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Wednesday, June 28, 2017

3 Dicas de styling e beleza aprendidas on the job



Uma das vantagens de estar mergulhada na indústria de moda 7 dias por semana é a quantidade de coisas novas que se aprende. Entre fellow stylists, ou com especialistas desta ou daquela área específica (vendedores, maquilhadores, etc) trocam-se imensas dicas. É que por muito glamourosa que a profissão pareça, trabalha-se muitíssimo.  Sob pressão. Com prazos e horários malucos. Sob luzes intensas e às vezes, com calor ou a atravessar a ventania de Londres. Tudo isto com obrigação de ter um aspecto sempre composto, apresentável e inspirador. Como diriam em Terras de Vera Cruz, não é brinquedo!

 E às vezes, como a necessidade aguça o engenho, vamos inventando truques novos pelo caminho. Já vos falei nos penteados que me habituei a fazer por cá, mas isso é só a ponta do icebergue. Ora vejamos mais alguns (e desculpem o uso narcisista de um ou outro auto retrato, mas foi a melhor forma de exemplificar).


Molas e molinhas



Sempre detestei ver "molas de cabeleireiro" na rua, mas é sabido que nada prende tão bem o cabelo sem pesar e nada dá tanto jeito para apanhados com volume. E as Londrinas, com o seu espírito desempoeirado, arranjaram uma forma discreta de as usar que dá um estupendíssimo jeito.
Como vos contei, o meu penteado favorito (e mais fácil de fazer) é um meio-apanhado estilo Brigitte Bardot, e reparei que em Londres muitas mulheres o faziam apenas segurando as madeixas superiores com uma mini mola (daquelas estilo borboleta dos anos 90, mas em versão sóbria) em vez de usarem um elástico, que invariavelmente escorrega e acaba por despentear o cabelo a meio do dia.

 Depois chamou-me também a atenção este artigo sobre as nano-molas do tamanho de uma mosca usadas pela Duquesa de Cambridge, ideais para fixar madeixas ou tranças fininhas. 



Experimentem, que vão reduzir muito os dias em que não sabem o que fazer com o cabelo!



 Em ambos os tamanhos, estas "garras" dão um ar muito compostinho, prestam-se a milhentos penteados diferentes, não saem do sítio, não magoam como os ganchos às vezes fazem e caso seja preciso retocar o penteado  (por muito azar ou muito vento) é fácil refazê-lo num instantinho sem bagunçar outros 300 fios de cabelo no processo. A boa notícia é que fica muito mais barato comprá-las em Portugal (em qualquer bazar chinês uma embalagem de 20 médias ou de 50 mini-minis sai por cerca de um euro). Aqui a popularidade é tanta que mesmo nas Primarks da vida saem bastante mais caras. E como plástico é plástico, até as da Acessorize e por aí partem com facilidade. Compro-as quando vou à Lusitânia ou pela internet, e trago sempre umas quantas comigo.


Pó compacto escuro em vez de bronzer



Pele de porcelana é o meu signature look- mas como é fácil dar a ilusão de ruiva fantasma sob as fortes luzes das lojas instaram comigo, pelas alminhas, que colorisse mais as faces, que pusesse uma nadinha de pó bronzeador. Nada contra (já aqui falámos sobre isso e o meu preferido, por acaso, até é de uma marca bem inglesa), mas depois lembrei-me de uma forma ainda mais natural e interessante de conseguir aquela "corzinha": usar pó compacto escuro, próprio para peles afro, em vez de bronzeador!

 O resultado foi muito elogiado. É que qualquer pó compacto é por natureza mais transparente que o pó de contorno ou mesmo que o bronzer, logo funde-se muito melhor e dá aquele ar definido e beijado pelo sol, sem parecer uma Kardashian que saltou do Instagram para a vida real. Experimentem se têm pele clara ou se os vossos esforços de usar bronzer e blush dão invariavelmente para o torto.

Adoptar collants  de descanso no dia-a-dia


Se o nome "collants de descanso" (ou "energizantes", como lhes chamam agora) vos faz pensar logo na vossa tia Marocas, reconsiderem. Esta dica não me foi dada por nenhuma profissional de moda, mas por uma médica brasileira muito simpática e elegante que - God bless her! - me sugeriu que as usasse quando lhe descrevi o meu corre-corre sobre saltos. 

Ao início admirei-me, mas uma volta rápida pelas lojas fez-me dar-lhe razão: aquelas meias entrouxadas com ar de ligaduras de múmia  são coisa do passado. Agora os "collants de descanso"existem em cores/ texturas lindas e (além de prevenirem dores, varizes e derrames em qualquer situação que exija passar muito tempo de pé em saltos altos)  são a melhor maneira de evitar/disfarçar tornozelos inchados e de garantir que as pernas têm bom aspecto o dia todo, pois mantêm os músculos e a pele bem esticadinhos e ajudam à boa circulação.

 Logicamente o nosso dress code não contempla o uso de mini saia, mas tenho para mim que estas meias prestarão melhor serviço a quem quer mostrar as pernocas do que os collants "brilhentos" que muitas meninas usam quando tentam dar a ilusão de uma pele uniforme.


 Como se não bastassem estes benefícios, ainda são mais resistentes do que os collants comuns! Recomendo os semi transparentes, 15 Deniers (em preto, natural ou bronzeado)  para a maior parte das saias e situações formais, mas existem pretos opacos de maior espessura, ideais para as mini e calções. Vão sentir-se nas nuvens, vão ver. Devo ainda dizer que depois de experimentar várias marcas, incluindo as de farmácia, voto pelas da Primark: a textura é bonita, comprimem realmente onde devem e como vêm em caixas de três, sai barata feira. A única cautela a ter é comprar um tamanho acima do habitual porque, para fazerem o devido efeito, elas tendem a ser bastante apertadas.

Por fim, para quem quer adelgaçar, a Primark também tem uma versão que "reduz" a barriga e o derrièrre. Pessoalmente não sou fã destas últimas, mas fica a dica para quem se sente incomodada com essas zonas do corpo ou está em fase de dieta/pós parto/etc.


Base escura antes do bâton encarnado(para conseguir o tom de cereja correcto, e não um horrível tom de beringela).




Os tons bourdeaux, vinho, cereja e afins estão muito na moda - e são lindos - mas a maioria, mesmo em marcas boas, foge para o roxo. Uma pessoa quer parecer uma diva dos anos 30 e só consegue um beringela medonho. Males de cara pálida, mas acredito que também aconteça em peles mais morenas desde que o sub-tom da pele seja neutro em vez de amarelado ou rosado.

Achar o tom de cereja certo para mim é um bruxedo: os grenás mais lindos, em mim parecem violeta. Que também é uma cor da moda, mas não faz o efeito pretendido. Uma amiga até me recomendou o famoso "Russian Red" da MAC. Fui experimentar...e adivinhem, roxo. Fartinha disso, arranjei um truque: colorir os lábios com corrector, creme de contorno ou base creme castanho-escuro. Deixa-se secar um bocadinho para absorver e depois passa-se o delineador e o bâton, et voilà! Encarnado-escuro-glamouroso sem pigmentos esquisitos.

Blusinhas de musselina com todos


Sempre gostei de blusas de seda, mas a camisa branca de algodão é o meu eterno ai-Jesus e um básico indispensável. Fiquei por isso muito surpreendida quando vi que o dress code as desaconselhava, por um motivo muito simples e muito sensato: é que exigem imensos cuidados. Têm de estar bem engomadas (e às vezes deixam de o estar ao fim de umas valentes horas às voltas) e podem manchar com o uso. Como nem toda a gente tem tempo e jeito para as trazer bem cuidadas, grandes males, grandes remédios: 
adoptaram-se blusas de seda, musselina e afins em branco ou marfim, que não amarrotam.

 Destas blusas vitorianas que têm estado muito em voga, algumas com lindas rendas, bordados, debruados a preto ou aplicações de fitas, pérolas, brilhos, laços ou até tachas. Ao início torci o nariz porque primeiro, muitas são ligeiramente transparentes (já lá vamos)  e o mais comum é encontrarem-se versões sintéticas (e sabem o que penso dessas fibras). Como tinha bastantes de seda natural em casa que nunca tinha usado assim muito, mandei-as vir. Ora, rapidamente me rendi e não tardei a comprar outras- umas mais luxuosas, outras para "wash and go", mas todas encantadoras à vista e muito mais confortáveis do que eu pensava.

 É que são tão úteis! Como não fazem volume podemos vesti-las sob vestidos, coletes, saias ou fatos, dentro de calças de cintura subida, ligeiramente folgadas. Depois existem com e sem mangas, de mangas curtas, compridas, de bispo, 3/4, com renda nos punhos, com golas altas rendadas, com decotes, you name it. Honra seja feita às fibras sintéticas ou misturadas - e dentro desses tecidos também há os maus e outros razoáveis, um dia falamos disso- é só atirá-las para a máquina de lavar e secar e está feito. As de seda obrigam a outros cuidados (lavagem suave a frio ou à mão, e secagem ao ar). Moral da história, passei a usá-las também off duty

E por agora é tudo. Depois digam-se se testaram e aprovaram estes "truques básicos de sobrevivência para stylists ultra ocupadas".

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