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Wednesday, September 20, 2017

30% da beleza vem do interior




30% é assim um valor atirado ao calhas; mas acredito que quando se calcula o todo para classificar alguém, o carisma, o sex appeal, o espírito (sentido de humor, conteúdo, etc) e acima de tudo, a elegância do espírito contam muitíssimo.

 Digo muitas vezes que embora a beleza possa ter certos padrões universais (traços correctos, cabelo bonito, pele luminosa, corpo proporcionado)  também vem em diversos tamanhos, tipos e feitios. E que aquilo que uma pessoa acha deslumbrante, outra pode concordar que é bonito mas não tanto que assombre, ou não ver mesmo onde está o apelo.

 Basta pensar nas celebridades: a maioria considera Angelina Jolie uma mulher lindíssima, mas há quem a ache estranha. Uns gostam de morenas, outros de louras ou de ruivas; certas pessoas acham piada a uma rapariga alta e esguia, tipo Nicole Kidman, ou miudinha como Winona Ryder; outros preferem  formas sinuosas estilo Marilyn Monroe, ou têm um fraco por mulheres mais imponentes. Há muitas formas de beleza e tantos gostos como pessoas...dentro do "bonito" não falta variedade!




Depois nem falemos no padrão vigente no momento, nem no papel que a roupa/maquilhagem/cabelo/situação têm na equação toda, e no "boneco" que cada uma apresenta ao mundo: sofisticada e senhoril, ingénua, femme fatale...

Isto falando nas belezas reconhecidas como tal: as belezas clássicas, as belezas "perfeitas" (sendo que podemos não as considerar uma e a mesma coisa) e as belezas exóticas.

Entendamos as três como qualquer mulher que fizesse bem o papel de Vénus de Botticelli, mais coisa menos coisa.




 Elizabeth Taylor era o epíteto de beleza clássica: no entanto, as opiniões dividem-se. Uns defendem que um rosto tão lindo nem de encomenda, outros (tanto os seus contemporâneos como alguns cirurgiões plásticos peritos em medir traços) afirmam que não era uma beleza perfeita: o seu queixo era um pouco fraco e as pernas algo curtas proporcionalmente ao tronco (não que alguém ligasse a isso; eram detalhes que se perdiam no conjunto).



 Já Grace Kelly poderia caber no título da "beleza perfeita": sem falar na sua elegância etérea, tinha um rosto absolutamente simétrico e segundo as modistas, tudo lhe assentava imaculadamente, de tão proporcionada que era. No entanto, foi Taylor que passou à história como a mulher mais linda do mundo, mercê do sex appeal e do contraste invulgar entre a cor da pele, do cabelo e dos incríveis olhos azul-violeta. 

Podemos ainda falar de Brigitte Bardot, outra beleza clássica, que andaria entre a perfeição e o exótico, com os seus lábios cheios e olhos rasgados. E Audrey Hepburn? Definitivamente uma beleza clássica, mas discreta.




Sophia Loren, por seu turno, conquistou espaço como uma beleza exótica. Quando ficou famosa estavam na berra traços mais delicados, nórdicos e anglo saxónicos...e Sophia apresentou ao mundo uma formosura intoxicante que hoje em dia  sabemos apreciar melhor: olhos rasgados e felinos, boca grande, nariz e maçãs do rosto proeminentes



 Muitas décadas antes, também Lina Cavalieri, vedeta de bel canto da Belle Époque, mereceu o título da mais bela do mundo; e os seus retratos permitem-nos ainda hoje reconhecê-la como uma beldade clássica, senão uma beldade perfeita. Não que haja nada de extraordinário ou invulgar na sua cara: mas as suas feições são tão correctas (face oval, maçãs do rosto altas, nariz romano, olhos grandes e lânguidos) e a sua silhueta tão feminina que é impossível pensar o contrário. Rosto de anjo com um corpo de Salomé!

Todas elas (como muitas outras actrizes e modelos) são no entanto belezas testadas e aprovadas, exemplos, padrões, ícones. E todas têm algo em comum além da beleza: eram mulheres glamourosas e no geral, pessoas de bons sentimentos, com grande beleza interior também.

Mas passemos à vida real:  como elas, há imensas mulheres anónimas a que se pode, com justiça, chamar belas dentro dos tipos atrás citados. Umas com mais "imperfeições" outras com menos.



Depois (e alguns homens têm para isto algumas tabelas de classificação bem patetas) há as raparigas bonitinhas e as "raparigas giras" ou seja, aquelas que seriam chamadas bonitas se não fosse um ou outro pormenor que estraga o conjunto. Jackie Kennedy é um exemplo do tipo: seria uma beldade se não tivesse o rosto um pouco largo e os olhos um tanto afastados, mas compensava com uma elegância e charme sem limites. Jennifer Anniston, a meu ver é outro caso: não a chamaria "bela", mas é giríssima.

Muitas vezes, o "pormenor" ou "pormenores" passam despercebidos. Mas quando o"senão" é acompanhado de um "senão interior"... aí é mais complicado.





E dou-vos um exemplo muito claro disso...

Conheço duas raparigas fisicamente muito semelhantes, embora uma seja portuguesa e outra italiana, e a primeira tenha cabelo claro e outra escuro. 

Podiam passar por irmãs e no conjunto, sem serem "bonitas" no verdadeiro sentido do termo, têm o que se chamaria "boa figura": estatura média, figura elegante, cintura fina, algumas curvas, decote bonito; longo cabelo sedoso e olhos grandes. Ambas gostam de se arranjar e de cuidar da aparência. À segunda tiro-lhe o chapéu, pois já foi mãe e mantém-se impecável...o único detalhe que não as classifica como bonitas é ambas terem o queixo estilo Rumer Willis,  bastante proeminente e largo, que não se harmoniza com o resto...e os dentes do maxilar inferior ligeiramente recuados.


 Não que uma mulher precise de ter traços imaculados para ser bela, como vimos (e um queixo acentuado não impediu "raparigas giras" como Drew Barrymore de ter êxito)
 mas nestes dois  casos, é uma característica que se sobrepõe a tudo o resto na cara e que
 faça-se o que se fizer, não dá para modificar muito...paciência. No entanto, apesar disso, 
 a morena é mil vezes mais "bonita" e faz muito mais sucesso do que a outra, tendo inclusive casado bastante bem.


 E porquê? Porque é LINDA por dentro! Um anjo de rapariga: trabalhadora, meiga, boa esposa, boa mãe, boa profissional e óptima chefe, que nunca tem uma palavra ríspida para ninguém. Todos os seus modos são suaves e está sempre serena. Além disso, veste com muita classe e tira partido do que Deus lhe deu sem precisar de andar por aí meio despida. É estimada por toda a gente e se não tivesse saído muito cedo do "mercado" dos namoros, acredito que não lhe faltariam pretendentes.


Imagem via 

Já a outra, Deus a valha, coitada: é uma destravada de primeira, apesar de já andar nos 30 e muitos anos. Acha que para repararem nela é preciso andar mais despida que vestida, em poses questionáveis e sempre em bares duvidosos com outras solteiras desesperadas, exercendo inclusive má influência em algumas, mais jovens, que ainda poderiam ter remédio. Todos os seus discursos são de serigaita: isto é "top", aquilo "arrasou" ; a sua vida é discoteca-praia-ginásio e dramas de alcova. Em vez de realçar aquilo que a natureza lhe deu de bom (grandes olhos verdes, longo cabelo louro) ele é decotes e mini saias e cai cais e duck faces que só chamam mais a atenção precisamente para o que tenta disfarçar.

 Uma verdadeira cabecinha de vento com quem não se pode ter qualquer conversa que jeito tenha e que não faz por si nem pelos outros. Até digo mais:  tenho para mim que podia ser uma Claudia Schiffer, e ainda assim não iria muito longe com tão pouco miolo e respeito por si própria.

Bem dizia já não sei quem que nem todas podem ser "belas", mas ser elegante está ao alcance de qualquer uma. E isso faz toda a diferença...














Tuesday, September 19, 2017

A invencível Senhora Dolores.






A ser verdade o que diz a imprensa cor de  rosa-serigaita, a Senhora Dolores**** também já se desentendeu com a nova "nora" (salvo seja porque o moço não casou) e mãe do seu mais recente neto: a "rapariguinha de shopping" Georgina.

Não se entende. Ainda há tempos, alegadamente, a mãe do às da bola teria declarado (como em tempos acerca de Luciana Abreu, que o craque não quis namorar) que esta [Georgina] sim, é humilde como a gente.

 Humilde = aprovada, apesar de não ser portuguesa, supostamente um dos critérios para passar o teste já que aprender línguas parece não ser o forte da mãe do Ronaldo (ela é fantástica na cozinha, dizem - não se pode ser boa em tudo, oras!).




Nessa altura eu estive para comentar que embora esteja até certo ponto de acordo com a Senhora Dolores nesse aspecto (quer-se lé com lé e cré com cré, lá dizia a minha santa avozinha) talvez não fizesse mal ao menino Cristianinho assentar com uma rapariga um bocadinho mais culta.
Vá, não digo que ele fosse buscar uma fidalguinha com os brasões falidos, ou uma menina da alta burguesia cheia de nove-horas, porque nem imagino o que seriam os jantares de família (ou imagino...).



  Mas enfim, uma moça trabalhadora, com um background simples mas alguma instrução e espírito prático não lhe faria mal. Por isso sempre achei que Irina seria o ideal - sem pedigree, mas culta e linda de morrer. Não serviu porque era russa, porque era altiva, etc, etc. Proveito dela, que se arrumou com uma estrela de Hollywood mais a seu jeito... e a Senhora Dolores lá se livrou da matrioska e continuou a ser a matriarca sem nora que lhe fizesse sombra.



Entretanto vem esta, que não sei se foi um bocadinho à escola ou não e vontade de dar nas vistas também não lhe falta mas pronto, é humilde e  caladita e espanhol sempre se entende...e zás, também não serve apesar de já vir herdeiro a caminho.


A ser verdade (repito, que não sei, não estou lá..) não há como agradar a Ti Dolores...

Mas vamos ao que interessa: se é mesmo verídico que nenhuma nora passou o teste (sejam quais forem os motivos lá na mastermind da Ti Dolores) e que esta senhora de ar sorridente que adora cozinhar e mimar a família faz mesmo a vida num inferno às potenciais noras...isto coloca-a numa categoria muito especial: na categoria das super vilãs de telenovela. 




Ou mesmo de Shakespeare: "parecer uma flor inocente, ser a cobra por trás dela". Muito fofa pela frente, e uma mestra da manipulação pelas costas. As pobres serigaitas entram, confiam, baixam a guarda e quando menos esperam, são trucidadas pela senhora Dolores com o seu tabuleiro de bolo do caco e o ferrão da espetada à madeirense.


Ora, eu  ADORO uma super vilã de telenovela ou da Disney. Ti Dolores, a Alexis da Dinastia, versão plus size e tuga.





Estilo Úrsula em modo madeirense e com um cacho de bananas em vez de tentáculos. De mais a mais, vejam o cenário da Ti Dolores nesta pérola de anúncio às bananas da Madeira:



Sabem o que vos digo? DIVA! Quando alguém ou alguma coisa é tão contrária a tudo o que eu admiro e defendo, de forma tão hiperbólica, tão cândida, tão flagrante, acabo por ter de reconhecer que estou perante uma personagem larger than life, um figurão, uma lenda. Ou seja, a coisa é tão estranha que acaba por ter piada. Tenho de lhe tirar o meu chapéu, pronto. Um chapéu de bananas como o da Carmen Miranda, essa *outra* diva portuguesa. Tragam um chapéu de bananas para mim, outro para a Ti Dolores, faz favor.



*** ( Costumam chamar-lhe Dona Dolores, mas para mim é Senhora Dolores porque a mãe desse mito da bola que é Cristiano Ronaldo e a cujo nome um português tem de assentir logo que responde a alguém no estrangeiro "sou português", faz questão de ser uma mulher do povo, portanto Senhora Dolores ou Ti Dolores é mais informal e assenta-lhe melhor- entendedores entenderão).


Thursday, September 14, 2017

Taylor Swift: e a nobre arte do Shake it off, era só conversa?




Taylor Swift ( que até respeito mais que qualquer outra "estrelinha" do momento, por ser uma rapariga de classe apesar de muito namoradeira e por ter umas canções aceitáveis) lançou, com estrondo, o seu novo single, Look What you made me do:



E- tal como o público esperava- a cantilena e o respectivo videoclip  são um ode a todas as celebridades com quem a cantora tem tido "guerrinhas" ultimamente e à forma como é retratada pelos média ( uma víbora manipuladora que passa por santa mas que se vinga destruindo os ex namorados nas suas músicas e uma "mean girl" control freak, sedenta de poder, com um esquadrão de amigas bonitas e fúteis).


Este número de Swift (zangar-se com alguém e alfinetar a criatura no próximo hit que lança) começa a ganhar mofo. E a perder o sentido à medida que ela vai ficando mais velha.




Ao ouvir a canção, recordei-me de uma situação que se passou comigo.


Há uns anos (quando eu ainda levava certas coisas e certas personagens demasiado a sério) tive sérias razões para ganhar aversão figadal a uma pessoa.

Digamos que a criatura (Deus lhe valha, era tão desinfeliz que merecia mais pena que outra coisa...) teve o atrevimento não só de tentar pregar-me uma partida, a mim que estava contentinha da vida e quieta no meu canto sem fazer mal a uma mosca (e nem andava a fazer assim muita troça das pessoas nem nada, juro). 

E ainda por cima, uma partida que representava tudo aquilo que mais desprezo neste mundo!

Agora olho para trás e vejo que era caso para um par de calduços e rir do assunto; mas na altura doeu e pior, o incómodo não desaparecia. A raiva é como o amor: consome, gasta energia, uma pessoa deita-se e acorda a pensar nisso.



Fiquei muito magoada, pois quem não se sente não é filho de boa gente... e não me orgulho de dizer que congeminei umas quantas artimanhas para expor a pessoa ao devido ridículo (esperem lá- orgulho pois. Soube-me bem e foi mais que merecido!).

É que eu tenho uma paciência de chinês, um saco de "dar o desconto" aos outros extremamente elástico e é muito raro zangar-me ou perder as estribeiras. Prezo o auto domínio acima de quase tudo e acho muito feio ser mesquinho. Dou a outra face, que é como quem diz "deito ao desprezo".

 Dizem-me muito que não percebem como tive calma nesta ou naquela situação, que não sabem onde vou buscar o sangue frio e que tenho uma pachorra de Job e tolerância ao intolerável. Mas quando finalmente me zango, quando o saco rebenta (ou até é a primeira vez que pisam o risco mas calha tocarem-me cá nos meus dogmas ou valores de base) o caldo pode entornar-se e aí já não vejo a direito.



Em resumo, eu já tinha desabafado e retaliado, já a estória arrefecera, a poeira baixara e em boa verdade tinha deixado de ser caso para tanto... mas eu continuava a deitar fumo. Insistir na fúria estava a fazer-me mais mal a mim do que à alminha que iniciara a confusão para começo de conversa.

Até que uma grande amiga minha, farta de me aturar e de não reconhecer a minha pessoa naqueles preparos, me disse:

"Por amor de Deus, Sissi!!!! Tente ser mais magnânima! Isto está a tornar-se ridículo!" (ela é inglesa por isso usou o termo "gracious", que acho muito apropriado mas complicado de traduzir).



Foi como uma baldada de água fria bem necessária. É bom termos amigos que nos dêem um puxão de orelhas de vez em quando. Eu que tanto defendo manter a classe acima de tudo estava a ser rancorosa, e pior - a deixar que aquilo me amargurasse. 




Parou ali a brincadeira e passei a não levar as pessoas e os episódios tão a peito.

 A ter uma visão mais "Católica" do assunto, se quiserem.. embora alguns grandes santos se ofendessem e não deixassem créditos por mãos alheias. Por outro lado, os Santos enfureciam-se quando a glória de Deus estava em causa, e não a sua pessoa. Por outro ainda, isto transcende a religião: é algo comum a qualquer filosofia de auto domínio, bem viver e civilidade.

Ofender-se com justiça é legítimo, mas tomarmos como crime de lesa-Majestade qualquer agravo que nos façam é indigno não só de um um cristão, mas de qualquer pessoa de bem. É muita presunção. É acharmo-nos acima de toda e qualquer contrariedade.



 Acima de tudo, é deselegância. E eu não queria resvalar para a deselegância, até porque assim a pessoa malvada ficava mesmo a ganhar.

Por vezes - já o tenho dito - a nossa vitória é maior se aplicarmos às coisas e às pessoas um valente "deixa para lá" ou um "as acções ficam com quem as pratica".

 Ricardo Coração de Leão morreu ferido por uma flecha disparada por engano, perdoou o seu homicida e ainda mandou dar-lhe dinheiro. Soube ser Rei e deu desconto à situação do moço: não  havia glória em esborrachar uma pessoa insignificante por danos que já não se podiam reparar (a sua mãe, Leonor da Aquitânia, é que não esteve pelos ajustes e mandou executar o rapaz da maneira mais horrível, dizem). Quem não vive para as ninharias deste mundo não se pode consumir por causa delas. É isso que distingue as pessoas verdadeiramente inspiradoras!

Mas deixemos Ricardo Coração de Leão e voltemos a Taylor Swift Coração de Cheerleader.




 O grande mote para mais esta "cantiga de maldizer em versão pop" é, claro, ter sido apanhada a mentir (por nada mais nada menos que Kim Kardashian)  quanto a concordar ser mencionada de forma pouco lisonjeira por Kanye West na canção e no controverso videoclip de "Famous". Para muita gente caiu a máscara de rapariga amorosa e alguns amigos e fãs de Taylor alinharam com o "inimigo".



É claro que o escândalo vende e Taylor Swift sabe vender como ninguém. 

É possível que Miss Swift se sinta lesada, que até tenham em certa medida sido injustos com ela e que, para uma rapariga que tenta apresentar-se com certa elegância, seja o fim do mundo ser exposta como mentirosa  por uma figura de moral questionável como Kim Kardashian (por muito relevante que Mrs. Kardashian-West se tenha tornado,  por mais que muita gente jure que ela é boa pessoa e ainda que eu tenha que reconhecer que não lhe falta uma certa compostura na forma como se defende quando é atacada por outras caras conhecidas).



Mas não foi Swift que popularizou o mantra (muito útil, aliás) Shake it off? Não era ela que cantava que haters gonna hate e que os cães ladram mas a Taylor Swift passa com o seu esquadrão de amiguinhas e fantasmas de ex namorados e tudo como dantes no quartel de Abrantes?

Apesar de Taylor Swift ter tantas amigas, faltou-lhe uma amiga verdadeira, franca e sensata como a minha!

E depois, o erro foi dela mesma,  que andou a falar com pessoas com quem tinha razões para não simpatizar (acredite-se ou não que a birra de Kanye nos Grammies foi encenada para tornar Taylor mais famosa) e a associar-se a figuras com quem preferia que não a associassem. Há que aceitar a responsabilidade, rir do assunto e ...shake it off.



Tinha-lhe ficado melhor manter-se nessa onda, eu acho. Uma mulher chega a uma altura na vida em que tem de aprender a tal máxima de deixar as acções com quem as pratica, a dar um deixa para lá, um "Deus te ajude, coitadinho que não sabes o que fazes", a não devolver o carvão que os outros atiram para não ficar toda enfarruscada- a não deixar, enfim, que a raiva a consuma e a procurar a melhor vingança: viver lindamente e arreliar os antagonistas com a sua felicidade. Não há tortura pior.

A cantiga Look what you made me do é muito contagiante, admito - mas acho Shake it Off um lema bem melhor para viver bem.





Wednesday, August 30, 2017

Frase do dia: vergonhodependentes.




Lido numa página brasileira, a propósito de uma cantora lá do burgo, filha de pai famoso, que tenta por força fazer carreira mas não acerta uma e só se embaraça a ela própria (ou "paga mico atrás de mico" como se diz por lá- povo muito engraçado, o brasileiro).


"não pode ver uma vergonha, que já quer passar".

Frase cómica, mas sábia: quantas pessoas há que parecem viver no firme propósito de 
passar vergonhas atrás de vergonhas... são os pega-vergonhaças. Ou os vergonhodependentes.

E quase sempre, a causa desse mal é só uma: a vontadinha de dar nas vistas.

Isto porque fracassos, toda a gente tem;más escolhas toda a gente faz; e de altos e baixos ninguém está livre. Mas ora fava- há quem faça mesmo
 justiça ao dito "cada tiro, cada melro"- e pior:  ou não tem noção disso, ou até gosta de ostentar a desgraça.


 De facto existem pobres diabos realmente azarados, que parecem atrair mais "más fases" do que o resto dos mortais, certo - mas salvo casos muito pontuais (uma triste figura feita sem querer que é captada em directo para a TV e viraliza no youtube ou coisa semelhante)  todo o mundo tem algum controlo sobre aquilo que divulga. Ser o "Felisberto Desgraçado de serviço" é quase sempre uma questão de escolha. Ou uma questão de falta de dignidade, se preferirem...

 Dos aspirantes a famosos que se tornam "papa concursos" aos bloggers/vloggers que gostam de expor mais do que devem em modo Kim Kardashian, passando pelos 
 que vão para as redes sociais reclamar da vida,  contar os seus sucessivos falhanços profissionais ou relatar, tim tim por tim tim, os seus entusiasmos de alcova para dali a dias...zás, levarem o costumeiro  pontapé no dito cujo e andarem a lamentar, publicamente, a perfídia do sexo oposto, digam-me cá: não são estas vergonhas escusadas?




 Será necessário relatar cada passo que se dá, em vez de esperar e entregar as novidades boas quando já estão confirmadas-e as menos boas, quando de todo não se pode evitar e de forma discreta? Mais estranho ainda: quando o filme se repete, não ocorre a estas almas pensar "deixa-me estar caladinho(a), que já bastou o embaraço das outras vezes?".


Tem de haver aí um viciozinho, uma adrenalina que sobe com a atenção, com a compaixão, com a vergonha alheia. Isso associado, decerto, a demasiado tempo livre. Quando vejo estas coisas só imagino a Senhora minha avó a fazer facepalms e
 a benzer-se, ela para quem o pior martírio do mundo era a remota
 hipótese sequer de ser "falada" ou "posta ao jornal"...

Começo a achar que a falta de brio (ou de vergonha na cara) é como a morte e a estupidez: só afecta os que estão próximos. Ao próprio  tanto se lhe dá como se lhe deu...




  

Monday, August 21, 2017

Já o tetravô*** usava crista- os penteados "Império"




De há uns quinze anos a esta parte, os penteados cheios de gel para homem têm andado sempre na berra- uns aceitáveis, outros de um mau gosto atroz (olá, Carlões e Carlitos do tuning, do puxa ferro e das danças afro latinas!).



Dos estilos moicano ou gladiador às "poupas" tão do agrado dos jogadores da bola e seus seguidores, passando pelos looks mais longos mas igualmente "no ar" usados por celebridades como os meninos dos One Direction, sem falar nas versões que os hipsters se lembram de inventar, salvo seja, para acompanhar barbas e tatuagens (fora o "toutiço para homem" de que hoje não trataremos).



Gostos à parte, todos estes mancebos, ou quase todos, devem sentir-se muito à moda, muito trendy, muito avant-garde...sem pensar, ou sem se lembrarem, que esses visuais já andaram muitíssimo em voga há uma data de anos.



E responderão eles, indignados: mas quando, Sissi? Olhe que não estou a ver. O meu penteado não se parece com nada que eu tenha usado no liceu, nem com o cabelo comprido do meu pai nos anos 70, nem com a poupa à Elvis do avô nos anos 50, nem com as brilhantinas que se viam, em diversos estilos, nos anos 40, 30, 20, nem em 1900 e bolinha... está com os copos?

E diria o Cristiano Ronaldo: eu não sei, que eu não fui à escola, etc.

Pois é, cavalheiros, temos de recuar mais um bocadinho, um bom bocado para lá de 1900 e bolinha. Ou antes, para 1800 e bolinha.  Mais precisamente entre 1803 e 1821 (compreendendo o período da Regência em Inglaterra, entre 1811 e 1820, ou seja, a época em que os romances de Jane Austen foram publicados) quando o Estilo Império imperou, passe o pleonasmo.

Josefina Bonaparte

Este estilo - na arquitectura, decoração e moda (que rejeitava os visuais elaborados e as grandes cabeleiras pré-revolução francesa) era inspirado pelo gosto imponente de Napoleão Bonaparte e das mulheres da sua família, pela estética militar, pelas campanhas napoleónicas no Egipto e sobretudo, pela Antiguidade clássica.


Nos vestidos das senhoras, os decotes desceram, a cintura natural foi escondida e passou a situar-se logo abaixo do peito (o que pareceu aos contemporâneos tão disparatado como a mim me parece hoje - mas isso é assunto para explorar noutro post) e passaram a usar-se tecidos finos, as saias mais estreitas e justas ao corpo...atrevimentos que escandalizavam os mais conservadores.


Quanto às melenas, perderam comprimento e volume, sendo apanhadas "à grega" ou mesmo cortadas "à Tito" ou "à la victime" (imitando o corte atabalhoado que o carrasco fazia às vítimas do Terror antes de as pôr na guilhotina). E as feministas em 2017 acham-se muito subversivas por escortanharem o cabelo, não é? Ná, minhas meninas, já foi tudo inventado...


Por sua vez, os homens passaram a usar, basicamente, tudo o que usava o socialite Beau Brummel, pioneiro do dandismo (figura tão responsável por simplificar e modernizar o vestuário masculino como Coco Chanel o seria mais tarde em relação à roupa feminina).


 Grandes gravatas, calças compridas em detrimento de culottes (salvo em situações formais) polainas e fatos mais semelhantes aos que vemos actualmente.


E os cabelos, se já não andavam longos pelos ombros abaixo nem empoados, não eram por isso menos espectaculares nem trabalhosos: à falta de gel, usava-se pomada ou óleo à base de gordura de urso perfumada com essências para esculpir as madeixas e dar o efeito "despenteado".


Aproveitando a textura natural do cabelo, havia quem destacasse ondas e caracóis ou quem fizesse poupas e cristas.


Repare-se como muitos destes penteados à Tito, à César e à Brutus podiam figurar num qualquer editorial de moda dos nossos dias:












É claro que alguns cabeleireiros sabem disso, chamando os penteados actuais, inspirados nestes, por "Regency Hairstyle"...mas acredito que à maioria, nem lhe passará pela cabeça que usa na dita cuja um look copiado de um Bonaparte, de um Mr. Darcy ou de uma personagem de "A Fogueira das vaidades"....


***tetravô à falta de palavra mais adequada, porque escrever "quinto ou sexto avô" não cabia no título...

Thursday, August 10, 2017

As portuguesas serão sofisticadas?

Milu

Reparei que um inocente texto do DN acerca de uma marca brasileira de cosmética gerou acesa discussão no Facebook - tudo porque a representante da marca disse que considera as portuguesas sofisticadas. O seu comentário dá que pensar:

" É uma beleza talvez um pouco mais natural, mas não é por isso que não é beleza. Não é aquele hair brushing como as americanas têm ou aquela pele perfeita e maquilhada das europeias do norte, é uma beleza mais espontânea e tem muito chame. As mulheres aqui têm muito charme, eu fico babando. Porque é muito fluida a maneira de se vestirem. Discreta, mas com alguma coisa muito transparente, que nos encanta. É muito feminino e nós mulheres temos que assumir a nossa feminilidade. E a portuguesa, eu acho, consegue assumir a feminilidade de forma natural. Não é para seduzir alguém, porque a brasileira às vezes quer seduzir, está sempre nesse jogo de sedução. Eu acho que as mulheres mais sofisticadas, em termos de gosto, são portuguesas".


É curioso que Pierre Balmain, quando visitou o Estoril em 1959, teve acerca da mulher portuguesa uma opinião semelhante: gabou-lhe a figura esbelta, que mantinha mesmo depois de ser mãe, o apurado gosto, o perfeccionismo e a elegância discreta, sempre associados a um sentido da economia que não a deixava cair em extravagâncias. Também Beatriz Costa notava essa parcimónia, quando levava as suas amigas portuguesas às compras em Paris.


Laura Alves


Voltemos ao artigo do DN: claro que houve logo quem dissesse que sim senhor e quem apontasse o desleixo das mulheres lusas ou o seu desequilíbrio: tanto se desmazela e se deixa engordar como se enche de leggings, de tacões, de extensões...isto quando não faz as duas coisas ao mesmo tempo.

 Eu darei um pouco de razão a uns e a outros, até porque já apontei os vícios de estilo das portuguesas aqui.

A portuguesa não será a mais glamourosa, ou a mais cuidada das mulheres. Mesmo nestes tempos de maquilhagem excessiva "do Instagram para a rua" continuo a achar que a lusitana, para o bem e para o mal, se pinta menos do que a espanhola ou a inglesa. Das espanholas também lhe falta uma certa raça e salero e o gosto pelos acessórios. Não possui o chic sem esforço da francesa nem a obsessão pela bella figura da italiana ou a feminilidade voluptuosa das russas e afins. Depois, decerto não terá o "dengue", a feminilidade exacerbada da brasileira, que roça tantas vezes o vulgar.



Raquel Prates


De resto, quanto à sofisticação ou elegância, tenho acerca dos portugueses, independentemente do sexo e enquanto povo, a mesma opinião que tenho dos nossos irmãos brasileiros: não têm meio termo! Talvez isso se relacione com a velha ausência de uma classe média forte nos dois países, não sei. O certo é que portugueses e brasileiros, se são elegantes, requintados,  altivos e de belo porte, são-no muitíssimo! Mas quando são rústicos são uns brutamontes, e esses são infelizmente a maioria.


Natália Correia


E isso cai como uma luva nas mulheres: uma só socialite da velha guarda portuguesa ou brasileira (dessas com porte racé e todos os pergaminhos que pouco aparecem nas revistas) vale por uma data de it girls. Isto sem falar nas vedetas de antanho como Milu, Amália ou Laura Alves. A portuguesa, como a brasileira,  não tem área cinzenta: se é elegante, é elegantérrima.


Vicky Fernandes



Mas quando não é..

Daí a imagem da portuguesa descuidada ou da brasileira ordinareca.

Deixemos porém as brasileiras com os seus problemas, e voltemos à Pátria. A portuguesa elegante, aprumada,  possui realmente os atributos citados pelo DN e por Pierre Balmain. Não só consegue a proeza de caminhar na calçada de saltos altos sem se queixar (super poder que já abordei em detalhe aqui) como ainda mantém o atributo da singeleza e simplicidade, que é quase em si mesmo um sinónimo de elegância.



 É feminina, mas não faz por isso; mais do que tudo, é graciosa. E se possui beleza adicionada a essa elegância, melhor ainda (porque beleza e elegância nem sempre andam juntas). É certo que já ouvi portugueses e estrangeiros queixarem-se que as portuguesas andam cada vez mais ríspidas, que são antipáticas e que não fazem por agradar nem se esmeram na vaidade, mas as que não são assim, as mais tradicionais, mais sossegadas e que não dizem palavrões nem fazem o culto da mulher refilona "quem não gosta não olha", não ficam a dever nada às russas, consideradas o epíteto da feminilidade.

Num oceano de belezas artificiais, esforçando-se em demasia, ainda se vê na mulher portuguesa - ou em certas mulheres portuguesas-  uma ausência de afectação, uma transparência, uma recusa do excesso e da novidade, uma inocência e uma timidez (fruto da nossa herança Católica?) que são, sim, sofisticadas. Mesmo com ausência de arrebiques- ou talvez por isso mesmo...




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