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Saturday, January 11, 2014

As coisas que eu ouço: eu quero o MEU MACACÃO!!!!

Isabel Marant
                                             

Arrisco-me a dizer que qualquer fashionista que se preze gosta (ou tentou gostar) de macacões, aliás, jumpsuits. Pessoalmente - embora fuja das "jardineiras" com alças que dão à mulher mais elegante um aspecto entre Dennis, o Pimentinha e Humpty Dumpty - tenho uma série de jumpsuits - curtos, compridos, de cetim, em denim, de fazenda, vintage, com manga, sem manga, e por aí fora. Não recomendo que se usem  todas as semanas ou coisa parecida mas são práticos, fazem uma toilette em menos de um Credo e com o styling certo, criam uma silhueta longa e sofisticada. 
  
 E esta semana, à procura de um dos uns "macacões" de manga comprida (ou seja, próprios para este tempo) que está desaparecido em combate na minha lavandaria - não há nada como um bom jumpsuit quando temos preguiça de inventar o que vestir no dia seguinte -  lembrei-me de um estribilho que ficou dos meus tempos de liceu e que é citado cá em casa, de cada vez que se pergunta "onde está o meu macacão?" ou de resto, quando se quer muito encontrar alguma coisa que não está à vista.

 A autora da frase com certeza já nem se recorda do episódio, mas é daquelas private jokes que ficam mais na memória de quem ouviu do que de quem as protagonizou.

Ora bem, eu tinha uma colega de turma que era um amor, super educada e espirituosa, mas um bocadinho excêntrica. A típica menina mimada e bem criada que passa por uma fase rebelde. E parte da sua rebeldia incluía vestir-se entre o sem abrigo (em versão limpinha, felizmente) e o Maria-Rapaz. Na maior parte dos dias andava com uma jardineira enorme de ganga, um barrete e uns ténis muito pouco femininos. Só os camisolões mudavam. Era feliz assim e ninguém ligava. Mesmo a família, que era bastante tradicional, levava o caso à paciência: fases.

 Mas há ocasiões para tudo e quando a irmã mais velha se casou a mãe, já para prevenir, fez questão de a levar a todas as lojas para a minha amiga (chamemos-lhe Maria) escolher o que quisesse. Ela lá acedeu, depois de muita luta, e trouxe uma fatiota bourdeaux, romântica, com rendinhas, a puxar para o gótico- da Mango, até me lembro da marca.

 Porém, no dia aprazado, com a noiva atacada dos típicos nervos e toda a casa numa lufa lufa, a boa da Maria entendeu que afinal não queria usar nada daquilo. E em vez de toda a gente apoiar a noiva, toda a casa teve de acudir e esconder a jardineira sebenta porque ela, no seu vozeirão, berrava como uma possessa:


 Argggggh! EU QUERO O MEU MACACÃO!!!!

E a mãe, excelente senhora, a perder a calma "olha que tu levas!". E assim foi, até chegar - já decentemente vestida - à Igreja. Imagino a vergonhaça (ou o pitoresco) que seria olhar hoje para os retratos do casório, se tivesse levado a sua avante...

 Estórias à parte, eu também quero o meu macacão. Tenho mesmo de ver onde arrumei os jumpsuits de Inverno...



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