the day, mesmo as marcas que se querem mais inalcançáveis precisam de awareness, vulgo dar nas vistas.

Qual é a  tradução portuguesa de relatable? "Empatizável"?  De qualquer modo, aparentemente essa é a maior razão da popularidade da actriz: o público sente-se identificado com a sua linguagem bardajona, com as suas piadas escatológicas, com os seus modos arrapazados.




Obviamente a menina não aparece nos anúncios da Maison Dior a dizer asneiras nem a fazer gestos obscenos: disfarça, quem a visse diria que não parte um prato não fosse pela t-shirt com dizeres feministas (outro termo que vende que nem pãezinhos quentes até se lembrarem de outro qualquer). Mas todos sabemos o que por ali vai.




De igual modo (a Dior estará a tentar apelar à juventude "rebelde" do tipo Morangos com Açúcar?) no último spot do perfume Miss Dior, é a habitualmente bem comportada e mucho classy Natalie Portman que deixa o noivo no altar e foge de helicóptero com um gandim qualquer. Eu vi e pensei "que raio?" E o senhor meu marido, sem que tivéssemos falado no caso, quando pôs os olhos no anúncio a primeira vez, deitou as mãos à cabeça e perguntou se agora, para venderem perfume, era preciso agirem como taradinhas-canta-monos. Realmente!




Já aqui o disse em tempos: longe vai a época em que o público idolatrava celebridades dignas de admiração, que inspiravam pela aparente perfeição da sua figura, da sua beleza, da sua elegância e das suas atitudes, como Grace Kelly ou Audrey Hepburn. Pessoas que podiam não ser perfeitas, como ninguém é...mas tentavam.

Actualmente, a audiência é preguiçosa. Prefere identificar-se a ser inspirada; prefere o grupo de pertença ao grupo de referência. 




Afinal, é muito mais confortável ser fã das indiscrições de Kim Kardashian, das gordurinhas de Ashley Graham ( nada contra um certo protagonismo das modelos plus size, mas a glorificação da celulite cai no extremo oposto; a Ashley, porém, voltarei mais tarde) ou da má criação de Jennifer Lawrence. É muito mais fácil pensar assim do que era, antigamente, tentar imitar a sensualidade elegante de Sophia Loren, fazer por ter as curvas perfeitas de Cindy Crawford ou os modos impecáveis de Jackie Kennedy.




O sucesso de personagens desleixadas e trapalhonas como a Princesa Fiona, de Shrek, Lena Dunham em Girls ou Bridget Jones está aí para o provar. 

Fiona nem tinha culpa de ser uma ogresa- mas no final, acabava por achar mais divertido sê-lo, ter más maneiras à mesa, fazer barulhos desagradáveis, enfim- agir como lhe dava na *literalmente* Real Telha. Ser imperfeita, destemperada ou mesmo ter um discurso cheio de demasiada informação a falar de funções corporais, de intimidades e a tender para o repugnante, é feminista, "empoderador"...está na crista da onda!




 E basta uma rápida volta pelas redes sociais da vida ou pelo Pinterest para notar a quantidade de memes e frases feitas, tão do agrado do mulherio, com ditos do estilo "I give zero f***". Ou seja, "sou malcriada e gosto". 

A palavra de ordem é "tenho mau feitio, aturem-me" , "sou desmazelada, achem-me linda", "sou bêbeda e galdéria, onde está o meu príncipe encantado?" e assim por diante. Vivemos a época das palmadinhas nas costas, dos prémios de consolação, dos troféus de participação. Perdeu-se a noção da fronteira entre a auto-aceitação e o desleixo puro e simples.

Ninguém quer melhorar, ninguém quer ser disciplinada, ninguém quer ter trabalho...e os média, as marcas, cedem: está-se em modo Ad captandum vulgus: 
baixar o nível para agradar ao populacho.

Depois...uma pessoa pensa que, com todas as suas imperfeições, tudo faz para melhorar, para fazer boa figura neste mundo, e interroga-se se será assim uma espécie de exterminador implacável aos olhos da sociedade. Que raio de tendência- oremos para que passe...

Wednesday, March 29, 2017

Não é a defender as pessoas falsas, mas...


...mal por mal, as que têm fama de falsas e atitudes a condizer possuem ao menos a virtude da fineza, de serem um bocadinho educadas. Podem não gostar de nós, mas...sorriem, dão os cumprimentos da praxe e fazem tudo como manda o figurino. E uma vez que regra geral a reputação precede-as (ou já nos escaldaram antes) é só lidar com elas de longe e pronto. Não lhes dando grande confiança, tratando-as com educação e distância profissional, o dano não é grande.



Toda a gente, por mais sincera que seja, tem de recorrer à falta de franqueza diplomática uma vez por outra: quando um colega embirrento mas  de longa data é promovido, quando aquela parente chata se casa, quando o vizinho rezingão está no hospital mais para lá do que para cá. Não é que passemos a amar as pessoas do fundo do coração, mas não custa nada lembrar que todos somos humanos, que no fundo todos andamos em busca da mesma felicidade e que enfim, não lhes queremos propriamente mal nenhum. Manda a civilidade, manda a educação, manda às vezes uma certa superioridade moral de dar a outra face. Lá está, noblesse oblige.






E quem desconhece o conceito de "noblesse oblige" (repito para que entre, mas duvido que funcione) muito mal está. Prova que não só lhe falta berço, chá, modos, mas também um mínimo de bons sentimentos. É uma afirmação de "sou má pessoa e faço questão de o demonstrar".

Pior, muito pior que os Judas, são as pessoas que nem disfarçam o pó, a inveja ou o ressentimento que as remói- ressabiamento esse que muitas vezes surge do nada. Ou que se revela do nada.




 Num dia são muito amigas (depois, vem-se a perceber que andavam ali por interesse ou alpinismo social, enquanto já se remoíam...) no outro são incapazes, virtualmente incapazes, de agir polidamente - já não digo calorosa ou mesmo amigavelmente. 
De um momento para o outro, dá-lhes para assumir que nunca houve ali amizade nenhuma, ou pelo menos assim parece. No fundo, é outro tipo de falsidade: a falsidade com prazo de validade.

Ou seja, a pessoa finge-se muito amiguinha enquanto lhe dá jeito beneficiar das eventuais regalias dessa amizade; ou se calhar, enquanto aguenta esconder o seu complexo de inferioridade, a sua invejita. 




Lá vai engolindo sapos e o próprio veneno: uns dias porque lhe convém apesar de não gostar de viver na sombra alheia (sendo que pessoas assim se acham sempre menos que os outros, ao mesmo tempo que sentem que o mundo lhes deve tudo; vá-se entender). Outras vezes, porque não tem assim tantos amigos e não se pode dar ao luxo de os deitar ao lixo. E às tantas, uma vez por outra, porque ainda lhe resta consciência e lá pensa "não é justo ter raiva de fulana ou beltrano...afinal, nunca me fizeram mal nenhum, antes pelo contrário.". 




Porém, estas reflexões duram pouco. A peçonha, a ingratidão furiosa, o sentimento de "injustiça", o feeling of entitlement de quem acha que tudo lhe é devido e os maus fígados vão borbulhando, borbulhando, até que o caldeirão rebenta. E eis o (a) falso (a) amigo (a) tão raivoso, tão danado, tão ressabiado, que nem de ser educado é capaz.




Desaparece do mapa, como se tivesse sido muito ofendido, e só dá sinal de si se remotamente precisar de algum favor maior que o seu orgulho. Inventa todos os pretextos para alfinetar ou maldizer a antiga amizade. 

E se por acaso o amigo ou amiga tem a ousadia de se sair bem nalguma iniciativa, de ter sorte em alguma coisa - mais uma! Como se já não tivesse tudo de bandeja!- reclama o Judas indignado - e se (que atrevimento, que sacrilégio, que lata) tem a coragem de partilhar a sua felicidade com os que considera amigos, aí dá mesmo um estouro. 




À falta de coragem para dizer na cara do visado "tu irritas-me com a tua boa sorte! Porquê tu e não não eu? Detesto ser teu amigo e só espero que acabes mal!" desata a gabar-se de cada passo que dá, como se tivesse algo a provar. A amiga partilha nas redes sociais uma boa notícia qualquer? 



Vai de postar imediatamente  também qualquer coisa a dar a entender como está feliz com a sua vida, ainda que não esteja. O amigo conta como a noiva o faz feliz? Interrompe-o à bruta para gritar aos quatro ventos as vantagens da vida de solteiro. O colega está a mostrar o carro novo? Sai do local com cara de caso, ou põe imediatamente defeitos.

É capaz de deitar abaixo, de desfazer, de começar numa gabarolice histérica, e dar parabéns? Esperem lá.




Se o amigo casou/ganhou/herdou/escapou de algum problema grave, o Judas vai destacar-se por ser o único a fazer questão de escapar às felicitações. E faz pior ainda: se pelo contrário o amigo está na mó de baixo, eis que o Judas declarado nem é capaz da hipocrisia de desejar as melhoras. Cala-se bem caladinho e só não diz um "bem feito, sua besta!" por cobardia.




Repito muitas vezes aquela frase de Oscar Wilde "é fácil ser um bom amigo nos maus momentos; difícil é ficar feliz pelo sucesso dos amigos". Porém, esta categoria de falsos amigos consegue ir mais longe. Só está feliz quando os "amigos" estão de rastos. E nem disfarça. Afinal, só assim os outros estarão minimamente próximos da treva que lhe vai na alma. Miséria adora companhia - mas acaba sozinha, porque ninguém tem pachorra...


Sunday, March 26, 2017

O melhor conselho profissional que já ouvi.



Não é que fosse novidade. Já o tinha lido num livro americano de que falei aqui sobre conselhos para as mulheres no mundo corporativo. No entanto, é daquelas coisas a que não se presta grande atenção porque enfim, não é uma questão de currículo mas de imagem e até eu, tão bota de elástico, achei que era uma ideia um bocadinho ultrapassada em pleno século XXI.

"Prenda o cabelo". Só isso.




Lidar com a imagem das pessoas - incluindo a imagem profissional - é o meu trabalho. Mas eis a prova de que estamos sempre a aprender. E que, tal como nas questões amorosas, noutros contextos os arquétipos mais básicos, primordiais e instintivos continuam a valer imenso: a formar opiniões muito fortes e decisivas.

 Cabelo comprido, solto, brilhante, bem tratado e polido faz parte de uma boa imagem e pode valer pontos numa entrevista. Mas atenção...cabelo solto é muito feminino. Quase demasiado.  É botticelliano. É íntimo. É à vontade. 

Em certas épocas, as mulheres só desmanchavam tranças e chignons antes de se deitarem com os maridos. As bruxas soltavam o cabelo quando lançavam os seus feitiços. Por cá, as mulheres do campo usavam quase sempre o cabelo preso depois de casadas.  As judias ortodoxas cobrem o cabelo não para ficarem menos bonitas (algumas até usam perucas sobre o cabelo natural, go figure...) mas porque acreditam que o cabelo encerra um poder arrasador. Das muçulmanas todos sabemos e agora o hijab está na berra, mais por moda que outra coisa: enquanto tantas nos países mais opressores morrem por se livrarem dos lenços, nos países livres, jovens muçulmanas e conversas ou wannabes usam-no por gosto ou vaidade (e acompanham-nos de tanta maquilhagem que lá se vai a ideia de passarem despercebidas).

 Já as Católicas sempre tiveram mais sorte e foram moderadas, cobrindo o cabelo com lindos véus... mas só durante a Missa e outras  cerimónias religiosas - uma bela tradição que cumpro com o maior prazer. A ideia é imitar Nossa Senhora, apagar-se para deixar todo o protagonismo ao sacrifício no altar,  mas mais do que isso, cumprir o que dizia S. Paulo: cobrir o cabelo "por causa dos Anjos". É que não queremos anjos desconcentrados no céu a pasmar para as mulheres. Isso aconteceu uma vez no início dos tempos e não deu bom resultado, diz a Bíblia. A única Santa que costuma ser representada com o cabelo completa e orgulhosamente solto (e ruivo ticiano) é Santa Maria Madalena. E toda a gente entende porquê...

Depois já se sabe, os autores clássicos enalteciam o poder de sedução do cabelo longo e bonito.

 Cabelo solto é livre, selvagem (por muito styling que tenha levado para ficar assim....). Cabelo solto e longo é juvenil, descontraído. Um belo cabelo é sexy, pronto. E numa primeira impressão, numa primeira entrevista, o sexy, mesmo que discreto, não é o mais conveniente. Ainda que venha acompanhado de um modesto vestido por baixo do joelho. Isto pode parecer antiquado, sexista  e esquisito numa época em que mulheres super elegantes e bem sucedidas como Amal Clooney dão cartas na carreira com as suas melenas esvoaçantes. Mas enfim, Amal já se pode dar ao luxo de fazer o que lhe der na real gana.




 Aprendi isto da pior e da melhor maneira, em dois contextos diferentes. A primeira vez foi na penúltima entrevista para um cargo na área de marketing de moda em que estava mesmo interessada. Usei uns sapatos slingback Bruno Magli de salto baixo com um dos meus sheath dresses do costume, que já me tinha acompanhado noutras situações semelhantes- cinza, sob o joelho, com um pequeno decote redondo (a terminar logo abaixo da clavícula) e bastante justo, mas - prometo - super apropriado.
 Na dúvida costumo usá-lo com o blazer do mesmo conjunto, sempre com grande sucesso. É um dos meus vestidos da sorte. E como tinha feito um brushing bem conseguido pela manhã, deixei o cabelo solto sobre os ombros.

 Ora, a entrevista marcada para as dez não começou antes das onze (ou não estivéssemos nós em Portugal). E estava um calor das arábias. Impossível manter o blazer vestido sem ficar toda afogueada. Quando finalmente a responsável dos recursos humanos se dignou a vir falar comigo e com os outros candidatos (dois rapazes e quatro raparigas, para dois cargos diferentes) viu-me sem casaco e olhou para mim com uma cara que não enganava ninguém.


Pois bem, eu tenho lido por aí que é sensato não incluir retratos no currículo, pois a maioria das responsáveis de RH é mulher e costuma atirar directamente para o caixote do lixo todo o CV feminino cuja dona não seja completamente medonha ou totalmente totó. Mas sempre achei que era mito. As mulheres sempre foram fantásticas comigo e nunca tive que dizer...

Porém, esta embirrou com a minha cara. Só posso adivinhar que eu lhe lembrasse muitíssimo a sua arqui inimiga do liceu, alguma rival amorosa ou qualquer outra persona non grata, para estar tão ressabiada comigo.

 É que nem me deu hipótese: foi ultra simpática com todas as outras, e a mim só faltou
 dar-me uma dentada. Desde não me perguntar nada de relevante a não me deixar responder às questões, passando por atropelar-me sempre que podia e tentar 
encurralar-me o mais possível, valeu-me a minha lata, o meu sangue frio do costume e pensar cá comigo "espera lá que no fim conversamos". E assim foi. No final, em modo perdida por um perdida por mil mas fazer de mim parva é que tu não fazes, minha estúpida,  disse-lhe respeitosamente o que pensava. Saí dali sem vontade de voltar...e não voltei, claro- ela deve ter atirado a minha candidatura para a fogueira com o dobro da fúria, mas não foi sem troco e dei-me por satisfeita. No entanto, não perdi a lição.



Fiquei cá a pensar comigo que, sem blazer ou com blazer, talvez a reacção tivesse sido diferente se o meu cabelo tivesse um ar mais ...bom, austero. Não é à toa que as mulheres militares, as hospedeiras, as bailarinas e (noutros tempos) governantas ou preceptoras sempre prenderam o cabelo. Não se trata só de tirar as madeixas da cara - e dos olhos -  ou de parecer mais apresentável o dia todo (pois o que está bem preso não corre o risco de se despentear). 

É que quem tem o cabelo preso mostra que está em modo meaning business. Dá um aspecto de maior sobriedade e formalidade. Roupa séria com cabelo solto? Executiva sexy, às tantas. Roupa séria com cabelo sério? Se calhar esta é uma maçadora, mas como a imagem dela é tão neutra vamos focar-nos apenas naquilo que ela tem para dizer. Um homem não passa o tempo preocupado com o cabelo. E a uma mulher, no contexto profissional, pode ser útil essa atitude directa, quase varonil.




É que nunca sabemos quem está do outro lado, ou que associações de ideias (injustas) pode fazer: o chefe embirrento que não quer uma mulher frívola e vaidosa para o lugar,  o director atiradiço que fica com a ideia errada, ou a responsável de departamento ciumenta e insegura, que não quer dividir protagonismos.

Mas é claro que em Portugal não se fala tão abertamente nestes aspectos. Nisso os ingleses são bastante mais concretos e não se acanham de exigir um dress code ou um uniforme. Os portugueses insinuam, os ingleses põem tudo por escrito. Até coisas que deveriam parecer óbvias, como "no autocarro, por favor não coma alimentos com cheiros fortes nem fale alto ao telefone". Mais do que serem bem educados, eles têm pavor de se esquecerem de o ser! Portanto, é tudo mais às claras...




De modo que, quando cheguei a Londres a ver em que paravam as modas, com algumas reuniões já marcadas, fui aceite muito rápido em alguns projectos onde conheci gente incrível e uns quantos mentores. Ora, uma simpática manager russa com quem trabalhei numa iniciativa para uma conhecida marca de luxo, sabendo que eu estava a gostar da cidade e não se me daria de permanecer cá uns tempos deu-me algumas dicas, terminando com esta: "tem um óptimo currículo, uma óptima imagem e capacidades de liderança...lembre-se é de manter o cabelo preso nas primeiras entrevistas!".  Eu assim fiz...e não me dei nada mal com a abordagem. Não uso sempre o cabelo totalmente apanhado, salvo quando o dress code o exige (geralmente opto por um meio-apanhado, para garantir que fica o dia todo no lugar) mas tornei-me uma grande fã do "cabelo de serviço". E isto não se trata de machismo, sexismo ou ideias do tempo da outra senhora: são factos, são associações de ideias inerentes à natureza humana que por superficiais que pareçam, influenciam resultados.

Se ainda não fizeram a comparação, tentem usar um rabo de cavalo na vossa próxima reunião ou entrevista importante, e vejam se há diferença. Eu apostaria que sim.






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