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Wednesday, July 19, 2017

Cuidado com os "homens pavão"

A mulher de Jeremy Meeks (esq.) e a amante (dir): ex-aequo Prémio Burrinha-Parvinha do ano!


Parece que eu estava certa em relação ao gangster de bairro que se tornou modelo famoso, Jeremy Meeks.  Eu quase nunca me engano e raramente tenho dúvidas em relação a estas situações, pronto. É um dom. Posso não ter jeito para outras coisas mas na arte de tirar o perfil às pessoas não há pai para mim.

 Não que neste caso fosse preciso ser nenhum profiler do FBI, entenda-se - qualquer pessoa com dois dedos de testa percebia a boa peça que ali estava.

Qualquer pessoa menos as fãs malucas do "modelo" ...e a esposa deste, Melissa, que foi doida o suficiente para se casar com o valdevinos quando ele era um criminoso anónimo sempre dentro e fora da cadeia (já lá vamos).



Long story short: o "manequim" (e insisto nas aspas porque a mim o menino nunca me enganou nem provou ser mais do que um cadastrado perigoso num golpe de sorte) foi fotografado há dias a trair a mulher com a herdeira da Top Shop, Chloe Green. 



A rapariga, que é uma cabeça leve, está toda contente e a escarnecer a legítima na carinha. O traidor das dúzias, todo contente está. O pai da menina, o magnata dos trapos Sir Phillip Green, encolhe os ombros mas não há-de ter ficado nada satisfeito.  E a mulher do bandido, essa, pediu-lhe o divórcio. Melissa diz-se devastada com a traição e a humilhação pública. Coitadinha. Tenho imensa pena dela.

E no entanto...não tenho.

Uma pessoa não pode fazer-se de vítima das circunstâncias que criou por sua própria cabeça. Mas Melissa - como montes de mulheres por esse planeta fora- está a fazer isso mesmo. O futuro da relação estava escrito a letras gordas e ela não viu porque não quis ver.

Verdade seja dita, nesta história a esposa e a "amiga" levam as duas, num desonroso empate, o Prémio Burrinha -Parvinha do ano. Mas a mulher será quem sofre mais, pela triste figura, porque não tem milhões para se consolar em distracções, porque tem uma família para criar e em última análise, pelo muito que aturou para agora ter esta recompensa.




 A pobre coitada, que se mata a trabalhar como enfermeira, conheceu o gandim de olhos claros quando era uma mãe solteira (e carente, com certeza- o mal do mulherio é sempre a carência e a baixa auto estima, que lhe tolda a esperteza) e ele, um gangster sem eira nem beira uns quantos anos mais novo do que ela.

A diferença de idades, não tendo grande importância per se, quando associada a outros senãos é um factor de risco: os homens são sempre um pouco mais imaturos; isto além de acharem, muitas vezes, que uma mulher perde pontos no "mercado dos namoros" quanto mais velha for. Por fim, sejamos francos: não sendo Melissa uma mulher de se deitar fora, ele é bastante mais vistoso do que ela. Honra lhe seja feita, aos 38 anos é mais gira do que a amante de 26, mas ainda assim...  erro crasso, senhoras!




 Um casal deve estar fisicamente equilibrado, mas se é para alguém ser mais espampanante que seja a mulher, porque homens vaidosos não há quem ature. Em suma, a receita era desastrosa.

E apesar disso... que fez esta moça com estudos, com uma carreira, com duas crianças a seu cargo?

 Deixou-se embeiçar e a fazendo vista grossa ao cadastro *literalmente falando* nada recomendável do mancebo, tratou de o levar para casa, de se amasiar com ele e por fim, de casar com a criatura (nem me surpreendia nada que tivesse sido ela a pedir a mão dele; querem apostar?).




Não contente com isso, ainda passou a sustentá-lo, trabalhando a full time enquanto o madraço (quando não estava na prisão) ficava a tomar conta da casa e da pequenada. Era preciso ter muita confiança! E nas vezes que o seu amado ia de cana, lá estava a a escrava a trabalhar, a tomar conta da família e a fazer-lhe visitinhas conjugais. Um paraíso. Entretanto lá nasceu mais um pequerrucho.





Por fim, o rapazola foi catado pela bófia pela enésima vez e lá alcançou os seus 15 minutos de fama graças ao infame retrato da cadeia, começando, comme il faut, uma divertida existência estilo rockstar.

A esposa (que na sua ingenuidade sem limites, ainda achou que ele ia finalmente trabalhar e ter meios para sustentar a casa) reclamou que queria ser incluída na nova vida dele -  mas é claro que o deslumbrado quis fazer de solteiro, como bom malandro que é - típico de quem nunca teve nada na vida nem fez por isso, e perde a cabeça com os primeiros brilhos dos holofotes. Mandou-a passear e ficar nos EUA com os pequenos, na mesma casa onde tinha vivido às custas dela, sem beneficiar em nada dos seus recém adquiridos luxos e mordomias. Sempre que vinha a casa, havia zaragata. E o que tinha de suceder sucedeu, pois claro. Daí a traí-la publicamente foi um pulinho.



É claro que agora Jeremy está a fazer os possíveis por repetir o filme e achar uma mulher que o sustente, desta feita para o resto da vida e em grande estilo. Quem sempre se aproveitou de mulheres e nunca teve ética vai agora ganhar consciência e vergonha na cara? ´Tá quieto! Mal a separação se tornou oficial, apareceu em Beverly Hills com a "amiga" às compras. Jóias. Vamos apostar quem pagou a conta?




Volto a dizer- e desculpem a dureza, mas as mulheres têm de ganhar juízo senão vão continuar sempre a chorar pelo mesmo - no meio disto tudo, Melissa só se pode culpar a  si própria. Que mulher ajuizada, a trabalhar para sustentar dois filhos que já tem fora do casamento, se apaixona por um cadastrado conhecido só porque tem uns olhos azul-piscina de carneiro mal morto e diz umas coisas bonitas que ela quer ouvir? Só para mostrar que afinal arranjou marido? Para fazer inveja às "migas"?

 Francamente-  o rapaz é engraçadinho, mas dessem-lhe olhos comuns e só sobrava um moço normal com boa estrutura óssea.  E se calhar nem isso, porque na altura em que a esposa o conheceu até era mais gordinho e tinha um rabo de cavalo farfalhudo que lhe tirava metade do impacto.




 Um tipo sem instrução, sem pedigree, metido em más companhias e pior, acusado ou pelo menos associado a crimes violentos - uma alma corrompida, em suma, oriunda de um meio muito ordinário. Um mariola que não se pode apresentar a ninguém. Ora francamente. É caso para uma mulher perder a cabeça? A rapariga tem uma auto estima abaixo de zero, ou o feminismo deu-lhe a volta às ideias. No "meu" tempo havia um nome muito categórico para "homens" velhacos, sejam feios ou bonitos, que vivem à custa de mulheres.



Resta esperar que Chloe Green, a amante, como menina rica e caprichosa que é, se farte depressa do brinquedo (ou que o pai tenha bastante energia para velar por ela) . E que ponha a mão na consciência - um homem casado é off limits, mesmo que não valha um caracol. Esperemos também que Melissa, por seu turno, ganhe juizinho e amor próprio para não fazer de mulher da luta no futuro.




Quanto ao manequim, se for tão desmiolado como tem sido até aqui, não há-de saber conservar a sua boa sorte. Mas se acreditarmos nas palavras de Camões ("os maus vi sempre nadar em mar de contentamentos") e na baixa auto estima de muita mulher por esse mundo de Deus, há-de andar a explorar incautas até que a idade o atraiçoe e perca os encantos que o têm mantido confortável na vida até aqui...

E a todas as que não têm nada a ver com o caso, fique a lição para seu governo: um homem que se deixa sustentar sem o mínimo de pejo não é boa rês, por mais que o feminismo pregue o contrário. E quem quiser um pavão para exibir, mais vale comprar um pavão a sério, com cauda- sempre enfeita o jardim e não causa inseguranças escusadas. Aprendam que eu não duro sempre mas cafadjestxis sempre os haverá.

Uma mulher não pode ser tão fraca. Bem dizia a minha santa avozinha, "é preciso ser muito segura e resoluta!". Or else...

Wednesday, July 12, 2017

O povo perdeu a noção do decoro, está confirmadíssimo.




Já tenho dito coisas do género muitas vezes, mas nunca deixa de me surpreender que a fronteira entre "liberdade" e "libertinagem" se tenha esbatido - se é que não desapareceu de todo.

 O grosso da população entrou, oficialmente e de papel selado, em modo "nada é errado se te faz feliz" e perdeu a noção do bem e do mal. E nada confirma tanto isso como abrir as caixas de comentários dos nossos pasquins, como já vimos. De pedir a pena de morte com requintes de tortura de meter medo a um carrasco medieval por cá cá aquela palha a enunciar, para todo o mundo ver, o que gostaria de fazer entre quatro paredes se tivesse oportunidade, quando não partilha mesmo no Instagram o que acabou de fazer, fico a pensar se as pessoas não estarão cada vez mais baixas, boçais e viciosas. 




A não ser que escrevam a brincar (e com muitos erros ortográficos e palavreado sujo) no Facebook mas se comportem de maneira totalmente diferente na vida real- também pode ser isso. 

Queira Deus. Porém... duvido!

O Correio da Manhã publicou, como publica tantas vezes brejeirices do género, uma "notícia" dessas para atrair comentários-ordinários:  uma cabeleireira americana de meia idade arranjou um namorado de vinte e picos. Contente da vida, tratou de se amancebar com o rapazinho na mesma casa onde vive com a filha de vinte anos e parece que - sem fazer caso do exemplo que dá à pequena -não é nada discreta nas suas intimidades.




 Os vizinhos queixaram-se a e a criatura, que não se deve importar nada de dar nas vistas por tais motivos, veio assumir que sim, que se costuma exceder nas suas expansões acasaladeiras, não fossem as pessoas pensar que era a filha a fazer tanto barulho. Oh mãe extremosa (e guerreira, acrescentariam muitas serigaitas)! Oh comovente sacrifício!
(Aqui entre nós, a menina tem um aspecto de tal ordem que não vale muito a pena defender a sua honra, mas seja). 

Até aí, enfim. Há por este mundo gente bem esquisita, que vive de forma esquisita e é normal que esses casos atraiam a atenção - ou façam rir -  por serem invulgares.

O que me chocou não foi o alegado barulho, claro - os pecados de cada um não são contas do rosário dos outros. Cada um é como é desde que não esqueça a máxima "vícios privados, públicas virtudes". Ou como diria o ti Marco Paulo, uma lady na mesa, etc. Quem quer causar ruído de qualquer tipo (ou porque gosta de fazer altas festanças até às tantas, ou tem uma família grande e barulhenta que fala aos berros, ou...enfim) precisa de investir numa casa retirada e num bom isolamento.



 Tão pouco me afligiu a falta de noção do apropriado da protagonista, que coitada, é um estereótipo ambulante do poor white trash. De uma pessoa com aquele ar e aquela demografia não se espera grande coisa.

Ná: o que me arrepiou foram os leitores portugueses, sem um pingo de vergonha alheia (nem vergonha própria, assinale-se) a defender em massa o direito de incomodar os vizinhos. Ou de resto, o "direito" inalienável a viver em modo Sodoma e Gomorra e ainda receber um prémio por cima.

 Isto dito em termos totalmente abjectos e com argumentos do tipo "os vizinhos têm é inveja", "daqui a nada é preciso pedir autorização à câmara para *inserir verbo*", "o que é bom é para se ouvir" e "eu também gosto e os incomodados que se..." percebem a ideia. Assim, como se não houvesse diferença entre ser púdico, indignar-se por a senhora fazer lá o que (com mais dignidade ou menos) está no seu direito, meter-se na vida alheia, ou indignar-se com justiça porque a senhora está a pisar a liberdade dos outros.




 Como se fosse saudável, aconselhável,  a coisa mais normal do mundo,dar a conhecer à vizinhança os seus detalhes mais privados. Como se fosse desejável que adolescentes e crianças sejam expostos às acrobacias de tutti quanti.




É que já se sabe, é preciso um devasso para defender o outro.

Sempre me desgostou que o povo português tenha uma certa tendência infantil para a malandrice e a brejeirice, de que o sucesso da música pimba dá tão eloquente testemunho. No entanto, comentários destes, num número tão grande, fazem-me pensar em que raio de depravação viverá esta gente: é como se vivessem numa frustração permanente, como bichinhos na selva, ou  como miúdos da escola sempre prontos a dizer asneiras à socapa, ou com medo que o tio Salazar volte para lhes tirar a sua "liberdade" e trancafiá-los nas celas da PIDE por indecência. 


Ou isso, ou há ali uma grande hipocrisia. Aqui há tempos, a propósito de uma notícia de conteúdo semelhante no mesmo pasquim (adolescentes que andavam numa promiscuidade desgraçada nos lavabos de uma discoteca lisboeta) vieram os rústicos do costume defender a rebaldaria, e taxar quem se indignava de púdicos e virgens ofendidas. E houve um rapaz que esteve muito bem e escreveu: vocês são todos muito "mente aberta"..mas queria ver se fosse com as vossas filhas, se ficavam contentes! É o ficavam (espero que não...).


Monday, July 10, 2017

As coisas que eu ouço: como calar uma pata-choca



Para garantir que chego a horas sem correrias, costumo apanhar quase sempre um dos autocarros directos para o aeroporto, que é certinho como um relógio (uma das grandes vantagens de Londres é a abundância de transportes públicos...uma pessoa só usa o carro se quiser ir às compras ou passear fora da cidade, isto quando a Uber não quebra o galho; para quem não aprecia conduzir, como eu, não podia ser melhor). 

E embora haja aqui condutores de bus um pouco estranhos (incluindo alguns que nem se maçam a aprender inglês; os passageiros que necessitam de informações que tirem pela pinta, pois então!) regra geral até costumam ser simpáticos. 

Quero dizer, nem passam por cima das poças de propósito só para troçarem dos peões, como os malucos dos holandeses nem nada (true story!). Alguns até abrandam e voltam a abrir as portas se houver gente a correr atrás deles, e quando já nos conhecem de vista dizem-nos sempre o seu "how are you today?".

Mas esta semana apanhei uma "senhora" (aqui não faltam mulheres a conduzir autocarros, algo que ainda não se vê tanto assim em Portugal) que era uma verdadeira personagem. Tinha um cabelo encaracolado num rabo de cavalo todo no ar, tipo espanador, e uma personalidade a condizer: é que todo o santo percurso (e como a "carreira" pára em muitas capelinhas, a viagem ainda dura uma boa meia hora) a criatura NÃO SE CALOU, a ralhar o tempo todo. 




É sabido que a murmuração é um defeito que as mulheres devem evitar, mas juro que esta levava a murmuração a outro nível. Se não achasse impossível uma hárpia daquelas ser esposa e mãe, ficaria cheia de pena do seu pobre marido e filhos!

É preciso dizer, para quem não conhece bem Londres (ou só andou de transporte público algumas vezes enquanto turista) que por estas bandas se aplicam umas teorias que só podem ter sido importadas das Índias às viagens de autocarro, e mesmo algumas de comboio.

Não sei se haver por aqui uma comunidade indiana tão grande que até o presidente da câmara é desses lados terá alguma coisa a ver com isso, que pensem "assim como assim já ninguém estranha", mas tenho para mim que em certas horas e em certos percursos, andar de autocarro em Londres não será tão diferente de fazê-lo em Bombaim ou das zonas mais remotas da China comunista. Ou seja, é tudo ao molho e fé em Deus!




De todo o modo é comum, quando o autocarro/comboio está cheio, o motorista pedir (ou ligar uma mensagem automática a pedir) que toda a gente se esprema como puder dentro do veículo, para caberem mais almas. Costumo ter sorte, pois apanho o autocarro quando ele ainda vai vazio, mas se puder evito estas enchentes. Imaginem, tudo apertadíssimo, com malas, com sacos, com carrinhos de compras, carrinhos de de bebé... e o motorista ou a gravação a solicitar nas calmas "please move down inside the bus so we can continue our journey." Dá vontade de os mandar a uma certa parte!




Ainda assim, já está realmente tudo acostumado e não costuma haver grande altercação por causa de tais apertos, pois a civilidade ainda vai sendo de rigueur por cá...valha-nos isso.

Voltemos à mulherzinha: talvez as mensagens automáticas estivessem avariadas, talvez ela gostasse simplesmente de ouvir a estridência da própria voz. O que é certo é que sempre que podia, berrava com os passageiros para darem espaço uns aos outros, num rumorejar constante de guinchos. Não contente com isso, berrava com os outros condutores e quando não havia mais ninguém, ralhava para o rádio. Claramente a pessoa não estava em si e comecei a pensar se estaria em boas mãos...




Chegados ao destino, ainda arranjou maneira de mandar vir com a ambulância que assistia um acidentado, porque não lhe apetecia ir pelo caminho que ficava exactamente ao lado - uma mota toda partida no chão, o desgraçado de maca, polícia e INEM...e a doida queria passar por cima! Claro que se riram dela, porque felizmente o desastre não tinha sido grave. E saí aliviadíssima, finalmente.

Foi sol de pouca dura, porém - ao voltar para casa, apanhei a mesma tarada no caminho de regresso. E a cena repetiu-se, para pior. No percurso de volta é necessário apanhar os trabalhadores do centro de cargas e descargas, que por alguma razão são sempre todos indianos e cerca de 50, à vontadinha. E claro, a bruxa ralhou, ralhou e ralhou com os pobres coitados, que como não podia deixar de ser, faziam troça dela lá na sua língua...a dada a altura já ia tudo a rir e a encolher os ombros, e eu já estava tão cansada que não me admirava que tomassem balanço e desatasse tudo a dançar e a cantar tipo filme de Bollywood mais minuto, menos minuto.



Entretanto a minha família telefonou-me. Atendi e com isso   o cavalheiro idoso que ia ao meu lado, que eu tomara por indiano também, percebeu que eu era portuguesa e perguntou-me, num português perfeito, se eu era de Lisboa como ele. E lá me explicou, a rir, que aquela mulher era sempre a mesma coisa. Todas as viagens o mesmo. Não há paciência...

Por fim, mais uma paragem...e podem imaginar que o circo continuou: as pessoas a tentar entrar e a ogresa de uma figa a tratar mal toda a gente, cada vez mais histérica. Mas houve uma senhora que não estava mesmo para a aturar. Muito calma, muito composta, sem se alterar nada, argumentou com ela, respondeu-lhe umas poucas de vezes sem levantar a voz e por fim desistiu de viajar naquele autocarro, avisando-a  categoricamente: "deixe estar que anotei os detalhes todos e vou fazer queixa de si!". A maluca aí perdeu mesmo as estribeiras, guinchando a plenos pulmões "YOU DO WHATEVER YOU WAAAAAAAAAANT!". E fechando as portas com estrondo, lá nos conduziu aos trancos e barrancos...




Olhem, certo é que depois desta última explosão ela se calou de vez. Nem piu. Nem chus, nem bus, nem catrapuz: foi um sossego até à estação.

Com pessoas assim, das duas uma: ou um cristão desce ao mesmo nível e lhes aplica um correctivo na linguagem que entendem melhor, enchendo-lhes a cara de bolachadas, ou fica nas suas tamancas e as ameaça com aquilo que elas mais temem. Tenho a certeza que para uma pessoa assim, perder um emprego onde pode gritar com os outros é o pior dos castigos. De qualquer maneira, admirei a classe da senhora mas fiquei com pena que não tivesse escolhido a primeira opção. Uns sopapos bem dados tinham sido mel, e ficava com um final mais giro para este relato.





Monday, July 3, 2017

Faltinha de cavalheirismo e de feminilidade. Só visto.





Na semana passada, vinha eu a caminho de casa e liga-me o senhor meu marido, divertidíssimo. 

"Andam aqui uns pássaros muito ruins à pancada! Há espaço para todos comerem mas eles não querem partilhar e desatam à bicada uns aos outros. Fazem cá um chinfrim!".




Acontece que ele, muito amigo de arranjos e engenhocas, montou no jardim umas casinhotas e uns doseadores de comidas para pássaros (também tivemos cá um esquilo, mas quando começava a ficar domesticado, assustou-se porque os vizinhos decidiram aparar as árvores junto à cerca e lá se foi o bicho de estimação). E tem corrido tudo bem. Pombos, rolas, pardais e outros (por aqui não falta bicharada e algumas espécies que eu nunca tinha visto) aparecem, servem-se e vão à sua vida até lhes dar a fome de novo.




Mas eis que estes novos "fregueses" não se entendiam.

 Fiquei sem saber que tipo de aves malvadas e malcriadas seriam até hoje, quando ouço um banzé danado. E realmente lá andavam uns cinco ou seis, apoiados no comedouro em grandes ameaças e reclamações.

 Não percebo grande coisa de ornitologia, mas pareceram-me da família dos melros, machos e fêmeas (eles pretos e ligeiramente maiores, elas de plumagem castanha). Uma vergonha! Elas aos guinchos e à bicada, eles a  afastarem-nas, a roubarem-lhes a comida e a lutarem uns contra os outros sem o mínimo de cerimónia, quando havia lugar "à mesa" mais que suficiente para jantarem como pássaros civilizados, salvo seja. Resultado - ninguém comeu em paz e foram-se embora ainda a refilar...

Fiquei cá a pensar se o normal não seria eles darem lugar às senhoras e elas tentarem pôr juízo nos machos em vez de se juntarem à peixeirada, como costumava ser. A Natureza anda toda virada do avesso...

Por trás de um grande homem há sempre uma mulher a revirar os olhos..

Até no reino animal se comprova: a igualdade cega não beneficia ninguém.  Quando elas  são pior que os rapazes e eles, vendo que é tudo o mesmo, não as respeitam nem se portam como cavalheiros, é a selvajaria pegada. Lá dizia o outro, as mulheres são a espinha moral da humanidade; elas deviam impor respeito, acalmar os ânimos;  e aos homens devia caber protegerem-nas e dar-lhes primazia.  

Sempre achei que esta a cena abaixo, do filme Brave, ilustra esta ideia lindamente:



É assim que devia ser! Eles uns brutamontes mas prontos a parar um furacão se uma senhora passa, e elas capazes de repor a ordem com um simples erguer de sobrancelhas. Mas quê...

Wednesday, June 28, 2017

3 Dicas de styling e beleza aprendidas on the job



Uma das vantagens de estar mergulhada na indústria de moda 7 dias por semana é a quantidade de coisas novas que se aprende. Entre fellow stylists, ou com especialistas desta ou daquela área específica (vendedores, maquilhadores, etc) trocam-se imensas dicas. É que por muito glamourosa que a profissão pareça, trabalha-se muitíssimo.  Sob pressão. Com prazos e horários malucos. Sob luzes intensas e às vezes, com calor ou a atravessar a ventania de Londres. Tudo isto com obrigação de ter um aspecto sempre composto, apresentável e inspirador. Como diriam em Terras de Vera Cruz, não é brinquedo!

 E às vezes, como a necessidade aguça o engenho, vamos inventando truques novos pelo caminho. Já vos falei nos penteados que me habituei a fazer por cá, mas isso é só a ponta do icebergue. Ora vejamos mais alguns (e desculpem o uso narcisista de um ou outro auto retrato, mas foi a melhor forma de exemplificar).


Molas e molinhas



Sempre detestei ver "molas de cabeleireiro" na rua, mas é sabido que nada prende tão bem o cabelo sem pesar e nada dá tanto jeito para apanhados com volume. E as Londrinas, com o seu espírito desempoeirado, arranjaram uma forma discreta de as usar que dá um estupendíssimo jeito.
Como vos contei, o meu penteado favorito (e mais fácil de fazer) é um meio-apanhado estilo Brigitte Bardot, e reparei que em Londres muitas mulheres o faziam apenas segurando as madeixas superiores com uma mini mola (daquelas estilo borboleta dos anos 90, mas em versão sóbria) em vez de usarem um elástico, que invariavelmente escorrega e acaba por despentear o cabelo a meio do dia.

 Depois chamou-me também a atenção este artigo sobre as nano-molas do tamanho de uma mosca usadas pela Duquesa de Cambridge, ideais para fixar madeixas ou tranças fininhas. 



Experimentem, que vão reduzir muito os dias em que não sabem o que fazer com o cabelo!



 Em ambos os tamanhos, estas "garras" dão um ar muito compostinho, prestam-se a milhentos penteados diferentes, não saem do sítio, não magoam como os ganchos às vezes fazem e caso seja preciso retocar o penteado  (por muito azar ou muito vento) é fácil refazê-lo num instantinho sem bagunçar outros 300 fios de cabelo no processo. A boa notícia é que fica muito mais barato comprá-las em Portugal (em qualquer bazar chinês uma embalagem de 20 médias ou de 50 mini-minis sai por cerca de um euro). Aqui a popularidade é tanta que mesmo nas Primarks da vida saem bastante mais caras. E como plástico é plástico, até as da Acessorize e por aí partem com facilidade. Compro-as quando vou à Lusitânia ou pela internet, e trago sempre umas quantas comigo.


Pó compacto escuro em vez de bronzer



Pele de porcelana é o meu signature look- mas como é fácil dar a ilusão de ruiva fantasma sob as fortes luzes das lojas instaram comigo, pelas alminhas, que colorisse mais as faces, que pusesse uma nadinha de pó bronzeador. Nada contra (já aqui falámos sobre isso e o meu preferido, por acaso, até é de uma marca bem inglesa), mas depois lembrei-me de uma forma ainda mais natural e interessante de conseguir aquela "corzinha": usar pó compacto escuro, próprio para peles afro, em vez de bronzeador!

 O resultado foi muito elogiado. É que qualquer pó compacto é por natureza mais transparente que o pó de contorno ou mesmo que o bronzer, logo funde-se muito melhor e dá aquele ar definido e beijado pelo sol, sem parecer uma Kardashian que saltou do Instagram para a vida real. Experimentem se têm pele clara ou se os vossos esforços de usar bronzer e blush dão invariavelmente para o torto.

Adoptar collants  de descanso no dia-a-dia


Se o nome "collants de descanso" (ou "energizantes", como lhes chamam agora) vos faz pensar logo na vossa tia Marocas, reconsiderem. Esta dica não me foi dada por nenhuma profissional de moda, mas por uma médica brasileira muito simpática e elegante que - God bless her! - me sugeriu que as usasse quando lhe descrevi o meu corre-corre sobre saltos. 

Ao início admirei-me, mas uma volta rápida pelas lojas fez-me dar-lhe razão: aquelas meias entrouxadas com ar de ligaduras de múmia  são coisa do passado. Agora os "collants de descanso"existem em cores/ texturas lindas e (além de prevenirem dores, varizes e derrames em qualquer situação que exija passar muito tempo de pé em saltos altos)  são a melhor maneira de evitar/disfarçar tornozelos inchados e de garantir que as pernas têm bom aspecto o dia todo, pois mantêm os músculos e a pele bem esticadinhos e ajudam à boa circulação.

 Logicamente o nosso dress code não contempla o uso de mini saia, mas tenho para mim que estas meias prestarão melhor serviço a quem quer mostrar as pernocas do que os collants "brilhentos" que muitas meninas usam quando tentam dar a ilusão de uma pele uniforme.


 Como se não bastassem estes benefícios, ainda são mais resistentes do que os collants comuns! Recomendo os semi transparentes, 15 Deniers (em preto, natural ou bronzeado)  para a maior parte das saias e situações formais, mas existem pretos opacos de maior espessura, ideais para as mini e calções. Vão sentir-se nas nuvens, vão ver. Devo ainda dizer que depois de experimentar várias marcas, incluindo as de farmácia, voto pelas da Primark: a textura é bonita, comprimem realmente onde devem e como vêm em caixas de três, sai barata feira. A única cautela a ter é comprar um tamanho acima do habitual porque, para fazerem o devido efeito, elas tendem a ser bastante apertadas.

Por fim, para quem quer adelgaçar, a Primark também tem uma versão que "reduz" a barriga e o derrièrre. Pessoalmente não sou fã destas últimas, mas fica a dica para quem se sente incomodada com essas zonas do corpo ou está em fase de dieta/pós parto/etc.


Base escura antes do bâton encarnado(para conseguir o tom de cereja correcto, e não um horrível tom de beringela).




Os tons bourdeaux, vinho, cereja e afins estão muito na moda - e são lindos - mas a maioria, mesmo em marcas boas, foge para o roxo. Uma pessoa quer parecer uma diva dos anos 30 e só consegue um beringela medonho. Males de cara pálida, mas acredito que também aconteça em peles mais morenas desde que o sub-tom da pele seja neutro em vez de amarelado ou rosado.

Achar o tom de cereja certo para mim é um bruxedo: os grenás mais lindos, em mim parecem violeta. Que também é uma cor da moda, mas não faz o efeito pretendido. Uma amiga até me recomendou o famoso "Russian Red" da MAC. Fui experimentar...e adivinhem, roxo. Fartinha disso, arranjei um truque: colorir os lábios com corrector, creme de contorno ou base creme castanho-escuro. Deixa-se secar um bocadinho para absorver e depois passa-se o delineador e o bâton, et voilà! Encarnado-escuro-glamouroso sem pigmentos esquisitos.

Blusinhas de musselina com todos


Sempre gostei de blusas de seda, mas a camisa branca de algodão é o meu eterno ai-Jesus e um básico indispensável. Fiquei por isso muito surpreendida quando vi que o dress code as desaconselhava, por um motivo muito simples e muito sensato: é que exigem imensos cuidados. Têm de estar bem engomadas (e às vezes deixam de o estar ao fim de umas valentes horas às voltas) e podem manchar com o uso. Como nem toda a gente tem tempo e jeito para as trazer bem cuidadas, grandes males, grandes remédios: 
adoptaram-se blusas de seda, musselina e afins em branco ou marfim, que não amarrotam.

 Destas blusas vitorianas que têm estado muito em voga, algumas com lindas rendas, bordados, debruados a preto ou aplicações de fitas, pérolas, brilhos, laços ou até tachas. Ao início torci o nariz porque primeiro, muitas são ligeiramente transparentes (já lá vamos)  e o mais comum é encontrarem-se versões sintéticas (e sabem o que penso dessas fibras). Como tinha bastantes de seda natural em casa que nunca tinha usado assim muito, mandei-as vir. Ora, rapidamente me rendi e não tardei a comprar outras- umas mais luxuosas, outras para "wash and go", mas todas encantadoras à vista e muito mais confortáveis do que eu pensava.

 É que são tão úteis! Como não fazem volume podemos vesti-las sob vestidos, coletes, saias ou fatos, dentro de calças de cintura subida, ligeiramente folgadas. Depois existem com e sem mangas, de mangas curtas, compridas, de bispo, 3/4, com renda nos punhos, com golas altas rendadas, com decotes, you name it. Honra seja feita às fibras sintéticas ou misturadas - e dentro desses tecidos também há os maus e outros razoáveis, um dia falamos disso- é só atirá-las para a máquina de lavar e secar e está feito. As de seda obrigam a outros cuidados (lavagem suave a frio ou à mão, e secagem ao ar). Moral da história, passei a usá-las também off duty

E por agora é tudo. Depois digam-se se testaram e aprovaram estes "truques básicos de sobrevivência para stylists ultra ocupadas".

Monday, June 12, 2017

Frases que são (ou deviam ser) uma morte social





Hoje em dia é muito fácil apanhar, quase sem querer, bengalas de linguagem- algumas péssimas. As expressões sempre foram como a Cantiga da Rua, que vai de boca em boca e é de toda a gente

Porém, antigamente era-se contagiado apenas pelo que se dizia, mais coisa menos coisa, no círculo social de cada um - que sempre era mais limitado do que agora. 

Bastava portanto escolher as companhias e ter algum critério nas leituras e programas de TV para se estar seguro. Actualmente, já não é bem assim: 
 mercê dos social media e de uma interacção mais alargada entre pessoas de toda a sorte de backgrounds, basta ser-se um bocado distraído (ou condescendente) para apanhar o vírus e começar a falar como um (a) desclassificado (a) social.

 Tenho notado a proliferação destes lindos dizeres não só entre as almas danadas que habitualmente os empregam, mas também entre gente decente que de um momento para o outro começa usar  aqui e ali ditos dignos de uma rústica, de uma alpinista social pequeno burguesa, de de um pintas do bairro ou de um carroceiro.  E já não basta evitar palavrões, ou não dizer "o comer", "sanita", "gostoso""miga" e "môr". Vejamos exemplos, que não quero que os meus amigos sofram sem fazer nada para os ajudar.



 O mais certo é alguns deixarem de me falar, mas a falarem assim também não os quero, por isso desculpem qualquer coisinha mas vou avisar e pronto.


Então cá vamos à lista:

"Top!"




Não é uma frase, mas vale por um chorrilho de asneiras. A noite foi top, esse vestido é top, e sei lá que outras variantes. Com três letrinhas apenas se passa de decente a concorrente da Casa dos Segredos.

Com ou sem acordo ortográfico, o meme acima diz quase tudo. Resta acrescentar, passe o óbvio, que "TOP" é um favorito das serigaitas de ginásio/balcão/salão de bairro. Medo que chegue? Missão cumprida.



"Beijo(s) de luz"



Pensem lá convosco (e dêem uma volta pelos facebooks da vida, se não acreditam) se já viram alguma pessoa de bem despedir-se desta maneira. Ná. Tenho a teoria de que este disparate nasceu quando certos salões de beleza manhosos passaram a dedicar-se também aos tratamentos mágicos e esotéricos.

 É no que dá misturar os vapores da laca e do verniz das unhas à falta de verniz de berço e às energias positivas. Depois, serigaita que se preze quer que tudo brilhe, como já vimos por aqui muitas vezes (das unhas aos dentes, passando pelas corridas por isso os beijos também têm de ser brilhosos e luminosos. 

 De todo o modo, nunca digam/escrevinhem/partilhem tal coisa se não querem parecer uma galdéria encalhada que não segura um projecto nem  um marmanjo na vida
 mas (embora se remoa por dentro) anda para aí a pregar O Segredo e o Evangelho segundo S. Gustavo Santos, segundo S.Chagas Freitas e segundo S. Minh´Alma. Credo.



"X meses/anos de ti ( ou "de *nome dos filhos* " ou "de nós")






Esta não sei de onde saiu e nem é que tenha mal, mas é um modismo piroso e
 irritante como o do gin e outros: do nada, desata tudo a usar essa frase em vez de outra qualquer que signifique exactamente a mesma coisa.

 O chavão começou a pipocar entre as Sheilas do bairro para descrever os meses de gravidez ("3 meses de ti, baby") ou para falar dos seus rebentos ("15 meses de ti, baby") mas rapidamente se disseminou entre bloggers, casalinhos pegajosos e até (what the hell?) pais normais. E quanto mais se normaliza, mais força ganha. Em vez de dizerem/escreverem "hoje o meu bebé faz 6 meses" ou "namoramos há um ano", soa-lhes muito mais poético usar "seis meses de ti, baby" (argh) ou "um ano de nós". Regra de ouro: quando na dúvida, ou bem que se cita um autor com provas dadas (e de preferência, bem morto) ou bem que se fala com simplicidade, como gente normal e escorreita. Elegância é recusa. Recusem este salamaleque xaropento, pelas alminhas!


"Deus no comando"




Esta creio que nasceu nas favelas lá do país irmão, onde bandido que se preze anda convertido on e off a qualquer seita evangélica. Faz das suas, vai preso, o pastor lá lhe dá a volta, depois sai da prisão cheio de bons propósitos e até leva a família toda à igreja para conhecer Jesus, mas depois esquece que O conhece de parte alguma e volta a fazer maldades. E isto repetidamente. A dada altura o mânfio chega a convencer-se de que o Criador está ao seu lado enquanto assalta bancos e trafica substâncias ilícitas, e sente-se muito badass por ter intervenção divina nas suas vigarices. E pronto, adopta o lema "Deus no comando". Depois a frase foi-se banalizando nos social media, passou a ser usada por gente *dita* normal,  e acabou por atravessar o Atlântico propagando-se nos rodízios, nos ginásios, nos salões de nails e nas discotecas da kizomba e do funk. Zás, epidemia.

  Seja como for é uma maneira de blasfemar duas vezes: primeiro, invocando o nome do  Senhor em vão e segundo, geralmente usando o nome do Senhor em vão para as próprias conveniências,  nem sempre muito honestas. Ou seja, a malta publica, escreve ou até tatua este estribilho (salvo seja) quando anda a preparar uma maroteira qualquer. Em todo o caso, é deselegante como tudo. E em hashtag a rematar uma provocação virtual qualquer pior se torna, com letra minúscula em Deus e tudo. Deus  me perdoe *persigna-se*.

"Só Deus me julgará/Só Deus pode julgar"



Outra blasfémia e esta já é velha, mas nunca é demais avisar. Só não julga quem é malandro- ter capacidade de julgamento não é necessariamente ser intransigente ou odiento para com os outros. Quem usa essas frases tem quase sempre muitos telhados de vidro, muitos pecadilhos e pecadões porque lá diz o ditado, "quem não deve não teme". 
 De qualquer  forma, esta expressão defensiva e que tresanda a culpa 
 banalizou-se tanto entre malandros do piorio e mulheres de mau porte que é obrigatório fugir dela.


(Tratar os filhos por) Baby B, X, ou Y. Usando só a inicial.


Baby F, Baby M., bABY j. ... de pequenino se torce o destino!

Ainda gostava de saber quem foi a iluminada que se lembrou desta, que a pobre criança fica a parecer um concorrente do Big Brother ou um gangsta rapper de esquina. Li por aí que algumas bloggers muito populares podem ter começado a modinha pretensiosa, julgando que parecia muito chic. FAIL.

Se todo o mundo sabe o nome do pequeno ou da pequena, para quê tratar a cria por Baby M. (Maria,Mariana, Manel) Baby J. (João, Joana) ou Baby C. (Carlitos, Carlota...)? Acham que fica  delicado e anglo saxónico, mas não. É só pindérico mesmo. Pior ainda quando acompanhado de dizeres macarrónicos em inglês macarrónico. 

Em alguns casos, com a educação que vai receber e com os exemplos que vê em casa o pobre petiz acabará mesmo como gangsta rapper ou concorrente de reality shows, mas todo o inocente merece uma chance na vida e não é justo etiquetá-lo ainda de fraldas. Digo eu.

"What goes around comes around"




Geralmente a acompanhar retratos de perfil ou a fazer de sumário nos perfis de qualquer rede social, tipo aviso.

Traduzindo, "sou uma pessoa conflituosa que está sempre metida em confusões- e ainda por cima guardo ressentimentos" ou "sou fácil, envolvo-me com qualquer desconhecido  sem pensar duas vezes, atiro-me de cabeça a julgar que me pedem logo em casamento e depois corre mal. Mas a culpa é dos homens que não prestam! HÁS-DE PAGÁ-LAS CARLÃO, O KARMA NUNCA FALHA".
 Por aí. É uma frase egocêntrica e agressiva que nunca demonstra bons sentimentos, como se não bastasse ser uma frase parola.

"Solteira sim, sozinha nunca"



Como avisam muitos memes sábios por aí, traduzida para português a frase reza "todo o mundo dá uma voltinha comigo, mas ninguém me assume" ou "só presto para amiga colorida/para usar e deitar fora". Mesmo que isso não seja verdade, publicar tal coisa equivale a espantar todo o candidato a relacionamento sério num raio de quilómetros.
  Talvez muita gente empregue o chavão sem maldade alguma, apenas para indicar que está bem na sua própria companhia e que tem uma vida social e profissional muito interessante, mas no mínimo dá uma imagem de Maria Desmiolada. Há tanta forma de dizer que se está bem com a vida...


"O melhor de mim...está para chegar/por chegar/para vir/já chegou".


Pior, só escrito assim.


Assim, tipo autocarro.

Outra que se popularizou entre quem está para ter filhos ou acaba de ter filhos. É lamechas, é sentimentalona e dá a entender que a pessoa é  tão desocupada, ou com uma existência tão cheia de insucessos, que a única coisinha de jeito que fez (salvo seja) foi reproduzir-se. 

Sem querer tirar tirar mérito à maravilha que é ter bebés, convém que os pais sejam pessoas minimamente arranjadinhas para receberem um filho- e se o melhor deles é um ser acabado de vir ao mundo e incapaz de se bastar a si mesmo, está ali uma casa bem montada. Depois, não convém deitar foguetes antes da festa. É que o futuro a Deus pertence  e às vezes festejar antes do tempo é mau presságio.  E se "o melhor delas" (ou deles) sai um valente gandim, desses que nem a mãe respeitam? Depois quero ver. Foleiro, pindérico, lamechas e ainda por cima agoirento. Dispensem!


"Lindona"



É um daqueles elogios ranhosos que algumas mulheres dão às "migas". Mas se alguma das vossas amigas escorregar, dizendo-vos um desses, desconfiem que é um insulto. Especialmente se for por escrito e em público. A página da mulher mais elegante, sofisticada e virtuosa vai por ali abaixo assim que um "lindona" aparece nos comentários. Linda, lindíssima, muito bonita, bela, belíssima, dito em qualquer língua, fica sempre bem, mas "lindona?". Nunca em tempo algum. Pior, só chamar "pêga" e nomes de animais de presépio como se fosse tratamento carinhoso.


"Que os dias de felicidade virem rotina".



Era bom, não era? Mas se calhar depois já nem se apreciava. Não sei de que ovo brasileiro se chocou tal máxima, mas aparece imenso a acompanhar retratos de rapariguinhas com mau ar, carregados de filtros e duckfaces. Péssimo. Façam votos de felicidade de outra maneira ou guardem-nos para vocês, pois toda a gente sabe que um desejo expressado em voz alta (ou escrito em público) pode ficar enguiçado. Haja paciência.




Resumindo e baralhando: 

 Infelizmente a vida está cheia de lugares comuns, de banalidades  e de coisas mal escritas...ao menos que tentem variar, c´os diabos!


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